Poetas 3 x 4

Silvio Ribeiro de Castro



Porto Seguro
(musicado por Delayne Brasil)
 

Tanto amor guardei, bem guardado
na esperança de um dia entregar
a alguém que viria, qual num sonho,
navegando em noite de luar.

Mas o tempo passou, foi passando
e nada desse amor chegar,
até hoje estou esperando
sentado, que é para não me cansar.

É por isso que em noites de lua
na janela eu me debruço
e olhando as pessoas na rua
mal consigo conter os soluços.

É que eu vejo chegar madrugada,
é que eu vejo o luar ir embora,
mas não veja na curva da estrada
esse amor que tanto demora.

De que vale um barco sem vela?
de que vale uma praia sem mar?
de que vale uma vela sem vento?
de que vale viver sem amar?

É por isso que em noites de lua,
contemplando o firmamento,
procuro uma estrela perdida,
consulto as marés e o vento.

Na esperança de um barco à deriva
à procura de um cais, salvação,
encontre o porto seguro
que existe no meu coração.

De que vale um barco sem vela?
de que vale uma praia sem mar?
de que vale uma vela sem vento?
de que vale viver sem amar?
 



 
Silvio Ribeiro de Castro
é poeta, contador de histórias e letrista.
Têm dois filhos, plantou mais de duzentas árvores e publicou
Memórias, confissões & outras mentiras
(poesia, Ibis Libris, 2002).
Está presente em diversas antologias.
É integrante do grupo Poesia Simplesmente, com o qual
organiza e coordena
o Festival Carioca de Poesia, desde 1999 e o evento semanal
Terça ConVerso no Café, há quase dez anos.
 


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