Poetas 3 x 4

Geraldo Carneiro



a voz do mar


 na nave língua em que me navego

 só me navego eu nave sendo língua

 ou me navego em língua, nave e ave.

 eu sol me esplendo sendo sonhador

 eu esplendor espelho especiaria

 eu navegante, o anti-navegador

 de Moçambiques, Goas, Calecutes,

 eu que dobrei o Cabo da Esperança

 desinventei o Cabo das Tormentas,

 eu desde sempre agora nunca mais

 cultivo a miração das minhas ilhas.

 eu que inventei o vento e a Taprobana,

 a ilha que só existe na ilusão,

 a que não há, talvez Ceilão, sei lá,

 só sei que fui e nunca mais voltei

 me derramei e me mudei em mar;

 só sei que me morri de tanto amar

 na aventura das velas caravelas

 em todas as saudades de aquém-mar
 



conspirações


alguma coisa se desprende do meu corpo e voa

não cabe na moldura do meu céu.

sou náufrago no firmamento.

o vento da poesia me conduz além de mim

o sol me acende

estrelas me suportam

Odisseu nos subúrbios da galáxia.

amor é o que me sabe e o que me sobra

outro castelo que naufraga

como tantos que a força do meu sonho

quis transformar em catedrais.

ilusões? ainda me restam duas dúzias.

conspirações de amor, talvez não mais.
 



o tal total


 o amor é o tal total que move o mundo

 a tal totalidade tautológica,

 o como somos: nossos cromossomos

 nos quais nunca se pertenceu ao nada:

 só pertencemos ao tudo total

 que nos absorve e sorve as nossas águas

 e as nossas mágoas ficam revoando

 como se revoltadas ao princípio,

 àquele principício originário

 onde era Orfeu, onde era Prometeu,

 e continua sendo sempre lá

 o cais, o never more, o nunca mais,

 o tal do és pó e ao pó retornarás
 



Geraldo Carneiro, geminiano, carioca por amor à “cidade-esplendor”,
dramaturgo, escritor de telenovelas, roteirista, tradutor,
letrista
,, com mais de 30 anos de poesia publicada,
 nasceu em Belo Horizonte, foi aluno dos cursos de Letras e Filosofia.
Publicou seu primeiro poema em 1970, no jornal O Estado de Minas.
Lançou seu primeiro livro de poesia, Na Busca do Sete-Estrelo, pela Mapa Editora,
em 1974. Ao sabor dos ventos, alçado por velas da inspiração divina,
se fez  publicar em: Verão Vagabundo, poesia, Editora Achiamê – 1980;
Vinicius de Moraes: A Fala da Paixão, Editora Brasiliense – 1984;

Piquenique em Xanadu
- 1988,
Espaço & Tempo, Prêmio Lei Sarney de melhor livro do ano;

A Bandeira dos Cinco Mil Réis, 5 textos do teatro contemporâneo brasileiro, 
Xenon Editora e Produtora Cultural – 1993; Pandemônio, Arte Editora – 1993;
Por Mares Nunca Dantes, Editora Objetiva - 2000; A Tempestade, tradução, 1981;
Folias Metafísicas, 1995; Leblon: Crônica dos Anos Loucos, 1996;
Lira dos Cinquent’anos, 2002, Editora Relume-Dumará
e Balada do Impostor, 2006, Garamond (os 3 poemas acima).
Desde 2004 colabora com o Centro Cultural Cartola, coordenando a
oficina de poesia Escola das Rosas que Falam.  


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E
leia mais sobre o autor: www.almadepoeta.com/geraldo_carneiro.htm
E-mail: gcarneir@uninet.com.br

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