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Mulher de minutos
Não sou mulher de minutos
Daquelas que os segundos varrem para debaixo do tapete sujo
Não pinto os cabelos de fogo
Nem faço tatuagem no umbigo
Me recuso a usar corpetes e cinta-liga
Há sementes em meu ventre
São poemas que ainda não reguei
Prefiro guardá-los em silêncio
Até que o tempo amadureça meus minutos
E a vida me contemple com seus frutos
Não borro meus cílios com a solidão da noite
Nem pinto meu rosto com a palidez das manhãs
Meu corpo é feito de marés
Onde navegam mil anseios
Veleiros sem direção
Estou sempre na contramão

E o sol se pôs em meu umbigo
Pintas viraram estrelas
Cabelo, fios de horizonte
Saliva, chuva
Peitos, lua
Enfeitei meu corpo de céu
Para fugir dos meus perigos
E o diabo
Atento aos detalhes
Tomou meu corpo como seu abrigo

Nos fracos serventia
Era o sonho inatingível de muitos
Realidade de ninguém
E a musa, pobre coitada
Só queria alguém para chamar de "meu bem"
Denuncie
Denuncie o padeiro com seus pães vencidos
O motorista que avança os sinais
O ciclista que invade as calçadas
Denuncie o tráfico de drogas nas esquinas
As meninas prostituídas
A taxa de juros
A falta de cultura
Denuncie a rua suja
O congestionamento nas filas do estacionamento
O assaltante de galinhas e o magnata de gravata
Denuncie a hipocrisia
As ideologias que aprisionam, mas
Vendem em seus discursos a liberdade do pensamento
A falta de respeito, vergonha e poesia
Denuncie o preconceito
A falta de leito nos hospitais
Sua indignação frente à guerra, estampada nos jornais
Denuncie a incompetência
As condutas erradas
A palavra é sua única arma

Os suicidas invadiram as ruas
O asfalto queima em chamas
Os camelôs berram
O trânsito não anda
Balas perdidas roubam vidas
Beijos picantes inocência
Há perigo em todas as esquinas
Mendigos dormem nas marquises
Meretrizes fazem pose para plebeus
O Rio está ao avesso
E os suicidas caminham lentamente
No topo dos dois irmãos
Há somente luzes
Gatos de qualquer barraco
Barrigas roncam na Rocinha
Traficantes acordam no Vidigal
Meninas de família trepam em troca de proseco
E os suicidas caminham...
Seco minhas lágrimas ao vê-los passar
Eles não sabem
Que por trás de cada estrela
Há um sonho pedindo para acordar
Amor de mar
Bombordo, boreste
Nunca soube a direção
Sempre naveguei
Ao longe no cais
Uma mão se levantou
Os pés descalços aportaram meu navio
Invadiram meu convés sem licença
Tinha olhos de marujo
E na boca, o silêncio de oceano
Ancorou-se em minhas pernas
Acariciou meus mamilos, como quem pega peixes escorregadios
Sob o sol, à deriva
Saciamos a fome com desejo
A sede com saliva...
Ele não sabia que meu navio não tinha direção

A qualquer hora
O dia inteiro
Do jeito que for
Te amo simplesmente
Sem mistério, vícios ou pudor
Amo o amarelo dos seus olhos
Sol poente em plena madrugada
Suas melodias
Suas trilhas
Amo sem precisar ser amada em retribuição
Sem hora marcada
Sem demora
Amo na cama e no chão
No meio da rua e na calçada
Debaixo de chuva
Sóbria ou embriagada
Te amo de amor
E não há nada que você possa fazer
Nem contra ou a favor

As coisas que amo
Eu não sei dizer te amo!
Porque as coisas que amo, parecem não caber no amor
Amo o aconchego das casas
E a maneira como os pés se procuram debaixo das cobertas
Amo a ciranda dos dedos sobre a pele
E o aroma dos poemas do Jorge de Lima
Amo o som de água
O cheiro de chuva
O motivo do riso, não a risada
Amo a beleza que põe mesa
A beleza do erro
do engano
e da imperfeição
Amo o desejo de amar
O tédio de não querer nada
O desejo de tudo querer
Amo o cheiro dos ouvidos
O jeito de falar
A maneira como se olha
Eu não sei dizer te amo!
Porque as coisas que amo, parecem não caber no amor
Eu sei sentir te amo
Soprando versos em meus ouvidos
O canto das marés
A filosofia dos mendigos
Elas tocam e confundem
São estranhamente conhecidas
Embora eu não as reconheça como minhas
Revelam segredos
Abrem caminhos
Pedem passagem
Falam de São Jorge e seu amor pela lua
Da lâmina cravada na carne
Do primeiro beijo
Da chuva
Falam de mim
De nós, de vós
Silenciam somente para o sol nascer
Depois do gozo
Durante o sonho e o ronco
São como vaga-lumes
Estrelas cadentes
Candelabros na escuridão
Escuto as vozes do mundo
Sempre que abro um livro
De algum poeta vagabundo

Tenho pena das
mulheres que não gozam
Tenho pena das
mulheres que não gozam
Elas não sabem
Que sob o colchão
A pele derrete
E que suas grutas ficam quentes
Como lava de vulcão
Desconhecem a meninice dos dedos
Que pulam de um mamilo ao outro
E brincam de esconde-esconde
Sob a chuva de estrelas mil
Não imaginam para que servem as mãos
Nem para que suas bocas foram feitas -
Talvez seja por isso que falem demais
Tenho pena das mulheres que invejam aquelas que gozam
Elas não sabem
Que seus seios são frutas maduras
Morangos, pêssegos, pêras, uvas
Pequenas cerejas mergulhadas em doces trufas
Por suas pernas e ancas
Jamais escorreu o néctar dos deuses
A bebida sagrada
O mel branco que é alimento
Feito leite de cabra
Tenho pena dessas mulheres
Por que elas serão
eternamente amargas
Histeria
Berta sorria para espantar o medo de se
expor
Berta dizia que não diria tudo a Berto
Berto dizia que dizia tudo a Berta
Berta fingia acreditar que Berto dizia tudo
Berto fingia acreditar que Berta acreditava em tudo o que ele dizia
Berta dizia somente o que acreditava convir a Berto
Berto acreditava que dizia somente o que convinha a Berta
Berta falava de estradas
E como um eco, Berto falava de trilhas
Berta falava de catapultas
Berto falava de armadilhas
Ambos falavam a mesma língua
Ambos fingiam desconhecer o que cada um dizia
Ambos fingiam não dizer nada
Enquanto os gestos traiam
Berto queria Berta
Berta queria Berto
Mas ambos se perderam no deserto da sedução
E o que restou daquela noite foi apenas a distancia
Provocada pelo reflexo do espelho
E pelo jogo de palavras vãs
Inspirado no livro do psicanalista
Ronald Laing, Laços

O que existe por trás do véu?
O que há de invisível nas amendoeiras
que a olhos nus não podemos enxergar?
O que há com as palavras
que vazam como água invisível
enquanto morremos de sede em frente ao mar?
O que há com o Homem
que castiga sua nudez
sangra a própria pele com adornos
e depois se lança no desejo alheio
como quem devora segredos ignaros?
O que há de raro no aroma das amoras
Na beleza do figo partido ao meio
Na crueldade do tempo que avança?
A sutileza não possui contorno ou explicação
É como um pressagio
É como ter sombra de cão e alma de alazão
A sutileza pode ser:
Uma cama posta
Uma mesa feita
Uma vela acesa
Um vinho aberto
E um poema de Affonso Romano de Sant´Anna para brindar
A sutileza nunca “é”
Mas sempre “está”

Antes mesmo de lançar seu primeiro livro “Mulher de
Minutos”
- Íbis Libris, RJ, 2003, a escritora
Mônica Montone já fazia sucesso na Internet.
O seu
texto criticando "a
geração tribalista" circulou pelo Brasil todo, foi prova
de vestibular e chegou até a ser confundido com um texto do Jabor.
Após uma experiência bem
sucedida na internet com a coluna Ponto M no
site Culturall, a jovem escritora de 28 anos, atendendo a pedidos dos seus
leitores, montou o seu blog pessoal Fina Flor que em menos de 6
meses
no ar atingiu a marca de 8000 acessos.
Mônica que além do seu
próprio livro de poesias participou de mais três
antologias poéticas: “República dos poetas; Museu da República, 2005”;
Antologia Poética Ponte de Versos - Íbis Libris, 2004 e “Seleta de
Natal,
poemas; organizada por Mauro Salles, 2006, atua em eventos literários
por todo o Brasil e produz o programa Palavrão - primeiro programa
de poesia da TV brasileira, no Canal Brasil.
Campineira, radicada no Rio
de Janeiro há seis anos, formada em Psicologia,
Mônica Montone foi apontada pelo ex-presidente da Academia Brasileira de Letras,
Ivan Junqueira, como uma das promessas da literatura feminina e teve um poema
seu publicado na coluna de Affonso Romano de Sant´Anna no jornal O Globo.
@ @ @
Formada em psicologia pela
PUC-RIO;
Autora do livro de poesia "Mulher de Minutos";
Coordenadora e editora da coluna PONTO M no site de cultura www.culturall.com.br;
Participação no livro
“Antologia Poética da Ponte de Versos”,
editora Ibis Libris; 2003;
Participação na antologia
poética do Museu da República do Rio de Janeiro,
“República dos poetas”, editora Museu da República; 2005;
Participação na
Antologia Poética Seleta de Natal, organizada pelo
poeta Mauro Salles, 2006;
Atuação nos recitais de
poesia: Ver o Verso, Ponte de Versos, Poesia Simplesmente, PoemaShow, Poesia
Esporte Clube, Verso Livre, Festa da Luta Anti-manicomial na
praia de Copacabana, festa de aniversário da livraria Argumento, Alto-Falante,
CEP20000, Poesia com letras, Quarta-Capa, Republica dos Poetas, Dizer Poesia,
Letras Poéticas, Poesia no Corcovado, Poesia Digital, Poesia Voa, Santa Poesia,
Movimento Inverso, entre outros;
Participação e atuação no Congresso de Cultura e Desenvolvimento de Cuba, 2003;
Atuação no projeto Paixão de Ler da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro, 2003;
Produção e atuação
artística do evento poético “Tributo aos vinte anos de Os Camaleões”, com
Pedro Bial, Claufe Rodrigues, Mano Melo, Luiz Petry,
Cássia Kiss e Gabriel o Pensador; Rio de Janeiro, 2004;
Integrante do show de
poesia Eros, Leros e Boleros, ao lado dos poetas
Claufe Rodrigues e Mano Melo;
Participação e atuação no
evento Fórum de Poesia
da Universidade UFRJ, 2005, 2006;
Participação no evento
“48 horas de arte”, da Dandi Brasil,
Ipanema; Rio de Janeiro 2004;
Atuação no evento “Tributo a Jorge de Lima”, editora Record;
Rio de Janeiro, 2004;
Participação e atuação no
evento “Santa Poesia”;
Rio de Janeiro, 2004, 2005, 2006;
Participação e atuação no
XII Congresso Brasileiro de Poesia de Bento Gonçalves;
Rio Grande do Sul, 2004,2005, 2006;
Participação e atuação no
Jirau de Poesia, realizado na
Bienal Internacional do Livro; Rio de Janeiro, 2005
Participação e atuação na Bienal do livro de Recife, 2005;
Participação e atuação da Primeira festa do livro de Aracati; Ceará, 2005;
Atuação na Bienal do livro de Fortaleza, 2006;
Participação e atuação no
evento Poesia Voa, no Circo Voador;
Rio de Janeiro, 2006
Colunista colaboradora do fanzine PNOB; São Paulo;
Trabalhou no site www.vaidarcerto.com.br como consultora sentimental, respondendo cartas dos leitores e escrevendo matérias e artigos sobre relacionamentos;
Produziu o Palavrão,
primeiro programa de poesia da TV brasileira;
Canal Brasil, 2005/2006
Recentemente
montou o blog Fina Flor
www.finaflormonicamontone.blogspot.com
que com menos de seis mês na rede teve 8000 acessos.
Se você gostou indique o
endereço:
http://www.almadepoeta.com/monica_montone.htm
E leia mais sobre a autora:
www.almadepoeta.com/poetas3x4.htm
E-mail:
monicamontone@yahoo.com.br
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