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Poetas 3 x 4 |
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Delayne Brasil

Meu Jardim
Seropédica, do bicho-da-seda,
teceu-me bicho-do-mato para as asas do Flamengo
Paisagem Burle Marx burlando mais e mais a velha ótica
Um mar de só admirar (não se entra incólume: é coliforme)
Cachorros nas coleiras e gente
Tarde quente esperando novos ventos
A baía espia a lua e o lixeiro - alinhados de laranja
Correm bicicletas, brisas e domingos
O Aterro, quintal de tantas tribos, desenterra o meu jardim
plantado no tempo
É um parque e somos crianças
Não é nada
Não é nada
É só o mundo submerso
em morte lenta
de um tempo vago
Não é nada
É só um medo imenso
cor de enxofre acesa
no olho do penhasco
Não é nada
é só peso de entulho
no estômago vazio
coração acuado
Não é nada
São mares de calafrio
a loucura por um fio
razão sem lado
Delayne Brasil nasceu em Seropédica, RJ e cursou
Letras na UFRJ.
Poeta e compositora, musicou vários poemas de autores contemporâneos e
consagrados.
Lançou seu primeiro CD, Nota no Verso, em 2003.
Integrante do grupo Poesia Simplesmente, com o qual publicou duas
antologias,
em 1999 (independente) e 2001 (Ibis Libris).
Com o grupo, organiza e coordena o Festival Carioca de Poesia, desde
1999.
Está presente em diversas antologias.
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