Elvé Monteiro de Castro


           

               

         


Um Poema

O peso da pedra
[ Extraído do livro QUASES ]



Na beira do rio, dorme o seixo

de pedra. Pego-o, olho e penso:

sou temporal e passageiro,

e ele, tão velho quanto o mundo inteiro.



Sinto sua massa, mistura de areia

e de outros minérios e minerais.

Finito, ele é só o pedaço

do horizonte sem fim que esconde.



Seu contorno é a linha de separação

entre ele e o resto do universo infinito.

Seu volume enche o que estaria em seu lugar:

o que se vê é a silhueta no nada.



Ele atrai a terra e o resto de todo o mundo

com a mesma força com que afunda em minha mão.

Simples seixo, concentra em si os seus mistérios.

Sim. Todos os que residem dentro de mim.



Elvé Monteiro de Castro desde sempre se dedicou à literatura, pintura e 
fotografia, principalmente depois de aposentado (1994), tendo escrito seu  
primeiro poema, Verso Puro, em 1953. Atualmente cultiva estas artes em 
tempo integral, participando de diversos grupos no Rio, tais como 
Terça ConVerso no Café, Panorama da Palavra, Sarau João do Rio, 
Sindicato dos Escritores, Quarta Capa, Ponte de Versos e 
a Oficina de Literatura do poeta Cairo de Assis Trindade.

Se você gostou, escreva para: elve@globo.com
Ou indique o endereço: http://www.almadepoeta.com/elvemonteirodecastro.htm

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