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Poetas 3 x 4 |
Belém de Andrade
| Galiza |

Escrever,
escrever-te a ti
escrever-lhe aos alentos que nos ficarem em cada cidade,
escrever quando posso e quando não estamos
escrever-te em quanto perco o tempo
apostando por estâncias em palácios de reinos
já conquistados.
Buscando a formula magistral para
não deixar de escrever-te,
porque isso seria
uma tragédia
deixar de escrever-te seria
uma tragédia.
Topei passos escondidos esperando ser andados
Não me importa levar os cordões dos sapatos
sem atar,
nem carregar a minha mochila
de coisas incisarias,
um io-io, uma garrafa valeira
três canetas e duas maças,
ainda que as maças,
não deixam de ser necessárias.
Escrever,
escrever-te a ti
contar-te, como se a primeira vez
o muito que gosto da neve,
ou caminhar despida pela casa,
e quando posso
subir as cerdeiras para comer cerejas;
andar pelos caminhos por onde não passa ninguém,
estar na cima do teu colo
em quanto o coração te bate a ritmo de cantiga de berço
exercendo um efeito sedativo
sobre mim
e a minha mão direita;
baixar as escadas sempre a correr,
passar para dentro e para fora
sem parar muito,
estar calada, durante muito tempo estar calada
e quando menos o esperes
falar em idiomas diferentes
criados para dizer frases curtas, e logo
ser esquecidos.
Sempre poderia escrever-te um conto,
um desses com final feliz,
ou uma novela, de intriga
uma novela de amor,
quem diz um conto ou uma novela
diz um poema,
por que não?
a lírica, o que tem
e que sempre emociona.
Eu, no fundo
prefiro apertar a minha cara contra a tua
e deixar que um a um
os silêncios
falem por mim.
Lavava as mãos de jeito compulsivo e
não aturava o cheiro a cebola.
Mais vale que comas a cebola,
é muito boa para o corpo!
As lembranças do verão não sempre são agradáveis.
O cheiro a erva seca;
O canto dos grilos anunciando que à noite
levanta a sua saia e de um jeito lascivo
começa a apertar o dia entre as suas pernas,
longas e maternais.
As expedições de chupa-sangues
baixo o calor inapreciável dos faróis que
alumiam os caminhos,
a monótona predição do tempo
e os trabalhos, presuntivamente temperás
na espera da bem merecida
posição horizontal
em definitiva,
descanso do guerreiro.
Mas o caladinho não sempre passa sem dizer nada, e
em ocasiões, enche de vermes as leiras das patacas
votando a perder as colheitas.
O vestido dos domingos, hei-de pôr o vestido dos domingos
para festejar a entrada do outono
hei de pôr o vestido dos domingos.
Eu som
Nasci o 21 de setembro de 1975, no preciso momento no que o Virgo cede soberania o Libra, ainda hoje não sei qual dos dous me define, mas eu gosto de pensar que na mistura esta o “donaire”, a graça. Não sei porque comecei a escrever poesia, mas, tampouco me importa, agora mesmo, amo a poesia, e são muito feliz escrevendo. A segunda cousa que mais gosto e comer com as mãos. Dizem-me Belém
Belém de Andrade
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