Tadeu Paulo

 



... com o primeiro brilho      das manhãs      e eu te vejo,     no afã de me ver      e te mostro que existo,      te toco, te sinto, te beijo!



Sentindo o gosto da saudade

fluiu dos olhos,
(úmidos e molhados olhos)
riscou o seu caminho,
no rosto em desalinho,
e pendeu do queixo
por alguns momentos;
outros lábios, no entanto,
sorvendo teus sentimentos,
a furtaram de tua face
para te dar
a alegria de beijos...
fazer-te esquecer
as saudades
e provar daquela lágrima,
agora na língua,
o sabor de tua tristeza!
 




Lágrima caudalosa

Dentro de mim há um rio
de água calma e salgada
que me refrigera e me afaga
no calor da alegria ...
mas transborda
silente e frio
em cada dor
de cada amor
em cada triste despedida!
 



De ruas e saudades

Na rua vazia,
vadia a solidão caminha
-- nua --
e no meu peito
uma dor crua
-- sombria --
me lembra o medo
de uma ausência:
a tua!
 




Pentagrama

Eu, só, cismo;
Eu sofismo;
Sofro, sangro e supero..

À dor me crismo,
Na cor escura
Do escarpado abismo.

A brancura impura,
Esse pecado, eu quero!

O meu grito só ecoa aflito
No aflito flerte
Do meu grito
Com o toque doce e reto
Do meu túmulo

Pois na rima rica
Desse rito,
Que me verga
E que me veste
Desse mito,
Sinto o acre
E ácido acúmulo
Em que me fito!
 




Luar
ou O pequeno poema dos amantes

A lua,
quando cheia,
atua bela e formosa
no coração, na alma,
na emoção e no olhar
da gente...
Com o seu charme
e o seu canto mudo,
dá o tom aos poetas,
a luz aos românticos,
e o amor lindo e surdo
na boca dos lobos,
e no peito dos apaixonados!
 



Poemeto da tristeza

faço da tristeza
a busca de meu encanto;
da amargura,
o encontro de meu canto;
da solidão,
o meu melhor momento;
das palavras,
a boca de meus sentimentos;
e assim, escolho
e recolho temas...
fazendo de cada dia
a alegria de compor
tristes poemas!
 




Pequeno grande poema de amor

ah, se eu te pudesse
cantar todos os versos,
te encontrar
em cada um deles,
e te contar
todos os textos
ainda guardados, aqui,
no meu peito,
no ardente coração...

não é a razão
que os produz;
não é o escrever
fácil e corrente;
não são as memórias,
tímidas e guardadas,
nem as lembranças,
nem os sonhos,
nem os desejos
encharcados de prazer
não gozados;
nem a tua sombra
seguindo os meus passos;
nem os meus passos
atrás de teus rastros...

mas é senti-los
-- os sentimentos --
palpitando vesgos e loucos,
e, aos poucos,
trêmulos, descompassados,
querendo emergir
de mim, repontar,
afinal e enfim,
como outro corpo,
afogado em mar de amor,
de quem sente
e sofre a dor
de amor de tanto amar!
 



Fome de amor

tenho um tempo inteiro
pra engolir o teu olhar
e sentir o sabor
dessa visão tão doce;
ah que se você eu fosse
não me enxergava
com essa fome de me ver...
 




O posseiro de sonhos


Quando adormeces,
invado o silêncio
de teu sono
e tomo posse
de teus sonhos...
Te vejo, a ti, tateando
no sombrio da mente
e gritando, de repente,
com medo de se perder...
E de tua solidão
eu me faço presente,
e passas, então,
a respirar com calma...

E os respiros da alma,
agora compassados,
transformam-se em doces suspiros.

O meu amor,
e de mim
pro teu coração,
já se fazia sentimento forte,
que neste peito fervia,
sempre, e tanto,
porque eterno por ti.
 
Tu acordas
com o primeiro brilho
das manhãs
e eu te vejo,
no afã de me ver
e te mostro que existo,
te toco, te sinto, te beijo!
 



Minha arquitetura

Eu me refaço
em sonhos
e no reverso
dos sentidos;
no murmúrio da brisa
aos meus ouvidos
e no seu cheiro
orvalhado de hortelãs;
acordado de  idéias,
o odor
desperta a razão,
e elas então me sussurram
o nada que recrio,
nos caminhos
de todas as manhãs...
 




Insone

Uma poeta delira
e se encanta,
com a lira que toca,
e a Lua que brilha
e baila na chama de prata
que não te consome,
--  a consciência  --
A luz metálica
tem um doce perfume
e ela o sente na vista,
na memória e língua...
O acre ácido de seu gosto
fustiga o rosto em alvoroço
e da boca saem
‘luas’  iluminadas...
crescentes e intocadas,
--  virgens frementes  --

E em sua estelar altura
da amargura, recria
a própria consciência,
e mergulha no inconsciente
e mágico lirismo,
louco de sonhos e versos...
...e enfim... dorme!
 



                                                          Imagens clicadas por Luiz F. Prôa



Brincando com fogo

É o facho
de fogo da vela;
é da vela
esse facho de luz;
é de um facho de vela
esse fogo...
Esse facho
é do fogo,
é da vela,
e dá luz!
 


Tadeu Paulo, como gosta de ser chamado, nasceu na cidade do Rio de Janeiro,
na era do Rio boêmio e da malandragem sem maldades. Estudou música e piano erudito
até os 17 anos. Desde muito cedo, também, enveredou pelo caminho das letras,
dedicando-se, primeiro à poesia. Com o tempo, passou a escrever textos um pouco mais
exigentes e complexos, pela ordem, como, crônicas, contos, um romance e uma novela,
além de uma peça para teatro. Curiosamente, jamais deixou que publicassem seus textos,
embora a insistência de familiares, amigos e interessados em seu trabalho.
Formado em Direito pelo Centro Universitário de Brasília – o CEUB,
além de outros experimentos de curso superior (Problemas de Expressão, UnB).
Venceu alguns concursos literários, o último deles em 1985
(o Concurso de Literatura, patrocinado pelo TST), onde foi primeiro colocado
nas duas categorias a que concorreu:  Crônicas e Poesias.
Primeiro lugar no Concurso da Comunidade Poemas à Flor da Pele, em 01/05/2007.


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02/05/2007