Denizis Trindade


Cada um                        faz o que quer                       com homem                     ou                    com mulher



GÊNESIS
a Rolando Toro criador da Biodanza

 

No Princípio era o Caos.

E então, veio a Luz.

A Luz se fez Verbo,

a Palavra Mágica se fez

coisa, corpo, carne.

E Deus criou a mulher,

e o homem a amou.

O céu se cobriu de Orgia,

pariram-se anjos e demônios.

E, por isso e nesse instante

e para sempre, nasceu,

soberana, a Poesia.
 



ESPERA DO ENCONTRO

 

quando alguém chegar,

que eu possa dar

meu sorriso, o céu e o mar,

no melhor do meu olhar.

 

quando alguém chegar,

que eu possa dar

o maior lugar

no centro do meu altar.

 

quando alguém chegar,

que eu possa dar

o mais doce manjar,

os licores do meu bar

 

e um ar

de quem só quer se dar!
 


A VIRGEM                    sou casta                minha mão                 me basta


CLAMOR

 

vem, me toma,

me doma

e me come.

 

sacia o meu desejo,

a minha sede

e a minha fome.

 

me abraça e me amassa,

me vira do avesso

e me despedaça.

 

me mata de paixão,

senão eu morro de tesão.
 



ÁGUA NA BOCA             "degusto o poema      ao som de blues                  sorvo seus vesos       se a sede seduz                  delícia de tons       delírios de luz                 gozo o poema       e acabamos nus"                



MAR DE AMOR
ao dia dos amantes

 

você me lambe

e me banha

com saliva

suor e sêmen

 

e juntos

brincamos

nas águas

deste oceano



PAIXÃO EM FOGO

 

tua pele, teu cheiro e teu toque

me fazem arder em chamas

e me incendeiam na cama

 

e eu, igual a um vulcão

explodindo de prazer,

entro em erupção.
 



ANJOS DO SEXO

 

meninos mansos, vorazes

meninos serenos, audazes

 

meninos carentes, quentes

meninos amantes, ardentes

 

meninos não dosam

gozam e gozam
 



ANGEL OF LOVE

 

anjo de olhar penetrante

mãos divinas, mãos de amante

 

anjo de boca sedenta

sabor de céu e de sexo

 

anjo de corpo fremente

anjo-demônio-gente

 

pênis faminto, viril

alma e voz de poeta

 

cara, você me liberta

me leva ao desvario

 

e eu me sinto uma santa no cio
 


NOIVINHA TARADA                   me curra                 antes que                 eu corra



POEMINHA DE VERÃO

 

com este clima

tão quente

e o meu furor

uterino

só falta pra um

incêndio

o teu calor

afetivo
 



VISITANTE NOTURNO

 

entrou

sem bater à porta

 

invadiu

até as entranhas

 

gozou

de mil privilégios

 

me deixou

só, quase morta

 

e sumiu

sem bater a porta
 


SEX SYMBOL                 de objeto                  virou                dejeto


 DISTÂNCIA

 

eu em casa

tu na rua

 

tu de gala

eu tão nua

 

eu na cama

tu na lua

 

tu em outra

eu na tua
 



VESTÍGIOS

 

o sabor do teu beijo

ficou em minha boca

 

o calor do teu toque

ainda queima a pele

 

o teu perfume exala

um aroma sem fim

 

os sons do teu orgasmo

ecoam aqui dentro

 

mas onde está você

que me roubou de mim?
 



POEMA FEROZ

 

pára de invadir minha cabeça

e me deixar pirada

alucinada de desejos

 

pára de invadir meus sentimentos

e me fazer faminta

por te devorar inteiro

 

pára de invadir a minha pele

com carícias perversas

que corroem as vísceras

 

para de me invadir

e vem penetrar meu corpo

até os ossos, as entranhas, a essência.
 


GATA NO CIO                     minha libido                     louva tua língua                    louca e livre


FIM DE CASO


É estranho

rever você

e não reconhecer

mais nada

 

É estranho

tocar em você

e não desejar

mais nada

 

É estranho

ter sentido tudo

e não gozar mais nada

 

É estranho:

muito mais

que uma porrada:

uma faca nas entranhas

 

mais nada
 



DUAL

 

do lado de fora

me banho ao luar

e a brisa me acaricia

 

do lado de dentro

chove, faz frio

a noite é triste, vazia
 


AUSÊNCIA

 

Volto à rua da infância:

a casa, meus pais,

amigos e irmãos

não mais lá estão.

 

Do quintal,

— meu jardim encantado, —

não restou nada além

de um salgueiro-chorão,

refletindo nos meus olhos

o vazio do coração.
 



Saudade

 

dor doida,

ao despertar

me desespera.

 

de tão doída,

me desmonta,

destrói

 

e dilacera.
 




D E S A M O R

 

P I V Ô

 

D O

 

D I V Ã
 



A N S I E D A D E

 

N A C I D A D E :

 

I N S A N I D A D E
 


HIPOCRISIA
 


Nas ruas, crescem crianças

com frio, febre e abandono.

Os homens olham indiferentes.

 

E ainda critica-se o aborto!

 

Algumas pessoas que passam

as vêem como bichos, bandidos,

dizendo que é sina, é kharma.

 

E ainda critica-se o aborto!

 

Mulheres engravidam e, sem opção,

saem de clandestinas clínicas,

sentindo-se exploradas, feridas.

 

E ainda critica-se o aborto!

 

A humanidade cruza os braços,

e milhões morrem de fome

neste mundo torpe e torto.

 

E ainda criticam o aborto?
 



OPRESSÃO

 

odeio ser invadida

encurralada, tolhida

 

odeio ficar dividida

pressionada, sem saída

 

odeio gente sem medida

decidindo minha vida


O GRANDE LANCE                      é não perder a chance                          e transar o romance                        antes que o tesão dance


ATITUDE

 

me revelo

a cada palavra

que falo

 

me revelo

a cada gesto

que faço

 

me revelo

a cada passo

a cada abraço

 

me revelo

rasgando o verbo

os véus e as veias

 

me revelo

e me rebelo
 



GRITO

AO INFINITO

 

Não venham me dizer

o que sou, o que sinto,

como eu devo viver

e o que devo fazer.

 

Não venham condenar

o meu modo de ser,

de amar e de me expor.

Eu faço o meu caminho.

 

Não venham me ensinar:

eu sei errar sozinha.
 


MULHER MAIOR
às mulheres

 

sou uma mulher inteira,

fêmea em perene cio,

sem medo de amar e errar.

 

sou bruxa, fada e guerreira,

enfrento até tempestades

no deserto e em alto mar.

 

eu sou tudo e não sou nada

e sobrevivo às tormentas

sem escudo e sem espada.

 

sou amante das estradas

e namorada dos ventos,

por isto é que eu sigo em frente.

 

mais que tudo, eu sou mulher

para o que der e vier.

mais que mulher, eu sou gente.




Coisa de Pele

                                         Cairo de Assis Trindade


Desde os anos 80, Denizis é integrante da Gang 
(o bando poético-performático que segurava o por no poema 
e hoje se apresenta em eventos especiais) e da Dupla do Prazer
Nesta época, ainda adolescente, publicou Sessão Cabacinho, 
uma coletânea de cartuns de poesia.

Nos anos 90, criou o BooK New Look, 
recheado com fotos de estúdio ou de cena no lugar dos desenhos, 
uma espécie de foto-cartum-poético da Dupla do Prazer.

Nesse meio tempo, tem sido publicada em antolo-gias, 
em revistas como Urbana, Dazibao e Sociedade dos Poetas Novos, 
nos jornais RioLetras e O Capital (SE) e no Livro da Tribo (SP), 
além de ter feito sua monografia para 
Formação em Biodanza sob o título Poesia e Biodanza.

Agora em Coisa de Pele
reúne sua poesia em edição despretensiosa mas feita com seu peculiar carinho. 
Predomina aqui erotismo, uma porção de rebeldia, 
toques sociais e pinceladas de humor em poemas curtos e ousados. 
Tudo bem humorado com doses de lirismo e, como diz o pessoal da nossa Tribo, 
"cheio de vida e sensualidade".
 



Denizis Trindade
 

Atriz, fez teatro, cinema e televisão. Considera-se poeta bissexta. 
Faz parte da GANG, grupo que revolucionou os recitais de poesia nos anos 80. 
E atualmente faz performances poéticas com Cairo Trindade, 
com quem compõe a DUPLA DO PRAZER, em vários lugares do país.
Têm 2 livros publicados, Sessão Cabacinho e Book New Look e o inédito
Coisa de Pele.

Deu entrevistas nos programas de TV:

O Show Não Pode Parar, para Ziraldo, (TVE).

Documento Especial, para Nelson Hoinneff, (SBT).

Revista de Domingo, para Márcia Peltier, (Manchete).

Programa Livre, para Serginho Groissman, (SBT).

Jô Onze e Meia, para JÔ Soares, (SBT).

Formada em Biodanza pela International Biocentric Foudation (RJ -0135), 
Sistema Rolando Toro e é membro do Conselho de Facilitadores do Rio de Janeiro.

Ministra vivências de Biodanza na Ação da Cidadania e no seu Espaço Biodanza Rio.
Também dá vivências para grupos de teatro e em empresas.
 


Se você gostou, escreva para: denizistrindade@rjo.cruiser.com.br
Ou indique o endereço: www.almadepoeta.com/denizistrindade.htm


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