Benedito de Lima

 


(...) é tão bom sentir as pétalas do alvorecer               saindo dos lábios tão lindos... de morrer! (...)



                  Os Elementos


                                 Às vezes fico pensando:

                                 Quem sou eu na verdade se:

                                                             O ar

                       É um sopro divino

                       Que deu vida ao homem,

                       Que carrega mil sonhos,

                       Diluídos no vento.

                                  Às vezes fico pensando

                                  E não encontro explicação, se:

                        A água

                        É de Deus a doce lágrima,

                        É do céu a simples chuva,

                                  Que o mundo é o choro.

                                  A água não é mais do que H2O.

                                  Então serei louco?

                                  Então por que será que:

                                                             O fogo

                                                             É uma chama. Foi do inferno,

                       Mas clareia o paraíso;

                       Queima, anima e é mistério.

                       O fogo domina o mundo.

                                  E a terra é redonda. É uma bola, nela

                                  Nascem as flores e os homens, animais e tudo mais.

                                  A terra da lua é igual à terra da Terra?

 



                                                                             Clique: Luiz Fernando Prôa



Poema Milagroso Indecifrável

Um riso desenha languidamente

O segredo que se esconde em seu olhar

Sua voz, às vezes, demonstra a incerteza

Que procura fustigar–lhe o coração.

 

Seu rosto, quadro perfeito, assinala

Que você é uma pessoa especial.

 

Um riso – suave melodia que incendeia

Uma voz - alarme perfumoso inebriante

Um rosto - dilema bélico que encanta

Tudo compõe o enigma

Cujo decifrar é uma odisséia.

 

Por que tudo isso?

O que poderei fazer para mudar

Esta situação?

Sei lá! Meu tormento se transcreve

Nas asas do vento e esborracha

Nos corredores do tempo

Para acabar milagrosamente num poema.

 



                                                                             Clique: Luiz Fernando Prôa



Dia de Chuva

A música pluvialmente tamborila

No telhado velho com monotonia

E o sono toma conta assim da gente

Nada a nossos olhos já perfila

Cada pingo soa puro poesia!

 

O ar ganha perfume e o céu fica escuro

A chuva forte abate e derruba o vaga–lume

Que debate em desespero no barro puro

E o sol se esconde no horizonte de ciúme.

 



                                                                             Clique: Luiz Fernando Prôa



Sulcos de Esperança

No corpo da palavra

Gravei a minha louca vontade

De beijar os lábios da minha fada

Deusa musa idolatrada!

Forma inusitada de manter o meu segredo

Já que o galo do poema alçou vôo na amplidão

E a víscera palavra se oculta

Nos olhares lavratura amorosa proibida.

Não! Não permita, ser supremo

Que ela possa descobrir os meus anseios.

É tão bom sentir as pétalas do alvorecer

Saindo dos lábios tão lindos... De morrer!

É tão bom imaginar um toque divinal

Em seus cabelos

É um prêmio infinito a sua companhia

- Fruto sazonal da alegria –

Lavrando sulcos de esperança e poesia.

 



                                                                             Clique: Luiz Fernando Prôa



Poemas para a Musa Secreta

Os ossos do verbo

Fustigam o meu pensamento

Obrigando-me a sair

Do porão da solidão

E a caminhada

- Via crucis dolorosa -

Num descortino visual

Me atirou na realidade.

 

Acordo-me de súbito

Vendo a sua imagem linda

Enquanto a sua imagem linda

Enquanto as palavras provisórias

Do horizonte

Se agrupam em novas histórias

Me argo-coração então

Lançando âncoras aporta no olhar

Felino e doce.

Pronto! De novo guerreando

Intimamente

Não sei o que fazer

Pra te esquecer.

O jeito é sonhar pelo impossível.

 



                                                                             Clique: Luiz Fernando Prôa



O que Vale é a Mensagem

Talvez por meu descuido literário

Não segui o itinerário

E o resultado se estampou

No quadro-negro da saudade

E as cebolas da morte

Se esparramaram na sarjeta.

 

Também quem mandou rimar

Amor com dor!

 

E o búfalo da vida vai campeando

Pela várzea da ignorância

E o pobre poeta esboça uma risada apodrecida.

Fora de sua mente o mundo é outro.

 

Também quem mandou rimar

Doce com foice!

 

Talvez por meu descuido literário

Até perdi o calendário

Mas isso não importa

O que vale é a mensagem

E não o meio!

 



                                                         Clique: Luiz Fernando Prôa


 
Fastio

Na

Atômica

Lacuna

Do meu pensamento

Transcrevo

A frase curta

Do meu viver

Enquanto

A orquestra orgástica

Estrebucha

Sons pelo corpo do mundo infame.

 

No

Abismo

Da lâmina

Do tempo,

Busco,

Rebusco

As águias do beijo

Cálido

Cuja marca ficou gravada

No pulso do destino

A guisa de tatuagem.

 



                                                                             Clique: Luiz Fernando Prôa


 
Poeta In (finito)

Não me escondo

Atrás de verso

Vou à frente

Em combate

De

Palavras

Armando luta.

 

Não me escondo

Atrás de rima

Vou bem rente

Perfilando

Lado a lado

Do seu verbo

Atingindo estilhaços

Na inércia da miséria.

 

Meu combate

Rifle espouca

O projétil

Prova o fogo

E no raio do disparo traço o rumo da minha vida.

 

Quero a paz

Branca voando

Tendo ao fundo azul do céu.

 



                                                                             Clique: Luiz Fernando Prôa



Fruto Cálido da Esperança

A beleza do amor

Está na incerteza;

A dureza desta dor

Está na pureza;

O fruto cálido da esperança

Amadurece no gesto lânguido

De saber que a felicidade

Existe em algum lugar.

 

Por isso os versos surgem

No compasso de espera

Tamborilando a melancolia.

 

Por causa disso a melodia

Trescala nos meandros sutis

Daquele sorriso inefável.

 

Por isso e mais aquilo...

A essência da saudade

Emudece todo estilo.

 



                                                                             Clique: Luiz Fernando Prôa



Porto-Fólio

O ruflar das asas

Do pássaro involuntário

Insinua-se com sofreguidão

No meio da frase

Abrindo um parênteses

Para que o Poeta descreva

Com enlevo o drama

Que ocupa o andar térreo

Da realidade!

 

O vôo célebre

Risca o azul da amplidão

Descortinada e o olho estático

Do arranha-céu espia o vácuo.

E das janelas opacas silhuetas

Pintam desenhando sombras

E se esgueiram no luar.

E o Poeta continua solfejando

A melodia do prazer e do Amor!

 



                                                                             Clique: Luiz Fernando Prôa



Por que te Adoro, Corumbá!

Contemplando entre as palmeiras da Avenida

Os pássaros de pólvora em volteios

Sinto a magia pantaneira efervescer no caso

Enquanto o caramujo escorrega na folhagem.

Gosto dessa hora porque o povo se movimenta

Na Pracinha

As crianças brincam de cabra-cega

Cola-pau ou pegador

Enquanto os maiores vão de skates

Ou bicicletas

E o pipoqueiro estoura seu milho ouro em branca nuvem.

 

Gosto de ficar contemplando o Pantanal

As garças alvas alvos flash abracadabra

Jacarés disfarces troncos

Águas-pés vitórias régias,

Lá no fundo o pescador

Pesca a dor sobrevivente numa sub-vida-aquática.

 

E assim no lusco-fusco no entremeio das palmeiras

Diviso no vapor da fuga a magia corumbaense

Por isso que eu te adoro, Corumbá!

 





Benedito de Lima

 Benedito Carlos Gonçalves de Lima nasceu em São Paulo, aos 11/06/1949,
mas radicou-se em Corumbá, cidade com que se identifica Poeta, Jornalista,
Historiador, Trovador, Ativista cultural, Professor e Contista.
Formado em História e Pedagogia (UFMS – CEUC). Autor já premiado
em festivais de música, concursos literários, feiras de ciências.
Tem trabalho publicado na Revista Escola.

Fundador de entidades culturais, entre elas: Academia Corumbaense de Letras,
Núcleo Cultural de Ladário e SEAPAN.

Participação em 40 antologias, organizador de “A Nossa Mensagem”, “Impacto Jovem”,
Três Vozes a Mais”, “Amantes da Esperança” e “ Ainda Nascem Flores I e II”.

Fundador do Movimento Negro em Corumbá, escolhido Cônsul dos Poetas Del Mundo
em 2006. Autor de “Pantanal City – Historinhas da Vovó”.
 


Se você gostou indique o endereço: www.almadepoeta.com/benedito_de_lima.htm
E envie seu comentário para o e-mail da autora:
beneditocglima@yahoo.com.br
Contato:
Caixa Postal 112 – Corumbá – MS – 79300-970


Tenha sua Página Pessoal no Alma de Poeta


Clique na imagem acima.


home    galeria de arte    poetas em destaque    poetas 3x4    poetas imortais    colunistas    cinema    concursos

páginas pessoais     agenda poética     poetas no You Tube      fala poesia     oficina virtual      histórico

Clique e entre



Seu site de poesia, arte e algo mais...

www.almadepoeta.com

Alma de Poeta
©Copyright 2000 - 2009
  by Luiz Fernando Prôa
02/05/2009