Poetas 3 x 4

Rodrigo Andrade
Cabo Frio - RJ



Apartheid Camuflado

Vivemos em um apartheid camuflado,
Diferente do sanguinário apartheid da África do Sul.

Um apartheid, que não vemos,
Mas existe aos olhos apocalípticos
Dos que enxergam longe ou até perto demais,
O preconceito racial bem apostolicamente
Frio e decidido.

Somos uma nação,
Que nasceu escrava na colonização.
Somos uma mistura de negro, nativos desta terra (os índios)
E ‘brancos’ devastadores do Ocidente.

Demarcaram a nossa pele,
Criaram rótulos mesquinhos
Entre o passado das chibatas ao presente
Das balas de fuzis.

O quilombo virou favela,
A favela quilombo dos pobres e excluídos
Desta nação mestiça.

Não temos Martin Luther King,
Malcolm X, Gandhi e nem Dalai Lama.

Temos Zumbi, João Cândido, Ganga Zumba,
Anastácia e os nativos da língua tupi-guarani.

Somos uma nação multicultural,
Que carrega nos braços o preconceito multiracial.

Castro Alves, Teixeira e Souza, Lima Barreto,
Machado de Assis são só nomes que figuram na luta
Contra o pré-conceito do conceito do preconceito.

Versos testemunham
Ainda as origens dos atabaques,
Dos orixás, dos arcos e flechas dos índios
Tamoios, que viveram um dia aqui.

As oferendas são versos,
Mas o Apartheid Camuflado,
Continuará aos olhos perplexos
De uma criança dentro de nós
Ao vento da vida e de nossa luta incansável
Pela liberdade dentro desta pseudo-democracia.

 



A Inveja Parnasiana

Oh! Inveja da impura folha de papel,
Que imita a paixão.
Com que ele, em pó, na alta solidão,
Vira um simples pincel.

Imito todos os poetas,
Mas prefiro a mim mesmo,
Que foge da realidade dos antigos sonetos.
Oh! Papel em que escrevo!

Por isso corro, para escrever
Sobre qualquer papel
Com a caneta do saber,

Que corre e escorre como fel.

Ando pensando em imagens,
Para escrever diante das linhas,
Contra as margens
Do papel de todos os tempos.

Rasgo, quando não gosto
Da poesia mal escrita por mim
E fico triste quando não volto ao meu posto
De pensador, que sempre busca um fim.

No alto do farol daquela ilha,
Viajo nos sonhos importunos,
Que ficam com a rima
De várias noites lusíadas.

E na hora em que acordo,
Vejo o sol brilhar nos meus pensamentos,
Que viajam diante do tempo.
Oh! Formas ilustres, que mostram os conhecimentos.

Vivo de poesias da minha mente
Como vive a gaivota de peixe,
Que mostra a forma mais diferente
De deixar o poema no feixe.

E agora sai da minha mente
O lixo poético da ordem do vidente,
Que fica a borbulhar no ocidente,
Diante do espírito do oriente.

Oh! Inveja Parnasiana...
Oh! Inveja lusitania,
Que mostra a chama
Ardente do fogo, das poesias da vida...
 



Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta).
Poeta,professor,pesquisador e cabo-friense.
Autor de diversos projetos na área de cultura em sua cidade.
Têm poemas publicados em diversos meios de comunicação, sendo alguns
musicados pelo maestro e instrumentista Ângelo Budega.


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E-mail: poesiarte@hotmail.com

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