Fígado
Eu não sou gay, mas confesso que me apaixonei,
por Carlos Drummond de Andrade
e Vinicius, Bandeira, Varela, Chico.
E cada vício, filho amado, bastardo, parido,
vomitado e sentido em tinta e celulose.
Em fracassos e derrotas de aprendizado forçado.
De produtores falsos e diretores sarcásticos,
de antropofágicos espermatorgásticos.
De medo da falta de emprego, de mentiras espalhadas
a esmo, de silicones sugados com raiva
e gordas travestidas de magras.
De repetidas vestes e botas eqüestres a cobrir
canelas
e disfarçar caras de cús sem prega.
De neuroses matérias e aura grafite cheia de furo.
No niilismo burro e da insegurança egoísta,
de uma classe média podre e racista.
De pênis grande e mole.
De itaquera e higienópolis.
Do universo ao umbigo.
Da uretra ao fígado.
Poema de Natal
Vocês estão por fora do que pode a poesia!
Em suas entrelinhas de artimanhas sujas faceiras,
que traduzem o óbvio do espírito e de suas vestes
grosseiras,
que de forma contraditória fazem poema às avessas,
do fundo pra fora, do lótus pra bosta,
pro escárnio da testa.
Vocês estão fingindo que aprofundam a essência.
Em orgias etílicas e semidemências,
nos recitais de coerência
e clemência, que concedem a si mesmo,
aos vizinhos e aos filhos.
Vocês fingem que não geram problemas.
Aceitando o estupro social cultural da perda,
enquanto dizem que; A vida, é essa mesma.
E esse egoísmo te consome as vísceras.
Impede de amar como Deus faz com suas criaturas,
faz de você um intelectualóide boçal,
disfarçado de pré-conceito liberal,
que constroem diplomas de mentiras,
arranha-céus e grandes vias.
Da sua psicologia falida de realidades egocêntricas
e individualistas, arquetípicas e bélicas,
antropofágicas e assassinas.
Esses progressos grosseiros de competição e medo.
Inveja e desespero, piedade e subversão.
