Seu site de poesia, arte e algo mais...
www.almadepoeta.com

Aroeira
Tem dia que dá
vontade
de sair
correndo
e ir chorar
na esquina do mundo.

De repente
tenho ganas de arrancar do peito
o coração
para observá-lo pulsar
compulsivamente
em minha mão
Que lentamente se avermelha
pulsão
compulsão
pulsação de sangue-bom
O sentimento no braile
no obscuro tátil da coisa.

Eu não sou poeta concreto
porque não se pode brincar
com a palavra.
A palavra é sangrada.

Sou milloriano e quintanesco,
me esclareço em Drummond,
me encanto em cem anos de solidão.
Borges brinca comigo
e Cortázar me corta e recorta,
mas é Rosa quem me dá a sensação de ser.
P.S. Leminski me abrevia.

Saudade daquela peça inteira de jacarandá
onde risquei um coração.
E onde esculpi com meu machado
meus desejos, minhas necessidades
minhas vontades saciadas.
Minhas curvas, meu pecado
a golpes de gemidos quase sacros,
de uma santidade profana.

Aves são pontes
que cruzam o céu.
rapina / pinguela
Alçar vôo
é riscar o ar.
Escrever é a arte de fazer
a ponte
entre a cabeça e o papel.
A mão é a ponte.
A caneta também.
Tudo é ponte
Tudo é sobre,
sobretudo.
Quando você ouve
uns blams
são as portas
da sua consciência
batendo.
Ou a coisa passou
ou foi o vento.

Brasília é uma cidade sem
esquinas
E não ter esquinas
É não ter encontros súbitos
É não ter a surpresa do que vem lá
Não ter esquinas
É não ter abordagens amorosas
Encontros marcados
É viver uma vida sem conversões
Não ter esquinas
É não saber do vento atravessado
É não sentir a nostalgia das penumbras
É não ter a orientação das placas de rua
Não ter esquinas
É não comprar na venda da esquina
É não perguntar ao guarda da esquina
É não ter o “extra” do jornaleiro
E não ter esquinas
É não saber o que é esquina
Pois a esquina
É onde tudo acontece
A esquina
É por onde a vida circula
A esquina
É a curva do mundo
No fim
tudo ter sido miragem:
as pessoas, os encontros
a vida.
A realidade foi um sonho.
A morte é a vida eterna.
Não é preto no branco, são cinzas.

A noite é mística
A noite é mágica
A noite assusta
(dizem, à noite, serem
os gatos pardos...)
A traição é parda
A eminência furta
A noite assombra
A sombra assusta
A noite esconde.
A sensação de bastidor é clara,
a luz da noite é escura.
Já o dia é exato!
É segmento de reta.
A outra é curva
Hiperbólica
Diabélica
Noite pura
Eu e a casa
A casa e eu.
Dois estranhos
um para o outro
Ela o ninho
Eu o pássaro
Solto preso
aqui no Acre
Eu e a casa
A casa e eu.
Ainda sem muita
intimidade
Suas paredes
nada me dizem
Meus passos
é que retumbam
O diálogo é o eco
Eu e a casa
A casa e eu.
Recintos formais
sentimentos demais
Mas eu falo.
E as paredes escutam
Escrevo.
Elas presenciam
Penso. Silêncio
Hélio Aroeira Jr nasceu
em Belo Horizonte. Engenheiro civil de formação e
pós-graduado em engenharia sanitária trabalhou numa
empresa de projetos e
consultoria durante 12 anos. Em 1996, chutou o balde
das ciências exatas e
enterrou de vez os cálculos, fazendo da régua T uma
peça de museu.
Trocou a calculadora por um editor de texto e se
embrenhou na selva da publicidade.
Tem poemas publicados no Poesia-Brasil 1990 (DGF
Edições) e na Agenda da Tribo (1997 e 2002).
Participou de vários concursos literários, mas não
ganhou nenhum.
Parafraseando Borges, em relação a nunca ter ganho o
Nobel, costuma dizer:
eles não gostam do que escrevo. Tem uma filha
maravilhosa de 12 anos.
Se você gostou indique o
endereço:
www.almadepoeta.com/h_aroeira.htm
Visite também:
www.almadepoeta.com/poetas3x4.htm
E-mail:
cadernoh@yahoo.com.br
Tenha sua Página Pessoal no Alma de
Poeta







Clique na imagem acima.
home
galeria de arte
poetas em
destaque
poetas 3x4
poetas imortais
colunistas
cinema
concursos
páginas pessoais agenda
poética
poetas no You Tube
fala poesia
oficina virtual
histórico
Clique e entre
Seu site de poesia, arte e algo mais...
www.almadepoeta.com
Alma de
Poeta
© Copyright 2000 / 2008 by Luiz Fernando Prôa