Pedro Lyra

 

 

   
       

 

   

 
       

 

 

   
       

 

   

 
       

 

 

   
   

 

 

 

   

 
       

 

 

   
       

 

   

 
       

 

 

   
       

 

   

 
       

 

 

   
       

 

   

 
       

 

 

   
       

 

   

 
       

 

 

   
       

 

   

 
       

 

 

   
       

 

   

 
       

 



Pedro Lyra


 

 

Pedro Lyra nasceu em Fortaleza-CE, a 28.01.1945. Tem publicado:

Poesia:

Sombras – Poesia da dúvida. Fortaleza, Ed. do Autor, 1967. Prêmios "José Albano" da Universidade Federal do Ceará e "Poesia" da Academia Cearense de Letras, 1968.

Doramor – Uma trajetória da paixão. Fortaleza, Imprensa Universitária, 1969.

Poema-Postal. 1ª série: Fortaleza/Rio, 1970. 2ª: João Pessoa, 1971. 3ª: Fortaleza/Rio, 1986. 4ª: Lisboa, 1987. 5ª: Paris, 1989. 6ª série: Rio, 2009.

Decisão – Poemas dialéticos. Rio, Tempo Brasileiro, 1983. 2.ed.: 1985.

Musa lusa – Sonetos do amor.  Lisboa, Limiar, 1988.

Desafio – Uma poética do amor. Rio, Tempo Brasileiro, 1991. (Reedição revista e ampliada de Musa lusa.)

Contágio – Poesia do desejo. Rio, Tempo Brasileiro, 1993.

Errância – Uma alegoria trans-histórica. Rio, Tempo Brasileiro, 1996.

Visão do Ser – Antologia poética com Fortuna crítica. Rio, Topbooks, 1998.

Jogo – Um delírio erótico-metafísico-econômico ou Uma aventura em versifrases. Rio/Fortaleza, Topbooks/Ed. UFC, 1999.

Vision de l’Etre – Anthologie poétique. Paris/Fortaleza/ Rio, L’Harmattan/Fundação Cultural de Fortaleza/Topbooks, 2000. Organização, tradução e prefácio de Catherine Dumas. Apresentação de Anne-Marie Quint.

Confronto – Um diálogo com Deus. Rio, Íbis Libris, 2005.

Argumento – Poem´y´thos globais. Rio, Íbis Libris, 2006.

50 poemas escolhidos pelo autor. Rio, Galo Branco, 2006.

Crítica:

Poesia cearense e realidade atual. Petrópolis/Fortaleza, Vozes/Universidade de Fortaleza, 1975; 2ª ed.: Rio, Cátedra/INL, 1981.

O real no poético. Rio, Cátedra/INL, 1980.

O dilema ideológico de Camões e Pessoa. Rio, Philobiblion, 1985. Prêmio IV Centenário da Morte de Camões do Real Gabinete Português de Leitura. Rio, 1982.

O real no poético-II. Rio, Cátedra/INL, 1986. Prêmio de Ensaio da Associação Paulista de Críticos de Arte, 1987.

Ensaio:   

Utiludismo – A socialidade da arte. Rio, Tempo Brasileiro, 1976; 2ª ed., revista: Rio/Fortaleza, José Olympio/Ed. UFC, 1982.

Literatura e ideologia – Ensaios de sociologia da arte. Petrópolis, Vozes, 1979; 2ª ed., revista e ampliada: Rio, Tempo Brasileiro, 1993.

Conceito de poesia. São Paulo, Ática, 1986; 2ª ed.: 1992.

Sincretismo – A poesia da Geração-60. Introdução e Antologia. Rio, Topbooks/ Fundação Rioarte/Fundação Cultural de Fortaleza, 1995.

 

Co-fundador da Universidade de Fortaleza (1973) e professor da Faculdade de Letras da UFC até 1981, quando se transferiu para a da UFRJ, onde ficou até 1997.

Foi, por 10 anos, colaborador do Jornal do Brasil (1976-85), onde recenseou grande parte da obra poética da Geração-60, reunida nos 2 vo­lumes de O real no poético, que lhe valeu o Prêmio de Ensaio da APCA em 1987 e serviu de base para a organização de Sincretismo. Colaboração retomada em 2008.

É sócio titular do PEN Club do Brasil, seção do Rio; coordenador por 20 anos da coleção Nossos Clássicos da Editora Agir, onde organizou os volumes dedicados a Vinícius de Moraes, a Carlos Drummond de Andrade (em parceria com Fernando Py) e a Camões (épico), refazendo a edição origi­nal de Aires da Mata Machado Filho, e reeditou vários outros nomes; organizou também a antologia poética de Neide Archanjo (Poesia. Rio, Guanabara, 1986) e a 15a edição da Luz mediterrânea de Raul de Leoni (Rio, Topbooks, 2000); ex-editor e atual membro da Co­missão Editorial da revista Tempo Brasileiro; colaborador do Jornal de Letras, Artes e Idéias e da revista Colóquio/Letras de Lisboa.

Tem poemas e ensaios publicados em vários países da América La­tina e da Europa e está presente em diversas antologias poéticas, no país e no exterior, sendo as mais recentes: Modernismo brasileiro und die brasilianische Lirik der Gegenwart (Berlim, Druckhaus Galrev, 1997), organização e tradução de Curt Meyer-Clason, com 6 sonetos de Desa­fio; Antología de la poesia brasileña (Barcelona, Laiovento, 2000), organização e tradução de Xosé Lois García, com poemas de 4 livros; Canto a un prisionero: Antología de poetas americanos (Ottawa, Editorial Poetas Antiimperialistas de América, 2005), organização e tradução de Elías Letelier, com um poema de Decisão (1985).

Em 2000, foi publicada na França, pela Editora l’Harmattan de Paris em convênio com a Fundação Cultural de Fortaleza e a Editora Topooks do Rio, Vision de l’Être – Anthologie poétique, uma versão reduzida e bilíngue de sua antologia poética Visão do Ser, com organização, prefácio e tradução de Catherine Dumas, e apresentação de Anne-Marie Quint, ambas professoras de Civilização Lusófona da Universidade de Paris-III/Sorbonne.

Sua obra vem recebendo um acolhimento amplamente favorável da melhor crítica de nossa literatura, nacional e estrangeira. Luciana Stegagno Picchio, uma das maiores autoridades européias neste assunto, considerou-o “poeta de sabedoria clássica e de inspiração social e política, mas também poeta do amor”. O poeta e professor Roberto Pontes afirmou que Decisão é “um dos melhores livros de poemas já publicados no Brasil”. Antônio Houaiss confessou-se “perplexo” diante de Desafio, livro “tão rico de conteúdos e formas”. Pierre Rivas leu Contágio como “um canto de amor martirizado, atravessado de amargura e de um epicurismo tranqüilo”. Gilberto Mendonça Teles viu em Jogo um poema “bem diferente de tudo que vem sendo feito na atual poesia brasileira, uma crítica verdadeiramente feroz ao mundo globalizado”. Fernando Cristóvão encarou Confronto como uma “pequena «selva oscura», como a de Dante a caminho do Paraíso”. Mario Pontes revelou em Argumento uma série de “argumentos para discordar” do estado do mundo sob o império unilateral do Neo-liberalismo. Nelly Novaes Coelho realçou-lhe, pelo inédito Plenidade, “A preocupação formal somada à sondagem da condição humana”, como um “poeta do épico e do lírico”. Wilson Martins considerou Errância como “um poema épico de alta qualidade e tessitura literária, uma meditação sobre o destino”, e a antologia Visão do Ser como “um concerto de alta literatura”. E Anne-Marie Quint o apresentou ao público francês como “uma das grandes vozes da poesia brasileira contemporânea”. No prefácio a Literatura e ideologia, Eduardo Portella resume: “...o poeta-crítico ou o crítico-poeta – e eis aqui um dos poucos exemplos de que a ordem dos fatores não altera o produto”.

Foi Professor Visitante em universidades de Portugal (1986, 1990), Alemanha (1987) e França (1989-90, 1993) e pronunciou conferências em diversas instituições de Lisboa e  Porto, de Bonn e Colônia, de Viterbo e Roma, e de Grenoble, Clermont-Ferrand, Pau e Paris.

É Mestre em Poética (1978), Doutor em Letras (1981), com Pós-Doutorado em Tradução Poética na Sorbonne, onde foi “Chercheur Invité” por 2 anos (2004-2005). Atualmente, professor titular de Poética da Universidade Estadual do Norte Fluminense/UENF, Campos/RJ.

O poeta já tem dois livros sobre sua poesia, ambos publicados pela Editora da Universidade Federal do Ceará: Uma palavra marcada – Emoção e consciência na poética de Pedro Lyra, da professora Hermínia Lima, em 1999; e Uma poesia dialógica – Nove resenhas da obra de Pedro Lyra, do poeta e crítico Fernando Py, em 2003.
 



1º BALANÇO DO POEMA-POSTAL (1985)
 

1) O Manifesto

 

O Manifesto do Poema-Postal também teve lá a sua fortuninha crítica.

Como disse na “Memória indiscreta em torno do Poema-Postal’’ (in: Perspectivas-II. Rio, Faculdade de Letras/UFRJ, 1985), ele começou a ser discutido logo após o lançamento. Publicado originalmente em folheto de 16 paginas, tamanho postal, pela Imprensa da Universidade Federal do Ceará, foi reproduzido na edição do Jornal de Letras que informava o lançamento (Rio, março, 1970); na conferência do professor José Maria de Souza Dantas no segundo Congresso Brasileiro de Língua e Literatura da então Universidade do Estado da Guanabara (Atas. Rio, Gernasa, 1971) e traduzido para o espanhol por Clemente Padín (El Popular. Montevidéu, 7-8-70).

Mas como se revelaram, neste 15 anos, as posições do Manifesto?

1) Ele abre com a afirmação de que “A arte moderna caminha para a fusão de todas as artes’’. Continua caminhando. E fundindo-as, de acordo com o desenvolvimento da tecnologia ao alcance do artista de hoje.

2) O balanço do poema-livro (isto é: do livro-coletânea de poemas), diagnosticando seu anacronismo, sua infuncionalidade, sua irrepercussão e seu artificialismo, também se confirmou: a tendência da poesia nestes últimos 15 anos foi sempre no sentido de sair do livro para outros meios.

3) A relação da poesia com as demais artes se modificou a partir da utilização de outros veículos. A frase que concluía por esta posição foi a única contestada: “A poesia não pode continuar a tomar tanto tempo do homem moderno”. Tanto eu tinha certeza de seu caráter polêmico que a repeti 3 vezes. Com ela, queria apenas dizer que o processo de consumo do poema tinha e ser mais dinamizado. E foi.

4) Dos objetivos, o primeiro (“desenterrar o poema do livro’’), para lhe conferir maior vivacidade, foi plenamente atingido; o segundo (“utilização continuada do poema adquirido’’), para intensificar o seu consumo, também; o terceiro (“encurtamento da via de acesso ao poema’’), visando à sua popularização, também; o quarto (“harmonização da arte com a realidade’’), buscando uma integração, também; só não o quinto (“remuneração condigna do trabalho poético’’): para atingir esta compensação, vamos ter que lutar um pouco mais.

5) O remate do Manifesto também revelou-se plenamente correto: a extensão do poema foi ampliada, a saída do livro lhe trouxe grande vantagem e as outras formas de veiculação aumentaram a sua utilidade.

O duplo grito final também repercutiu: contra a poesia morta – e o poema despiu-se da poeira das prateleiras; por uma poesia viva – e o poema partiu, livre e descontraído, para a vertiginosidade do cotidiano.

Valeu.
 

2) As Teses

Publicadas, na época em que foram escritas, apenas em espanhol, também em tradução de Clemente Padín (El Popular. Montevidéu, 2-5-71) – e não por censura direta, mas por meu quase desinteresse com o projeto – e só agora publicadas no Brasil, como um dos anexos à “Memória indiscreta”, no já mencionado Perspectivas-II, as “Oito Teses do Poema-Postal” também se confirmaram plenamente:

     1ª) O povo não aceita a poesia como se vem fazendo.

– Não aceitava mesmo. E a resposta foi a distância crescente entre os poetas oficiais e o público, e a aproximação íntima, corporal, diária entre o público e os poetas alternativos.

2ª) A prática do poema vem negando a sua teoria.

– Vinha. As formas alternativas resolveram o impasse fundindo teoria e prática, no contato direto e ao vivo.

3ª) É preciso trazer o público de volta à poesia.

– Trouxemos. O intercâmbio e as apresentações públicas dos poetas acabaram criando um “boom’’da poesia, forçando o bloqueio editorial.

4ª) O poema quer viver autônomo.

– Passou a viver. Liberto da angustiante preocupação de mais um volume, o poeta passou a imprimir os seus poemas isoladamente, em cartões, camisas, cartazes, posters, etc., e o poema ganhou vida própria.

5ª) A poesia tem que ir para a vertigem.

– E foi. Foi para a praça, para os bares, os teatros, a praia, os restaurantes, foi para a rua. E reencontrou o seu lugar, na performance livre do poeta.

6ª) A poesia precisa de um mais eficiente meio para comunicá-la.

– Encontrou. Encontrou em todas as formas alternativas, artesanais ou eletrônicas, que ampliaram em muito o seu raio de alcance.

7ª) A poesia ainda não conseguiu a abertura necessária.

– Está conseguindo. Conseguindo no contato constante e descontraído com o público, o que aumentou o número de consumidores e de produtores. Falta só aumentar o de editores.

8ª) Arte foi-e-será utiludismo.

– Continua sendo. Prazer/informação do indivíduo identificado com seu mundo.

Concluímos dizendo que “Estas teses não são teorias’’. Vimos que não são: eram diagnóstico e prospecção, no rumo da era pós-moderna.

 

 

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