CLÁUDIA GONÇALVES     
        


...a espinha trêmula          e o tempo, em sintonia          movendo-se lento          um silêncio terno           sorvendo o sabor         do  momento


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Sonho

Sinto-me
um barco perdido
a procura do cais

a cada nova aurora
ao sentir
o sopro do vento
ali estou envolta em
um cobertor de sonhos

...querendo ver
o mundo suspenso
nos olhos dos meus desejos

e quem sabe
ao anoitecer
o cobertor seja de
beijos
 



Distração

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

contando estrelas
talvez...

quase meia-noite
a lua prata
avisou-me
e não...
não escutei

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

se o bonde passou
deixei... sobrei
parti-me de ti
sonhei as horas
que perdi

quase meia-noite
...desisti
 



Lagoa


vestida de cristal

reflete o azul do céu

o verde das folhas

dançando ao vento


lagoa dos patos

aqui me liberto

transbordo em magia


rejuntando partículas

colhendo estrelas

dispo-me de mim

densa... sinto-me lua

e me vejo crescente

liberta inteira


em ondas sonoras

tuas águas me embalam

entrego-me e calo
 



Rebento

 
Que seja pleno

se tardar...tanto faz

quero agarrar o poema

com as unhas do coração

e não negar

o que explode em mim

 
rasgar o peito

com um verso feito


...que seja bobo

ou que me questione

mas que me leve

e me aprisione
 



Utopia

Não é nada
é só poeira de sonho
de uma noite de outono

até esqueci
e deitei no vácuo
que ocupou meus ais

é só uma miragem
pintando a face
de um amor distraído
que tropeçou no silêncio

e amanheceu você
 



Alma de poeta

Carrega sonho
em metáforas
atenta aos amores
as partidas

o som o silêncio...

o pensamento navega
no subterrâneo
da emoção

magia que pulsa
nas entrelinhas
do que projeta

e no delírio
da inquietude
está a alma do poeta


 



Fases

a

lua
minguante
de
tédio

 

ficou

cheia

de

razão

 

subiu

no

salto

e

numa

crescente

 

vida

nova
 



Desencontro

por onde
não andei
estava
seu rastro

quando
adormeci
você passou

sem perceber
os sulcos
deixados
no caminho

despertei
enquanto
o sol...
...ainda
dormia

 



Poetas

Cismam os poetas
que flores têm sabor
que saudade têm cheiro
que grita o silêncio


ah! nada acompanha
o pensar de um poeta
que beija a boca da noite
salta da ponte do sonho


e até ao relento...
com os sentidos atentos


rende-se à voz
do coração
que galopa
ao encontro do verso

 


 

entre janelas mortas                     bando em vôo                   bem-te-vi

 



Noturna

na esquina

do silêncio
esqueci

a poesia
sem que

percebesse
a madrugada

a devolvia
 


 


 



ma(R)io

O rio embriagado
pelas ondas do mar

...mar do rio
que o guaíba-rio abraçou

no alto de um andar qualquer
amoras,morangos,cerejas
vermelho rubro
...ao céu da boca

janelas mortas
em pedras vivas

e o sol foi tirando do bolso
um sorriso quente
e apaixonado

eram fogos de artifício
saudando mar e rio


 



 


Inquietude

de toda
a estranheza
que me invade
entrego-me
a nudez
da poesia
 




Do calar

às
vezes
basta
ouvir
o
silêncio

e
tudo
muda
de
lugar

na
esquina
do
calar

foi
ali
que
nos
perdemos
 



Desejo

Deslizo
em dunas
procura
arfante

estilhaço
de emoção
um sol
distante

quero
do teu céu
toda a cor
que há...

refletir
este anil
que pinta
o ar
 



Mãos de meninos

em esquinas e becos
tem mãos de meninos
que roubam
que matam
que morrem
na pele no osso
o medo o terror
e na noite vazia
tem nas mãos de meninos
pedra punhal...
ou serão
gotas de sonhos
que não germinaram
com os sentidos bloqueados
entre lama e fantasmas
o que tem no abandono
é o belo em carrancas
que traduz o escuro
o avesso da vida
corroendo a alma
com total dissabor
e nas mãos de meninos:
pedaços de nada
a bandeira da dor
 



Breve

houve
um tempo
em que
o momento
voou
e passou
em silêncio
 


 

arames enroscam            aranha na teia            farpando

 



Louco amor

Homem

poema menino

é você na retina


corpo, alma

coração

e sentidos


no sonho

te encontro

pulsando paixão


a meia noite

inteira

basta e arrasta

o som de um tenor


na pele o desejo

o louco grito do amor
 



Noite

Salgado silêncio
pintado de breu

andando

de rua em lua
buscando a cor

na derme do escuro


um mergulho vermelho

no túnel da boca


um coral

de palavras loucas
entorpecendo

...cantando
em labaredas


beijos...

que inflamam
aquecem
transpiram

e calam
 


lendo silêncio              lua nua               dorme



Vazio

Em pétalas

desfaço-me


e do avesso

...sentindo

o beijo do vento

exalando vanilla

a inundar o papel

em branco


com sabor

de mil folhas

o desejo vacila


quebrando o vazio

da marcha perdida

no sopro do tempo

nos labirintos da vida
 



Primavera

debruçada no sonho

esboçando

uma estação


o tempo passa na janela

vejo pétalas bordadas

em margaridas

cravos girassóis

rosas petúnias...


vão-se as algas

musgos dilacerados

liberando

cores e aromas


sinto um poema quente

incendiando

palavras mudas
 


 

tudo nada diz             aqui palavras             mudas

 


Mulher

Anoitece

na ante-sala do amor

transborda néctar

frutal

rosa chá


alma desnuda

saindo do prumo

tal fera selvagem


bastam os sentidos

e explode a paixão

 
nas arenas do corpo

caem folhas de outono

e floresce

...mulher
 



Renascer

Vida a florir...
em vertente clara
fragmentos de verão


vazio em ecos
descortinando sentidos
o sonho renascendo
de retalhos


pássaros em cores
num vôo sonoro
de alma livre


cirandando a luz
de pirilampos
 

num denso desfiar
de emoções
 



Chama

queima ativa
de corpos
...fagulha
de medo

...boca
saliva solar
em fusão
veloz...

num forte
pulsar
...ao som
do poro
aberto

sol ao longe
a borrifar luz
...paixão
e desejo

na pele crua
...cala a noite
vermelha

...volúpia
em sonho
sentir...
...voltar
acordar
 



Nós

Olhar vazio

...devaneio

arrebol

em movimento


é entrega

...reencontro

almas ligadas


marca

de coisas vividas

sentidos atentos


gesto olho boca

...tudo conhece


a pele grita

coração voa

e ali só a lua

doce confidente muda
 



Momento

Um sobejo de luar
espalhando

aroma de vinho

o corpo acolhido
em brumas de seda

aflorando desejos

o amor a bala-lança

num broto de manhã
um sol furta-cor

pinta e borda

e o tempo em sintonia
com o universo
que o desejo toca
move-se lento

no sal do corpo
um silêncio terno
sorvendo

o sabor do momento

 




Sol noturno

Te encontro
na delícia das maçãs
a pele orvalhada
de flores de ontem
no mel da retina
a taça do amor

ao tocar o desejo
o vinho de hoje

quebra o silêncio

um sussurro rouco
de palavras tontas
percorrendo
corredores estreitos
de um sol noturno

...desperto
ao sabor da manhã

 




 


Inebrio

que se perdure
esta sede
que embriaga
meus sentidos
 
que nos metros
de saudade
que nos separam


minha ponte
encontre
a sua

e no remanso
da aurora
não me fuja
a poesia
 



Prelúdio

em um dia branco

alva era a flor

que o perfume trazia

em sulcos profundos


embriagando sentidos

rasgando caminhos


enquanto

à esperança gritava

...tecendo

novelos do tempo

 
que queria encontrar

asas pra fugir

do intenso escuro


...que em malas

guardava

sonhos sem janelas
 


Poesia no You Tube


Cláudia Gonçalves, Sônia Prazeres e Gustavo Schuramm com o poema O Vazio.




Cláudia Gonçalves e seu poema Lagoa.
                        :



Cláudia Gonçalves e seu poema Mãos de Meninos.




Poema de Cláudia Gonçalves e de Marko Andrade na voz da Cláudia.

 


Cláudia Gonçalves e seu poema Poetas, com imagens de amigos poetas do Brasil.

 

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Poemas em áudio

Mulher        Momento       Sonho      Poetas


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Comentários sobre a Poeta


Poemas em clima emotivo, com uma dicção não reprimida, mas concentrada, e nada melancólica.
Isso é mais difícil em poesia, pois é bem mais fácil comover o leitor com uma sensação
de perda ou de falta do que com a de esperança ou de conquista.

Pedro Lyra, escritor, poeta e crítico literário

  

"Prelúdio" e "Sonho" são verdadeiras obras primas!
Curtos, claros e singelos, com metáforas bem sintonizadas.
E o que mais me fascina: A esqualidez dos versos... é precisa em seus sentimentos...
Isso é um dom raro e delicioso...

Éric Meireles de Andrade

 

Sua poesia é melódica, para ser lida em voz baixa,
debruçada na janela
em um dia morno de inverno...

Lenise Marques, poeta e cronista

  

O lirismo na poesia de Cláudia Gonçalves é encantador.

Octavio Peñarol, filósofo uruguaio

 
A Cláudinha é uma boa descoberta poética dos Pampas.
Tem uma poesia delicada e interessante.
Sua tradução da alma do poeta é doce, reveladora e poética.
Suas palavras são de uma tranqüilidade linda.

 Marko Andrade, poeta e músico

  

A poesia de Cláudia tem movimento é algo vivo que nos envolve 
em sublime manifestação das emoções genuínas.
Aquilo que põe sentido na vida.

Sônia Macedo

 

Cláudia mexe com a alma, com o coração e embaralha nossos sentimentos e emoções.
Ela tem a força e o poder de um carisma que transborda o lírico e o místico.
É uma artista no seu sentido mais elevado.

Tadeu, poeta e pianista

 

Versos incandescentes.

Teófilo, poeta e ator

 

Suas palavras são carícias. Pérolas poéticas!

Reinaldo, poeta

 

Poesia bela, com a força da chama, fundindo palavra e sentimentos.
A emoção é inevitável!

Diniz Neto

  

Sensibilidade aguçada, carisma, ternura e alegria são apenas algumas das características desta poeta. Que busca inspiração nos pequenos detalhes da vida e consegue dar um toque mágico em cada ocasião, transformando os momentos em algo único e inesquecível. E por possuir esta delicadeza apurada permite-se brincar com as palavras e encaixar a emoção em cada letra escrita.

Eric Duarte Paiva, ...

 

Ler Cláudia Gonçalves é mergulhar no seu íntimo e sair dali limpo, doce, renovado.
É beber das águas do Guaíba, cavalgar os Pampas e nos cobrir com cobertor de sonhos.
Sensível, atenta aos detalhes e cores, brinda e beija o leitor.
Essa poeta já não é promessa, ela é pura poesia, talento, poema.

 Luiz Fernando Prôa, escritor e poeta



Sou como as águas dos rios,
a natureza me leva ao encontro de algo grandioso...
Talvez uma cachoeira,
queda livre ao sabor do vento,
talvez um túnel,
submerso num mundo ainda não explorado...
Talvez um outro rio,
abrigo das minhas andanças,
talvez ao encontro do mar,
do mar de emoção que há em mim...


Cláudia Gonçalves


Poeta gaúcha, nascida em junho de 1968.
Participação em antologias:
Casa do Poeta Rio-Grandense em 2006 e 2007;
Congresso Brasileiro de Poesia em 2007;
Poetas pela Paz e Justiça Social em 2007
Proyecto Cultural Sur – Brasil / Poesia do Brasil Volume 5, 2007
Curadora do site Alma de Poeta e coordenadora
do Sarau Alma de Poeta, em Porto Alegre.
 


Se você gostou indique o endereço: www.almadepoeta.com/claudia_goncalves.htm
Visite também: www.almadepoeta.com/claudiagoncalves.htm
E-mail:
cacau_sls@hotmail.com


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