Poetas 3 x 4

Carlos Gurgel
Natal - RN


Vela do tempo que não se apaga
 
Quando você me pedir um café
Liquidificarei na xícara, manjares e florais
Mel, abacates e pincéis
Imensos arquipélagos dos nossos quintais
 
Quando você me pedir um chocolate
Lhe servirei uma porção dos deuses
Ramalhetes de açúcares, de inúmeros anéis
Um sonho cremoso, das milhares de vezes
 
Quando você me pedir um picolé
Embrulharei o palito com fitas, fotos e festas
Tudo que sua lembrança trouxer e quiser
Como janelas de leitos e bocas abertas
 
Quando você me pedir um talher
Arrumarei a casa como uma mariscada
Escolhendo o melhor do melhor da maré
O requinte do turbilhão da idéia pescada
 
Quando você me pedir um vinho rosé
Misturarei todos os meus sabores, licores, favores
Ao redor de taças e vidraças do escondido chalé
De tantas e sortidas e infinitas cores.
 



Contumaz

 
Minha saudade é uma relíquia
Confesso aos meus erros a felicidade
De uma chácara repleta de ilhas
E de um vasto ocaso: o espelho daquela tarde
 
Foi o ontem que me deixou mais pensativo
Repousado de brios, ferrugens e do bem do mar
É como o destino que me caçoa, soa fugitivo
De uma torre, de uma serpente, do seu olhar
 
Me sigo como vila velha de milhas
Trespasso a ampulheta que aluga noites e dias
Águo a vida que me dá filhos e filhas
E repouso como um míssil, sombreado de dentes sombrios
 
No vasto do rastro que escorrego e me acho
Vago feito um senil, simulacro de fogo e enfeite
Sou de noite a flor do facho, passo à passo
Como uma bússola que encobre todo o seu azeite
 
E que da ilha que do início me fez senhor
Eu peço a luz que induz e conduz a sua paz
Só quero a cruz, as minhas costas e aquela dor
E do inúmero vento daquela lembrança que me leva e que me trás.

      



Confesso

 
Minha vida hospeda
Despedidas e enganos
Vazios e esquecimentos
 
Como um corpo que arde
E não se lembra do frio que encobre seus pecados
 
Como um lobo que protege portões e olhares
E do dilúvio de um deserto de sangues e espinhos
 
Como uma boca que lambe lixos e restos
E do termômetro de um sonho que salva mentiras e desculpas hipócritas
 
É como a sobra de uma sombra
Que reparte o hino que fala de ausências e desmaios
 
E da vazante de uma lágrima
Que escorre o perdão
No meio da noite que não dorme.

 



Carlos Gurgel é poeta da geração de 70 e produtor cultural, Carlos Gurgel,
oriundo de uma família de artistas, desenvolve na cena cultural
da cidade intervenções sonoras e poéticas.
            Participou ativamente da criação do Festival de Artes do Forte dos Reis Magos,
no final dos anos 70, onde juntamente com outros artistas da cidade,
elencou para a sua programação artistas de renome das várias regiões do país,
numa diversidade cultural nunca vista.
            Identificado com um perfil onde mistura raiz e experimentos, Carlos Gurgel,
está sempre aberto para inserir no seu trabalho juntamente com o seu grupo
"O Índice Puro", repertório autoral inusitado e instigante.
            Coordena o "Bendita Poesia", patrocinado pela Fundação José Augusto,
espaço aberto, com periodicidade mensal onde se apresentam poetas nordestinos
que mostram no palco a utilização do poema amplificado por elementos eletroacústicos,
texturas virtuais, performance.
            Integrante da comissão julgadora do concurso de poesia "Luis Carlos Guimarães"
e resenhista da revista "Préa", todos dois, patrocinados pela Fundação José Augusto.
Tem no prelo, poesias encobertas, posters paladinos e a eterna vontade do recomeço.
 


Se você gostou indique o endereço: www.almadepoeta.com/poetas3x4.htm
E-mail:
gurgelpoesia@yahoo.com.br

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