AUTOVISAGEM
I
Aparo as arestas de palavras
(escritas/faladas/ouvidas)
II
Ciranda de pirilampos
Afogados no negro-nanquim
Ofuscam-me os sonhos
III
O pano de fundo
Meu velho-retrato
Estirpe-impressionista
De demônios matizados
E deuses adormecidos
IV
Anjos e querubins
Ornados de plumagens sensoriais
Metafisicamente fantasiados
Ilustram-me o tempo
V
Entretanto...
Na abissal profundeza da alma
Sou apenas simples mortal
(Criança/Poeta/Louco)
Magia misteriosa de Deus
SEM LIMITES
O sangue a pulsar me estremece,
Então tento libertar da memória.
E como um filme, se passa a
história.
Tomo um gole, a garganta aquece.
Recordo a loucura da paixão
demente.
Na pele, um cheiro impregnado
Do distante e esquecido passado,
Outrora semeada a semente.
Enquanto o pensamento é vago,
Eu me enlouqueço a cada trago
Na ilusão do contido mistério.
O que poderia explicar a fuga
Quando se lamentar é a fuga?!
Agoniza o poeta sem critério