Poetas 3 x 4

Marcus Minuzzi
Porto Alegre - RS



Onírico, lógico e menstrual

Gosto de perder, a luta perdida
Me põe bom.
Busco e perco especialmente os salários.
Sou um solitário.
O solitário andou muito,
Feliz, sozinho,
Porque escolhe caminhos
Inviáveis à multidão.
Todo rei
É um inviável,
Mas pode ser tocado
Num violão.
Nasce enquanto memória
Do nunca visto.
Sou um tocador de mim mesmo,
Anunciando meu próprio saber-se rei.
Sou aliançado com
Uma valentia desbravadora
De territórios oníricos,
Lógicos e menstruais.
Onírico porque minto
O tempo inteiro
A mim
Mesmo sobre meu
Alvorecer
Enquanto rei.
Lógico porque vejo
E desconfio.
Finalmente,
Menstrual
Porque creio que
Meu erótico mistério profundo
Larga visões
Doces de mãe.
Adiro a uma parede de útero
E ali fico,
Sorrindo e saciando
Meu desejo por afeto.
Depois, o útero escama
E sai
A verdade em cor de sangue,
O sangue visto como desejo de mais vida.
Liberto uma vegetação
Quando penso nisso.
Posso, como estrela sossegada,
Sem obrigatoriedade de brilho,
Repousar.
Ao lado corre um rio-tempo,
Totalmente amoroso.
Lavo nele meu pau,
Outrora poderoso.
Que face robusta, no espelho.
Pai e pátria sempre se confundiram.
Laçam-me
E pouco reluto.
Meu desejo de calar a mulher,
Como faz meus mais brutos anseios,
Não resiste.
Lavo-me também numa fonte inspiradora,
Liberando-me do ódio vinculado
À exposição da mulher,

Do nu de seus seios, sua bunda.
A mulher exposta cobre meu pensamento,
Porém veste-me com a fantasia que lhe é própria.
Vejo como gostaria que eu apenas protegesse
A casa.


 


Pátria


Pátria
Em

Que
Teus

Seios
Abriga.

Símbolos
E objetos.

Tua
Quebra

Duradoura,
Teu alicate.

Pátria
De me

Tresandar
E enrubescer.

Gostosa
Do gosto

Que
Quis,

Vertigem
Dos olhos.

Sou
Caetano

Suficientemente
Para

Dourar
Mesmo

Os
Cuspes,

Os
Cus,

As
Carcaças.

Pátria
Que

Me
Morde

E que
O sangue

Me
Suga:

Eu
Te perdôo.

 



Marcus Minuzzi nasceu e reside em Porto Alegre/RS.
É poeta, jornalista e doutorando em Ciências da Comunicação.
Sua produção literária tem como temática primordial o saber
e a imaginação masculinos atuando sobre as definições do feminino
e as possibilidades de transformação destes saberes.
Possui dois livros inéditos: O Rosa do Abacate e Meus Psicológicos Ovários.
Mantém o blogue A Luz do Abacate, onde vem publicando parte de sua produção poética recente (www.aluzdoabacate.blogspot.com).


E-mail: marcus_minuzzi@yahoo.com.br
Se você gostou indique o endereço:
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