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Poetas 3 x 4 |
Regina Vilarinhos
Volta Redonda - RJ

Ausência
Para que
ouvir o som da tua voz
se entre mim e você
há milhares de nós?
Para cada piscar de olhos
é preciso desembaraçar
meu pensamento.
Estou fraca de mim
busco o meu nos outros.
Perdi o jeito de versos,
ganhei um jeito de blues.
Vou cair no bando da rua
e beber você
em cada esquina de lua.
Copo, bebida, violão e carinho.
Triste balanço de ondas
que se atiram no meu caminho.
Desejo a Lagoa e Laranjeiras
caminho na beira-mar de teu peito.
Só os ruídos do Sol
sabem de teu sorriso.
A porta tá aberta.
Entra, toma um café.
De noite, eu
te trarei as estrelas.
Meu coração tropeçou nas pedras da calçada.
Caído, rolando na areia, afogou-se em verdes olhos.
O moço de peito listrado sambou sobre meu sorriso.
O poeta sentado me ofereceu o ombro,
Mas a dor não cabia no espaço de abraçar.
Bate o mar, respingam lágrimas,
Bate a vida, fogem os sonhos.
Pela janela a paisagem adormece.
Segue sozinho pelos trilhos do bonde santo.
Espera de asas abertas, às estrelas chegar.
Bate na porta, respira a lua.
Bate de novo, vai sambar.
de velas abertas.
E em teus braços ouvi sereias.
Palavras voavam em meu corpo.
O sal cortava nossos sonhos.
O grande furacão me expulsa de teu barco.
Você procurou o maior esconderijo e
usou o meu álibi e abriu o mar.
Os dedos desenharam na areia
nossas
pernas entrelaçadas.
Ouço ainda
na concha os sussurros,
os suplícios
e o alívio.
Tudo o que você não deixou ficar
o mar fez questão de levar.
E eu sobrevivo.
Herdo de
você essa solidão.
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