|
Poetas 3 x 4 |
Mauro Gouvêa
Ouro Fino - MG

cansado das noites em claro,
a boca guarda desagradável gosto
de restos, bebida e cigarro.
A pele, ressequido pergaminho
de traçados mapas, rotas de fuga.
A barba cerrada, espeto, espinho
cobrindo desleixada cada ruga.
Os olhos sanguíneos, dilatados
de assustadas pupilas que tanto vêem
testemunhas de homens condenados
que nada têm, nada querem, em nada crêem.
As mãos trêmulas condenam, acusam
os excessos das noites e madrugadas,
são trêmulas as mãos que abusam
dos carinhos falsos das mulheres perfumadas.
A arma jaz silente na gaveta,
no tambor, a pílula da cura imediata.
A trajetória é única, fatal e reta
e o
espelho testemunha o homem que se mata.
O prato vazio, a fome, a comida?
Qual o mistério do universo?
O texto, a fala, o verso?
Qual a razão de tantas questões?
As vítimas, os heróis, os vilões?
Por quê escrevo tanto?
Para secar a tinta ou o pranto?
O que faz parte do jogo?
O ar, a terra, a água, o fogo?
Qual o sentido da poesia?
O amor, o sonho, a utopia?
O que dá sentido a Deus?
A fé dos crentes ou a descrença dos ateus?
O que me faz sentir tão só?
É saber-me carne ou adivinhar-me pó?
O que difere o destino da sorte?
É a sede
de vida ou o revés da morte?
Meu
nome é Mauro Sérgio Pinto Gouvêa.
Nasci em Juiz de Fora no dia 27 de abril de 1965. Morei no Rio de Janeiro,
em São Paulo, em Ouro Fino, em Campinas, em Rio Claro, em Cachoeirinha (RS),
mais uma vez em Juiz de Fora e, por fim, novamente em Ouro Fino. Em cada uma
dessas cidades deixei um pedaço de mim e incorporei outros tantos. Nasci
tantas vezes e vivi com intensidade. Fui criança, adolescente, adulto e
velho. Cheguei a estar morto. Estive nos extremos de todos os sentimentos.
Amor e ódio, nobreza e vilania. E por estar nos extremos não fui completo.
Cresci, amei, namorei, casei, desamei, fui pai, ou melhor, sou pai duas
vezes, descasei e, por insistência ou benção, hoje sou novamente casado,
desta vez é pra valer. Nunca antes senti o amor com tal impacto e
intensidade. Em 41 anos vivi muito mais do que posso me lembrar.
Embebedei-me e droguei-me. Purifiquei-me. Conheci o céu e o inferno, hoje
sei que tudo não passa de purgatório. Estive em diversas igrejas, templos e
terreiros e não encontrei Deus. Procuro-O ainda e eventualmente percebo Sua
sombra dobrando as esquinas.
Sou poeta. Escrevo e escrevo-me.
Se você gostou
indique o endereço:
www.almadepoeta.com/poetas3x4.htm
E-mail:
maurospg@yahoo.com.br
home
galeria de arte
poetas em
destaque
poetas 3x4
poetas imortais
colunistas
cinema
teatro
concursos
páginas pessoais agenda
poética
poetas no you tube entrevistas
histórico
Clique e entre
Alma de
Poeta
© Copyright 2000 / 2007 by Luiz Fernando Prôa