Poetas 3 x 4

Carlos Costa


PLENITUDE

meus dias se passaram como pude
amanhecendo insones várias vezes
e nada acontecendo pra que eu mude
e veja o céu aberto, sem revezes

meus dias sem desejo ou atitude
esmaecendo à força da rotina
o tédio reinventando-se amiúde
já quase descolore-me a retina

meus dias, protocolos burocráticos
papéis avolumando-se na mesa
encerram frases, gestos automáticos
como água sem corrente na represa

meus dias desfalecem mais remotos
concentram-se em problemas adiados
departamentos ditam pelos votos
incompetentes mais apropriados

meus dias cada dia mais carentes
de um outro horizonte ou latitude
surpresas criativas ou repentes
meus dias são a morte em plenitude


A MORTE DO BESOURO

Ao pé do abajur,
a morte do besouro é fato esquecido.
Ninguém na repartição é capaz de lembrar
há quanto tempo ele jaz próximo ao cinzeiro.
Também não lembro
há quantos dias o vejo figurativo,
incorporado, agora, à natureza mineral do destino.
Apenas lembro, cada vez que passo por ali,
que um dia serei besouro
e, de mim mesmo, nem eu darei conta.


Carlos Costa é carioca, cantor, compositor, poeta, letrista e licenciado em Letras pela UERJ.


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