O instante
vivido
Ninguém poderá me tirar
O instante vivido,
O prazer de ter sido tua
E plenamente te possuído.
Ainda que me acorrentem
Eu te preservarei
Inteiro, vivo.
No meu interior
Eu te cultivarei
Ainda que me atormentem.
Podem quedar o meu corpo,
Maltratar minha mente,
Anular-me como mulher
E até mesmo como gente,
Mas nunca, nunca conseguirão roubar
O teu gosto na minha boca,
O teu toque na minha pele,
A tua palavra,
O teu sorriso,
A tua entrega.
Isto ninguém,
Ninguém poderá me furtar.
Estes detalhes
São partes integrantes de mim.
Estas coisas pequenas e infinitas
São minhas, são benditas,
Eu as conquistei através do amor,
Através da dor.
Delas não abro mão,
Não faço opção.
Daí a certeza intensa e forte
De seres meu eternamente.
Mesmo dentro da impossibilidade
E até depois da morte
Continuarei te amando intensamente
Nos mistérios da eternidade,
Porque...o instante vivido
Pode já não ser,
Mas sempre
terá...sido.
Buquê
de... beijos
Sabendo que vago pelas noites a lhe
procurar,
Pegou o endereço certo do meu coração
E enviou um buquê de beijos para me consolar
Com a clara e firme prescrição:
“Deite-se com os olhos cerrados,
Com a alma de sonhos, repleta,
Desfaça o buquê, tire os amarrados,
Os beijos vá espalhando irrequieta
Pelo corpo ávido de prazer
Que só no meu corpo se aquieta
E constata a razão do viver”.
Obediente, um a um os beijos vou pegando
E, prazerosamente, no corpo espalhando.
As pernas, o ventre, o rosto, os seios,
Cada parte de mim vai recebendo como pétalas de flor
Um beijo carinhoso, em suaves devaneios
Na certeza que são beijos de amor.
Depois deste ímpar ritual, prazeroso e
quente,
Me sinto mais feminina, mais gente.
Estou pronta para dormir tranqüila, feliz,
Não sentirei angústia, medo ou frio
Pois você afastou meu amanhecer sombrio
Com o buquê
de beijos que sempre... quis.
Ausência é falta
Minto
quando escrevo
Que ausência não é falta.
É falta sim.
Falta dolorida,
Sentida.
Só hoje me atrevo
A dizer que é falta
Que me toca a entranha,
Me esgarça de maneira estranha.
Tua ausência é falta.
É querer sorrir
E não ver nos teus olhos
Este sorriso refletido.
É querer dar carinho
E não ter este carinho retribuído.
É querer falar
E só o eco escutar.
Ausência só não é falta
Quando existe a possibilidade,
Quando não é prolongada
E tem, iminente, a chegada.
Na tua ausência, na tua falta
Tento enganar minha mente
Com tuas lembranças,
Com falsas esperanças,
Mas meu corpo sente
E reclama
Tua presença na cama.
Tua ausência é falta sim.
Preciso do
teu corpo dentro de mim.
Nancilia,
escritora, poeta e pedagoga. Possui 20 obras
publicadas. Gosta de estreitar a relação
autor/leitor através das palestras, debates,
conferências ou seminários que realiza nas
escolas, bibliotecas e espaços culturais onde
seus trabalhos são adotados ou utilizados. É
Membro de diversas Academias e Instituições
Culturais e/ou Sociais do País. Coordenou o 1º
Fórum Cultural da Zona Oeste/RJ; participou de
vários Congressos, do Fórum Cultural Mundial
2006 e do Seminário Planos Nacionais de Livro e
Leitura do Mercosul. Orgulha-se de ser autora do
Projeto de Descentralização da Cultura através
de Coordenadorias Regionais, implantado em 2001,
no Município do Rio de Janeiro. Em 1995, foi
agraciada com a Medalha Tiradentes, concedida
pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de
Janeiro; em 2004 honrada com o Prêmio
Internacional Lions de Cultura e em 2003 e 2006
recebeu Moção de Louvor da Câmara Municipal do
Rio de Janeiro.

