Encontro
Sei que
sou,
sei quem
sou.
Muito mais
não sei
ou, quem
sabe,
mais saber
não queira.
Mas no meu
sentir bastante,
sinto a
vida fluir,
crescer e
se espraiar.
No
vai-e-vem das marés
outras vidas chegam
para o
encontro.

Magic - 01

A Viagem
Ver-te dormindo
tão solta,
tão longe,
tão perto...
Ver-te sonhando
teus sonhos
tão raros,
tão teus...
Ver-te no abandono,
sem laços,
tão livres
os teus passos...
Ver-te vagando
nestes mares
tão verdes,
tão claros...
É ver tua viagem
de nuvens.
É desejar
teu regresso.
AGORA
SOU TU
Agora emanam
doces eflúvios,
raros aromas
de tua pele prazer.
Agora são mares,
vagas copiosas,
cálidos sumos
de tuas frestas.
Agora são rochas
e logo são nuvens,
carnes de gozo
de teu corpo paixão.
Agora são ventos
estes teus ais,
soprados rugidos
de tuas gretas.
Agora sou eu,
espasmo incontido,
um jorro convulso,
agora sou tu...

Ying / Yang

Alucina-Sol
ELAS
CHEGAM
Às
vezes,
não tão raras vezes,
recebo visitas
lá em cima,
no meu pensar.
Chegam
assim,
sem licença,
sem convite algum.
Eu as
recebo sorrindo,
é meu silencioso sim.
São
preciosas palavras
que, sei lá,
gostam do meu jardim,
virtuais orquídeas
que cultivo suspensas,
no meu último andar.
Então
brincam
e rodam cirandas.
Cantam
e se tornam crianças.
Giram e
giram tanto
que, neste rodopiar,
deixam-me tonto,
confuso, lírico.
É
neste quando que
volto a ser o menino aceso,
atrevido, faceiro.
De
mãos dadas com elas,
palavras meninas,
brinco de fazer versos.
Às
vezes,
não tão raras vezes,
grato por tais presenças,
dou à luz um poema,
inteiro.
Meu
andar
Nem agulha tens, bússola invisível,
Aonde me levas? Que rumo incerto!
Como se perde este andar tão longo!
Quem me espera além de meu cansaço?
Serei quem, logo ali adiante?
Haverá repouso em algum regaço?
Nem horizonte há no além de mim,
apenas bruma a me toldar a vista.
Como é longo este andar perdido!
Mas verto gotas a cada passo,
antes rubras, agora pálidas.
Marco a trilha e me desfaço.
Batizo o solo, risco meu traço,
inscrevo meu nome no caminho
e as linhas poucas da minha história.
Este é o legado
de mim para mim deixado,
tudo que sinto, penso e faço.
Campanário Silencioso
As traças
dos desenganos
roeram a fé.
Calaram cedo
os sinos da crença.
Voejaram os anjos,
em bando se foram.
Os santos,
esses sequer vieram
ao primeiro encontro.
Ausência.
Dúvidas inquilinas
habitam minha alma.
Essas sim,
fiéis,
permanecem.

Veneza - 04
Imagem de sonhos
Nem sei se é um garoto
a brincar de Deus
ou um deus maroto
que se faz criança.
Sei que é ele que me faz sonhar.
E lá, onde o chão são nuvens
e o sol é verde,
pinta um arco-íris louco,
ébrio de suas próprias cores.
E faz brotar montanhas
onde magos eremitas
passam eternidades
a tingir tudo no tom
de suas vestes.

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