Marcio Carvalho

Nos deixou na saudade em 09/02/2007.
Pintura
Meu Rio
Não é cidade para ser bebida
Em gole de aguardente seco.
É cidade para ser sorvida.
Tal qual mulata que desce ladeira
E deixa Di e Lan boquiabertos.
É mar é rio é lago é Mario Lago!
É Carlos Minerva Lessa Assanhado!
É labirinto de curvas
Masculina feminina transexual.
É imã atraindo traindo.
É beijo na boca é mão no sexo
É boa noite de “Cinderelas”!
Estrelas iluminadas
Cataclisma vendaval.
É o bonde dos meninos
De Açúcar e de Santa-
É meu time é Lamartine!
É o pai que nos recebe, Redentor
De braços abertos.
É flecha cortada no peito
De seus Santos.
É pobre é rico é guerreiro
É padroeiro de todas as raças.
É vidraça!
Se
encarrega de mal-dizer
Enquanto o vinho amanhecido
Reparto entre os convivas
Um
punhado de penitências
E
sigo na esperança da redenção
Pois são cheios de remorsos
Os
homens
Hieróglifo
a poesia
despe-me
de saberes
pré-histórico
rumino
em cavernas
a ossatura
do homem

Lágrima
Quando o poeta chora
o poema borra
a palavra engasga
a poesia perde
Quando o poeta
morre
o poema implode
a palavra desaba
a
poesia
vira
prece
Luiz F. Prôa

Marcio Carvalho,
carioca, jornalista, ator, arte educador, poeta e escritor. Membro do
grupo POESIA SIMPLESMENTE, escreveu o texto teatral: Ensaio de Separação
(inédito).
Tem poemas publicados na antologia Sob o Signo da Poesia, Ed. Heresis e
na Coletânea Terça ConVerso no Café - 2004 - "1825 dias de Poesia".
Autor do livro:
NAVALHAS VOADORAS PARA CORTAR A TARDE - 2007 - Ed. SEERJ.

"Sua poesia , sem dúvida, é das
melhores entre os poetas contemporâneos:
uma poesia incomum, aguda, filosófica e extremamente bela."
Tanussi Cardoso
Alma de
Poeta
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