A terceira margem do Rio
Duas cidades em meu peito moram,
ambas de mar, de sol e de neblina:
uma que dorme em leito azul na praia
outra que paira cor de sangue, a sina.
Ambas de fúria, o meu ser devoram
ante a paixão que logo se declina:
uma refaz a dor que se espraia
outra retém o riso que alucina.
Se tento unir as partes da cidade,
procuro achar em ambas utopia
Mas inda outra margem se anuncia,
Não consigo palpar sua verdade
e vago pelas margens dessa via
tentando achar a flor na aporia.
Flavia Vieira Amparo é carioca, professora do Colégio Pedro II
e doutoranda de Literatura Brasileira da UFRJ,
onde pesquisa sobre a poesia de Machado de Assis.
