Imensidão
Quero a nudez
do meu corpo
Sã e salva da
vestimenta que rói;
Rói tudo: a pele, a alma, o ser.
Quero pés descalços dos passos
Que sabem de cor os caminhos da vida.
Quero meus dedos rabiscando a areia
E, sem que eu possa entender,
Que eu aprenda com eles.
Quero!...
Quero o Azul colorindo a Razão
E, em fazendo-se mar,
Levar-me aos mistérios!...
Quero tomar um sorvete ao vento que assopra e ri,
Enquanto eu lambo os pingos.
Quero alçar um vôo ao nada
E, ao olhar para o lado,
Ver Fernão me levando num looping.
Quero!!...
Quero aquelas asas de cera,
De mousse, de espuma e sonhos!
Como quero desmanchar cada nuvem
E fazer “chover chuva” de letras!
Quero!...
Ah! Como quero um silêncio de tudo
Pra que eu possa ouvir do sábio o conselho
Que há tempo eu guardei em segredo,
Mas perdi-o entre os tons e as cores
Com os quais pensei colorir meu jardim.
Ah! Como quero!!...
Quero com vontade e desejo
Cada ínfimo grão de areia
Que envolve meus pés nesse ninho,
E que brinca com as gotas que caem
- essas tristes gotas de anseio
Ínterim
Imagens sobrepõem-me em jazigo.
Pequenas mortes ao entardecer das noites.
Vãos! Becos. Ruelas e esconderijos...
Nada é medo quando a Razão é dia,
Mas basta o silêncio fazer-se mistério à alma
Que o despertar arrefece,
E o sonho vira agonia.
Nesse jogo de claro e escuro,
A nuance é o grito,
O desespero é a morte
- esse engasgo que é vida!
Sandra Silva é professora e poeta
e reside na bela cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.
"Costumo dizer que no RG, nada mais falso
que um rosto colorido em 3x4
- doze centímetros de pura (i)legalidade quando a transgressão
é pelicular (OPS!) peculiar ao ser; afinal, em preto e branco,
certamente, fosse mais fácil a percepção de mim mesma".