Reynaldo Sanches

Nos deixou na saudade em 31/07/2007

Foto de 25/07/2007
Lágrima
Quando o poeta chora
o poema borra
a palavra engasga
a poesia perde
Quando o poeta
morre
o poema implode
a palavra desaba
a poesia
vira prece

Trio los tres

PARTE DE MIM
UMA PARTE DE MIM SE REPARTE
UMA PARTE FICA TRISTE
OUTRA PARTE SE ALEGRA
UMA PARTE SE UNE
OUTRA SE DESINTEGRA
QUANDO UMA PARTE SE PUNE
OUTRA PARTE SE PERDOA
QUANDO UMA PARTE TRABALHA
A OUTRA SÓ FICA À TOA
UMA PARTE DE MIM SE DESLOCA
OUTRA PARTE SE ANINHA
TENHO UMA PARTE DE ANJO
E OUTRA PARTE DANINHA
PARTE DE MIM CONSIDERA
OUTRA PARTE DEBOCHA
PARTE DE MIM É MAIS FRACA
A OUTRA PARTE UMA ROCHA
UMA PARTE ENXERGA TUDO
A OUTRA TEM MIOPIA
PARTE TEM UM BOM GUIA
PARTE SE PERDE À TOA
PARTE DE MIM É O DIABO
MAS, A OUTRA PARTE É TÃO
BOA.

Querer é poder
Quero de tudo um
pouco
A palavra do são
E a do louco
O barulho do berro
E o silêncio da surdina
O negrume da noite
E a claridade matutina.
Quero de tudo um pouco
A mão que suave
afaga
E a porrada do
soco
Há coisas que ouço ao longe
E às outras me faço mouco
Quero de tudo um pouco
A voz que se
ouve alto
E a garganta do
rouco.
Quero o cizo da risada
O corte da
navalhada
As luzes da
ribalta
E tudo aquilo que falta
Quero tudo isto, mas
Acho que quero pouco
Reynaldo Sanches nasceu em São Paulo e cursou a Faculdade de
Odontologia da USP.
Veio para o Rio em 1971. É membro da APPERJ, diretor suplente de Comunicação
Social do Sind. dos Escritores do Rio de Janeiro. Tem participado dos mais
importantes saraus e eventos de poesia da cidade. Tem poemas publicados em
várias coletâneas. Lançou em novembro passado
o livro PAGANDO MICROS, uma obra de micro-contos,
juntamente com mais dois escritores: Antonio Gutman e Fernando Sá.
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