Alma de
Poeta
© Copyright 2000 / 2007 by Luiz Fernando Prôa
Alma de poeta
Que brilha nas noites escuras,
desaparecendo no dia ao raiar do sol,
misturado como simples mortal,
na normalidade da cidade fria.
Sinto o frescor dos teus versos
e uma alma vibrante a tecer estrelas,
brilhos e sonhos.
Indo e vindo no balanço cadenciado
das impressões deste mundo.
Absorvendo-as e transformando-as em beleza,
redefinindo-o, através das palavras.
Que força é esta?
Que impulsiona um ser a colorir
a metrópole de estrelas,
o dia-a-dia comum
em momentos especiais,
a mediocridade reinante
em momentos de luz,
o desamor e a dor
em belas palavras de amor.
Que ser é este?
Que com apenas a inspiração de uma palavra,
tece lindos versos da mais pura poesia,
enchendo o mundo com a sensibilidade
de seus sentimentos,
que transbordam em volúpia.
Ser irreal que cria o sonho
e através de linhas carregadas de teu olhar
e de tua essência,
estende as mãos e abraça forte,
beija a face e acaricia o rosto.
Entregando de corpo e alma,
com a energia sublime do coração,
todo amor contido em tuas palavras.
A espera de quem as ame
ou ao menos as leia,
se sensibilize, sorria.
Trazendo para o mundo real
toda uma sensibilidade contida,
esquecida na vida humana.
Mas que em teu poema
tentas resgatar, dar-lhe vida.
É a ti poeta,
através de tua alma,
que agradeço.
Nos breves momentos em que te li,
vi um mundo mais bonito
e conheci um pouquinho de ti.
Pelas linhas da emoção,
te ofereço um abraço, um beijo,
e um pouquinho de meu coração.
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A realidade de
um sonho
Na solidão de meu quarto,
derrubo paredes e descortino horizontes,
pois nada pode conter uma mente em movimento.
A máquina e o papel se misturam no trabalho,
em simbiose com o homem, que viaja.
Crio enredos, lugares e pessoas que nunca vi,
dando-lhes vida, movimento e autonomia.
Me transporto para dentro da página e me personifico,
transpondo limitações e utopias.
Trabalho o belo e desperto para o útil,
planifico ações, conectado ao infinito.
Do universo retiro a seiva, energia suprema,
pura inteligência de uma força a nosso dispor.
Teço planos, imagino ilusões,
mas ainda não consigo,
trazer um pouco desta viagem
para o campo do tangível.
Meu coração pulsa sozinho na espera,
sonha e aguarda,
o momento que uma energia se sintonize com a sua,
irradiando luzes que ofusquem as sombras,
da escuridão de meus sentimentos.
Uma luz me acena ao longe,
sinalizando para outros caminhos
e canalizo forças nesse sentido.
Mas falta-me a energia da emoção
e a realidade do sonho,
como lenha na fogueira,
combustível do calor da alma.
E sigo criando, buscando e agindo,
balançando a esperança nos braços,
e espargindo a beleza,
nesta grande viagem de meu dia-a-dia.
Sabor de alguém
Pena perpétua
Quantas vidas serão precisas
para que não me faças mais chorar,
quantas dores, quantas desditas,
quantos prantos que não posso secar?
O tempo pouco se importa
com minha alma imortal,
se a Divindade condenou-me,
vida após vida,
a expurgar-me de todo mal.
Deve ser pena perpétua,
açoite, fogueira ou arena,
a arrancar-me do coração sem pena,
todo amor que ainda me resta.
Que desde a mais remota era
luto por consolidá-lo na entrega,
do mais puro de meus sentimentos,
mas a vida desde sempre me nega,
o dom da felicidade, o fim deste tormento.
Suplico-te então Criador do Universo,
por misericórdia, dê-me enfim a indulgência
ou pelo menos abrande a pena,
dê-me a esperança, entenda a urgência,
por um dia, mesmo que distante,
onde eu seja amado,
onde não haja mais dor
e meus sentimentos estejam livres,
livres da sentença
de sofrer por amor.
Nunca mais
Acabaram-se os sonhos,
no estertor do que nunca existiria,
pois se o imaginário cria enganos,
a vida se encarrega
de desfazê-los a cada dia.
Surge então a certeza cruel,
na aspereza da realidade fria,
que aquilo que buscávamos encontrar,
tornou-se pó, desfez-se em agonia.
O dia nasce mas a noite encobre,
todo o querer, todo o desejo,
e a alma vazia seca em lágrimas,
a dor do penar, em real desespero.
Passam as horas, voltam as manhãs,
mas só restaram lascas de pedra,
por sobre os anseios desfeitos,
sepultados em infrutífera espera.
E na certeza da morte interior,
vagam as lembranças da utopia,
rasgando as carnes da ilusão,
nunca mais sonhos,
nunca mais fantasias.
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