Diz-se-nos
habitualmente
Que quotidianamente
É que a mente
Mente.
Mas, diz-se também que
absolutamente
Quem mente
É o coraçom.
Mas eu somente
Sei quando o coraçom
sente
Embora nom, quando sente
A mente.
Se for assim, eu já
duvido totalmente
Se a final e realmente
Quem é quem mente;
Se é o coraçom,
Se é a mente.
Irresolutamente,
A dúvida faz-me morrer
eternamente.
Infelizmente.
Quero fugir de ti
Mas nom podo
Porque te levo comigo
No meu peito gasoso.
Desejo esquecer,
Mas tirar-te
Do meu peito
É como descarnar-me
Com cutelo.
Vejo-te nas paredes,
Vejo-te nas pegadas,
Vejo-te na chuva,
Vejo-te na minha
almofada,
Vejo-te no meu carro,
Vejo-te no espelho,
Vejo-te neste poema...
Daria, portanto, anos de
vida
Por umha amnésia total,
Por esquecer os teus
olhos de erva,
Por esquecer os teus
lábios de esponja,
Por esquecer os teus
cabelos de alga,
Por esquecer os teus
peitos de nuvem,
Por esquecer o teu sexo
sorridente;
Mas é impossível
Deixar de ver o teu
rosto
Quando desligo a luz
Do meu quarto
Onde me diluo.
Foche negro silêncio,
Foche mentira,
Foche veneno,
Foche prelúdio
Da sinfonia da amargura
Deste ser enfermo
De inocência.
Continua, portanto,
Na tua nave
À deriva
Onde a noite fica presa
Por bastardos de papel,
E deixa-me a mim em
terra.
Nesta terra erma
Que morre de solidom.
José Manuel Barbosa é poeta,
professor de E.F. do liceu de Bande Aquis Querquernis.
É estudante de História pola UNED. Membro da AGAL desde 1984.
Professor de galego da norma AGAL em várias cidades e vilas de Galiza desde
1985.
É autor de "Ámago ou Mágoa", poesia e do livro "Curso Prático de
Galego".
Publicou vários trabalhos na revista AGALIA.