Poetas 3 x 4

Rosa Frange
São Paulo - SP



Mundos

 

Este continente já não me comporta

O horizonte me aprisiona

numa linha tênue,

que passa entre dois rios,

um corre solitário,

outro deságua na saudade.

 

O ar desta cidade me sufoca,

e eu estou perdida

entre ruas que imagino

e outras que não conheço.

 

As vozes nas ruas já não me dizem nada,

não entendo o que dizem, não faço parte.

A vida que segue, e passa por mim,

mas é por trás de meus olhos castanhos que vivo,

Não enxergo mais o bem nestas pessoas,

não sei mais o que há de bom em mim.

 

E eu estou perdida

numa cidade vazia,

na capital de meus sonhos perdidos

onde se esvaiu meu pensamento,

onde derramei palavras,

levadas pelo vento

para longe de mim.

 

E eu estou perdida

num pedaço de estrada,

que não liga nossos mundos,

que não leva a nada.

estou em algum lugar,

entre pólos opostos,

que nunca vão se encontrar.

 

E eu estou em algum lugar

entre a chuva e o pôr-do-sol,

na janela, vendo as lágrimas caírem

lágrimas de chuva que são só minha tormenta

de uma tempestade solitária e cinzenta.

 

E eu estou em algum lugar

no espaço entre meu coração e o seu

na distância destes quilômetros

que se alongam com os dias,

vivendo num mundo que não é mais meu

e eu sou qualquer sentimento,

escrito entre o plural e o singular.

 

 


 

Poeira


Na terra vazia de meu peito,
já não há mais lugar.

Há um espaço vago de normas,
não há quem seguir,
não há quem mandar.

Não crio leis, não obedeço,
transgrido a anarquia, abandono a rebeldia,
me descumpro e não me autorizo.

Na terra seca de meu peito,
não há mais vento pra semear,
nem tempestade pra colher.

Não há paz que sediar,
não há guerra a declarar.
Os povos em mim já cansados,
não sabem porque lutar,
já não se enfrentam, e calados,
esperam a vida passar.

Não há tormenta em minhas águas,
não há maré pra afogar as mágoas.

Continente solitário que segue,
sem posseiro, sem herdeiro,
tradição que não se segue, terra de ninguém.
Sem história, sem memória, sem glória.
Finda abandonada, no silêncio,
depois descoberta, na ironia do acaso,
ilha deserta, em meu peito calado.

 

 



Rosa Panerari Frange, publicitária, paulistana, 23 anos, poeta e contista.
Seus poetas prediletos e nos quais se inspira são Fernando Pessoa,
Clarisse Lispector, Pablo Neruda e Florbela Espanca.

Blog: http://empetalas.blogspot.com
 


Se você gostou indique o endereço: www.almadepoeta.com/poetas3x4.htm
E-mail: rosangela.panerari@gmail.com

Voltar para Poetas 3 x 4



home    galeria de arte    poetas em destaque    poetas 3x4    poetas imortais    colunistas    cinema    teatro    concursos

páginas pessoais     agenda poética     ebook      entrevistas      histórico

Clique e entre




www.almadepoeta.com

Alma de Poeta
 
© Copyright 2000 / 2007 by Luiz Fernando Prôa