Márcia Leite

Eutanásia
Nada é dito no
momento da partida
olhos refletem o tamanho do
medo
os últimos mudos momentos
sabem à pedra de sal em
boca seca
implora-se por um eclipse
lunar
- deve ser sempre negra a
lua não desejada
o cristalino corrompe o
olhar futuro
as cores do céu seguinte já
não farão diferença
as mãos se escondem por
trás da saia
tateando o último fio de
lucidez
que decretará o fim do que
morre aos poucos
poemas rastejam no que
restou de respiração
gotas d´água queimam as
retinas
o peito guarda a palavra
oculta
e o corpo oscila como
pêndulo em mãos inexperientes
a porta é aberta e pode-se
ver
que a vida parte deixando um
pedaço
na cara do silencio que
ficou para trás.
Tarot
A busca da poesia me
desfaz
em múltiplas facetas sobre a
mesa
nada me compõe quando
persigo
a palavra que dirá o
pensamento
me desfaço em lâminas
minuciosamente observadas
através de microscópio
cósmico
o único permanente em mim
é o místico.
Márcia
Leite é carioca, tradutora, poeta, contista e cronista.
Vice Presidente da Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de
Janeiro.
Editora de Deleites, informativo literário da APPERJ.
Idealizadora e coordenadora do evento
Todas Elas e Alguns Deles, um enfoque na voz feminina da poesia
contemporânea.
Publicada em diversas antologias, coletâneas, jornais e revistas literárias.
Publicou Curtos e Definitivos, Poesia, Oficina Editores.
No prelo: Versos Descarados.
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Poeta
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