Poetas 3 x 4

Cacau Leal



O sal sem o mar


lunibrilho tremeluzindo sobr’água

no espelho das salinalágrimas

as luas de Cabo Frio

          o vento

              areia dunas

                    e as dunas de sal

teu beijo com gosto de morte-vida

inexplicavelmente insiste ferindo fundo

                  o coração voraz

          o forno

         o faro

o farol entre as coxas carnudas

atravessam-me os sonhos

girando sob estrelas inumeráveis

e os lagos girando no pensamento de sal

       e sol

        e sim

quanto tempo?

quanto tempo há entre o olhar que me lançaste um dia

e o que me lanças agora?

                        lunibrilho tremeluzindo

                         na superfície dos olhos

                  o sal sem o mar

                                      cristalizados sobre os poros do rosto

– O vento sopra, o vento fala. 

 



O sal da terra


O que é o sal no corpo das salinas?

O sal é a noite vestida de branco

Cheia de encantos

O sal é lágrima desta viagem em mim

Através de outros prantos

Poço da alma

Fundo de só se chegar despido e só...

 
O que é o sal na alma?

O sal é o fundo e a superfície de estar não estando

Cor e luz e corte e planos

O sal é chama invisível

Como a palavra

O sal não engana: mata e conserva

Sim, o sal é também ausência de objeto

Quando vem diluído nos temperos

De só se sentir

Mas não se ver


Mas o sal, nas salinas, é mais:

Obra de arte geométrica

Concebida pela ação dos homens

Obra viva, inacabada, faminta...

Porém, o sal fora das salinas é mais ainda:

Viaja refinado em pequenos sacos

Entra no sangue de todas as classes

Retém a água, aumenta a pressão e mata.


O sal tem um lado bom?

Lágrimas do coração!


O sal tem muitos lados:

O lado de fora e o lado de dentro

O lado que está atrás e o lado que vem à frente...

Eu passarei, tu passarás –

Nos tornaremos o sal da Terra.

 



Cláudio D. C. Leal, também conhecido como Cacau Leal , é jornalista, poeta, letrista,
dramaturgo e projetista. Seus livros de poesia mais recentes são:
“Além das
Muralhas” e “Cabo Frio: o vento fala”. 
Já participou de várias antologias e foi premiado em diversos concursos literários,
entre eles tirou 1º lugar no Prêmio Stanislaw Ponte Preta de Poesia, da RIOARTE, em 1994.
É filiado à SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), à AMAR
(Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes) e à APPERJ
(Associação dos Poetas Profissionais do Rio de Janeiro).
Em 2006 foi eleito para a Academia Cabo-friense de Letras.
Atualmente integra a diretoria do SEERJ
(Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro).


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E envie seu comentário para o e-mail do autor: cacaudcleal@gmail.com


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08/02/2008 - by Luiz Fernando Prôa