Poetas 3 x 4


Cacau Loureiro



Gênio Menino

Teu universo fechou-se em derredor...

Agora eu e tu numa justa laçada, apertado

laço, cego nó, nossas aselhas aliadas.

Negar não posso essa magnética esfera

que nos aproxima, atrai-nos, enlaça-nos,

e, doravante dentro de mim mora um anjo...

tornando-me uma ninfa caída, mas, colorida

içando vôos maiores em meu singular

encantamento interior.

Mas, há também este agror que transpassa

o meu coração rebelde inquietando meu

espírito viajor.

Como ludibriar este querubim diligente e

assim te permitir tesouro tão superior?

Anjo traidor!... gnomo que transforma

astutamente homem e mulher, ódio e amor...

Como lidar com este instinto enganador?

Como discernir o que é demônio e deidade

dentro deste meu arbítrio sonhador?!

Duende mofino, menino saqueador...

ata-me às suas amarras, acerta-me as suas

flechas, faz-me arrastar asas ao encontro

deste moço, belo elfo tentador.

Gênio da guerra e da paz e que transitar

faz-me entre o contentamento e a dor...

Com ele diviso tantas miragens, angélicas

paisagens... ente guardião, mecenas do amor!

 



Álulas


Alo as palavras... é o meu jeito

de liberar convulsões interiores,

os meus velhos temores.

Não obstante, a chama que a tua letra

acende em mim, ilumina-me a

solidão da alma, arranca-me lavas

do coração, é pira mais que sagrada.

Penso... algumas coisas nesta estrada

deviam permanecer imaculadas... o amor,

a amizade. Contudo, a luta pela vida é

desigual, é dura, é árdua. Logo, eu sigo

por essas vias marginais, pois que sou

poetisa anilhada.

É o milagre em ação quando duas almas

se descobrem, é a divindade a dizer:

Vem comigo, eu existo e te sustento!

Minhas frases vêm a esmo, desarrumadas,

mas, são presentes que te entrego neste

prorromper de desassossego.

Eu não nego, tenho-te apreço e nada

te peço além de permaneceres comigo...

Como amigo... Como amigo! Amigo, como?

Não me importa o quanto tudo já está

explícito, já não me importo se me explico,

pois se não te digo... eu silencio...

E em não permanecendo no “senão”,

eu me complico, então, eu falo, até escrevo,

assim, eu me desvio dos atropelos derramando

verbos, conjugando todos os meus medos.

Estou farta dos não me toques cheio de dedos!...

Em meu caminho já tive freios, as bridas

de um contumaz desejo... apegos.

Deixarei de mas...

Hoje é patente, eu criei álulas, e, quanto

mais eu alto vôo, mais alto sonho!... mais espaço

acho para abrir as minhas atrofiadas asas.
 



Cacau Loureiro

  

Claudia Maria Loureiro da Silva, professora com aperfeiçoamento pedagógico em educação física e folclore para crianças, nascida em 26 de março de 1966 na cidade de São João de Meriti, RJ, onde foi criada e vive até hoje com seu marido e um casal de filhos. A poetisa começou a escrever aos dezesseis anos. Participou do grupo Meriti Fazendo Arte (Movimento Literário do Município), fez parte do Armazém Cultural da Baixada que promove eventos no mês de abril abrangendo todo tipo de arte. Publica também em sites de amigos crônicas e poemas. Participa de oficinas de literatura, organizou e planejou apresentações de biografias de autores brasileiros em vários espaços culturais, recita poemas e textos de cunho espiritualista em espetáculos onde se agregam dança, música e poesia em teatros e escolas.
 

 

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Ou escreva para o e-mail do autor: cacau_luik@hotmail.com

 
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