Nos confins de mim
Sei que não estou só
Após lutas, paixões.
Sonhos errantes
Palavras feridas
Ergue-se por dentro
Da vida um sol nascente
Nua
Tronco ventre
Fendas e nervos
Pele poros
Branca e preta
Risco no ar
Ferida e dor.
Sangrar em ciclos
De dentro,
Contração e movimentos.
E o corpo distende
Um segundo
Uma fração
Uma existência
Sol menino
Todas as manhas
Um raio de sol menino
Esguio travesso transparente
Uma fresta, assovio doce quente
Tia avo toda gente
Preguiça em bichos
Frescor verde em plantas
Água fria em olho
Horas lentas
Barcos calmos
Barro úmido
E tudo é inicio
Minha tribo
Sou da tribo Tupy-Guarani
Traçado nervoso com negro
Laçado no mato
Sou da tribo
Sou da trupe
Sou da gangue do instinto
Com vaga-lume na ponta do dedo
Sou inteiro combate
Combato os que bubonicamente
Cercam minha aldeia
Minha aldeia
Sou AFROTUPY
Artesanal
Eram dedos na palha
A saia por entre as coxas
Um único lugar
Eram entalhes de corpo
Relevo da dança da moça
Tina nobre vinho lugar
Alma menina
Existem crianças na alma poesia
Desconcertando versos
Desalinhando traços
Alinhavando luas
E brincando palavras
Existem mulheres no ventre poesia
Acolhendo sonhos
Entalhando amores
Rejuntando os corpos
E voando asas
Escute algumas músicas do CD ALDEIA
AFROTUPY, de Marko Andrade