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Poetas 3 x 4 |
Luísa Artèsa

Vertentes
Que não se aquiete!
Silencie...
A paixão nascida de um poema!
Dança de perfeita sincronia...
Almas em utópica sintonia!
Deixa ser expressão e vida
Toda carência suprida
A mão que o poeta anseia
E que em seu corpo passeia!
Deixe ele águas fluírem
Proporem novo curso
Quizá prevê o futuro
Uma inédita felicidade
Não efêmera
Sucinta
Mas a angústia e toda dúvida extinta!
Que não se aquietem...
Os leões no ápice do cio!
Do conhecimento...
Do prazer buscado
E ainda não encontrado!
Deixe o poema trazer
Penetrar...
Construir...
Refazer...
Luzes e palco para o ato primal!
Performance triunfal!
Êxtase corporal, espiritual
Viagem às delícias
De todas as primícias
Ser o dono, o tutor
Anuncie pois o arauto:
Não há razão de temor!!
Dilema
Que se faz em hora
triste
Quando a adversidade
Sem qualquer piedade
Te aponta em riste?
O que se faz com um dilema?
Eu faço um poema!
Sobre o insano
Ser humano
Ininteligível
Inatingível
Indecifrável...
Vai se entender
O lastimável
Mecanismo do ser...
Seus defeitos
Seus dias de horror
E ainda quando o assunto
Envolve o tal do Amor!
Vai se entender...
Que tantos procuram
Esta grande virtude
E o querem intenso
Puro e verdadeiro
Mas no entanto
Súbito e denso
No momento derradeiro
Quando o encontram
O rejeitam
E nem sequer suspeitam
Que pode ser o último
E o maior de todos eles!
Vai se entender o ser...
Vive por viver
Mata e não quer morrer
Não amo e nem quero
Mais nada espero
Dei pérolas à porcos
Fez-se a fila de mortos
E nada mais há
Que se querer!
Fez assim o ser humano
Inoportuno e profano
Meu coração endurecer...
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