Poetas 3 x 4

  Dalberto Gomes



ESPÍRITO NEGRO

 
 

Eu sou aquele

Quer viajou em porões de navios

Arrancado de uma pátria, de uma tribo, um país.

Eu sou aquele

Que jogado em terra estranha

Sem identidade

Foi animal de carga e canga.

Eu sou aquele

Que com sangue, suor e lágrimas

Da terra extraiu riquezas

No campo plantou fartura

Para o mundo semeou beleza.

Eu sou aquele

Que foi humilhado, machucado, esquartejado, torturado

Nas fazendas, nos campos, nos pelourinhos, nas cidades.

Eu sou aquele

Que teve sua pele lanhada

Que teve sua pele esfacelada

Eu sou aquele

Que teve o seu gemido, sua dor, o seu protesto

Orgulho de uma raça.

Eu sou aquele

Que samba, que ginga, que joga capoeira.

Eu sou aquele

Que foi Zumbi e Ganga Zumba

Que foi Chico Reio e Candeia.

Filho de Zambi e Oxalá!

 

Eu sou  aquele

Que sonha com a liberdade

Pelo bem da verdade

Eu sou o negro brasileiro

O que foi

O que é

            Teimoso.



REVOLUÇÃO FRANCESA

Queda da Bastilha

Na garganta do povo

Revolução francesa

Evolução em pastilha.

Francês me lembra

Torre Eiffel, chulé, scargot

Perfume, pão, Brigite Bardot.

 

Francês me lembra

Arco do Triunfo, Louvre, Merci Boucout

Bollevard, cu, Charles Aznavous

 

Francês me lembra

Moulin Rouge, guilhotina, champagne

Maria Antonieta, iluminismo, gerdame

Marselha, Edit Piaf, Renoir, Mirage.

 

Francês me lembra

De Goule, Joana Darc, Cartier, sacanagem

Três mosqueteiros, Luiz XV, viadagem.

 

Francês me lembra

Marquês de Sade, Johnny Holliday, Villegaignon

Piegeot, Alexandre Dumas, Paris, Alain Delon

Champs Elise, Moet de Chandon, Napoleão.

 

Francês me lembra

Jackeline Bisset, la boemia, cumprido nariz

Marat, Danton, Yves Montand, putaria,

Sartre, Simone de Beauvoir, meretriz.

Francês me lembra, Belle époque !

Robespierre, Jean Paul Belmond, abajur

Moliere, Air France, Toulouse, Carrefour

Remblanc, resistência, Pompadour .

 

Francês me lembra

Mitterrand, Proust, Regine, Channel, Rodin

Jacques Cousteou, Yves Saint Lourent, can-can

Jet Aime, conhaque, Pierre Cardin.



Francês me lembra

Marselhesa entoada com emoção

A Breu Blanc Rouge tremulante

No mastro de minha petit recordação

A perda da copa pela seleção.



Francês me lembra

que é hora de dar o meu bon jour

Vou para cama com minha femme fazer amour

Aqui no Brasil está ruim para sapo

Imagine urubu. 

 



 Dalberto Gomes é poeta, ator, colunista, animador cultural, performático, Diretor do Centro de Divulgação da Cultura negra. Carioca, funcionário público. Tem 4 livros editados: ARTEFATOS (1987), NEGRO SIM (1998), RELAXE...É POESIA E GOZE A VIDA (2001) e INDESCÊNCIA E EXCRESCÊNCIA (2003). Ex-Coordenador do Circuito Literário Conversa Com Verso, 2 moções  honrosas da Prefeitura do Rio de Janeiro . Apresenta seus trabalhos nas ruas, praças,teatros, clubes, bibliotecas e bares pelo Rio de Janeiro afora.


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