Chocolate
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Por Gisela Gold |
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Como uma
onda no mar
Nelson Motta e Lulu Santos que me dêem licença
para pegar emprestado o título
desse clássico do pop que já embalou muito casalzinho por aí.
Saindo da linha ‘’clima para beijo na boca’’, me diga aí
quem esquece a primeira onda que furou?
O medo de furar aquela onda, meu pai jurava que nada
ia me acontecer, mas ela
me exigia um respeito maior, como se fosse uma senhora
exigindo benção e meu
pai apenas um menino mais velho que eu.
Eu não queria estar lá na hora da dobra,
o medo me fazia acreditar que o destino era único:
virar recheio de rocambole de mar.
O primeiro impulso era fugir dali.
Furá-la seria partir rumo ao desconhecido, ao novo.
O que veria do outro lado?
Será que ainda veria alguma coisa?
O atalho para uma criança parecia único:
voltar para a beirinha, que mesmo distante era conhecida.
Dez linhas falando de um acontecimento de segundos.
Quanto medo passa na nossa cabeça em segundos.
Mas esses mesmos segundos apagam esse medo com
acontecimentos.
A onda vai seguir seu caminho e a minha decisão
vai ser tomada.
E fugindo novamente para a beirinha ela tratou de me dar
uma lição: o preço do comodismo de retornar ao lugar
conhecido veio através dos caldos.
Voltava para a tranqüilidade da beirinha, mas engolia
muita água com sal por teimar em não
acreditar na bondade da onda.
Meu pai que furava a senhora com todo o respeito e
coragem, conhecia o lado bom dela:
depois da maré alta a tranqüilidade.
O mar poderia ter sido um bom batismo contra o medo.
O medo continuava a dar pinta nas minhas fotografias
de memória até ouvir uma frase ontem numa entrevista,
desculpe o dono da frase, mas ela também me foi
citada como de autor desconhecido,
era mais ou menos assim: ‘’o seu medo é do
tamanho do seu sonho’’.
Quem citou foi uma atriz que estava com medo de um
papel novo- a minha onda- e ouviu isso de uma diretora.
Talvez não tenha imaginado muita coisa bacana
além daquela onda. Minha ludicidade na praia eu colocava
nas joaninhas e dela eu não tinha receio.
‘’Eu não tinha medo da Dona Baratinha’’, nem dos tatuis,
talvez porque eram meus cúmplices, sabiam correr como eu,
eles encolhiam-se no fundo da areia molhada
para fugir da Sra. Onda. Nada disso.
Não fugia deles, nem tinha medo de colocá-los
nas mãos, porque além do buraco em que eles se escondiam
e eu cavava, eu via no meu sonho uma piscina. ?
Meu buraco não era negro. Ele era desconhecido, mas
fonte de um sonho que eu desenhava com um giz
transparente aqui dentro da
minha imaginação. Onde será que deixei esse giz?
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