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Poetas 3 x 4 |
Ana Paula Pedro

Santa
Afundar sobre a quente névoa de tuas ruas
Soprar como vento em constante persistência das horas
Lambuzar-me em tuas densas águas agridoces
Escalar as falésias de tua incoerente geografia
Renascer como oásis de teus secretos redutos
Esquecer de vez o deserto que há em mim
Cobrir a memória com o tênue lençol de algodão
Mãos
Queria dar-te minhas mãos...
são vazias.
As linhas que marcam
não sei de onde vem.
As unhas que as protegem, roí.
Posso dar-te meu coração
antes guardado
tirando o bolor está quase intacto.
Posso dar-te meu ventre
vazio e virgem de teus toques.
Minha boca já tens
silenciando teu gozo.
Só não me peças as mãos
ao partir.
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