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Mãos
Queria dar-te minhas mãos...
são vazias.
As linhas que marcam
não sei de onde vem.
As unhas que as protegem, roí.
Posso dar-te meu coração
antes guardado
tirando o bolor está quase intacto.
Posso dar-te meu ventre
vazio e virgem de teus toques.
Minha boca já tens
silenciando teu gozo.
Só não me peças as mãos
ao partir.
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Pêlos curvos e aveludados
como beijo de borboleta
como as curvas de nossos corpos
como pêlos que se tocam
Fecham-se.
Viva, projeto minha língua e sinto
Sinto muito!
o calor de tua boca
o toque de teus lábios
a força de teus dentes
pálidos como as pontas de tuas unhas
que rasgam minhas costas
tornando vermelho sangue,
a palidez da minha existência.
Abro meus braços
mordo meus lábios
cedo meu gozo
tremo meus olhos
treme meu ventre em busca de mais.
Ofereço-lhe
o leite ao sugar meus seios.
Ah! Teu cheiro
essência de divino sabor
A água dos sedentos
Salivo
encontro de águas
Lágrima que lava meus pêlos
Abre meus olhos
Te reconheço.
Me reconheço,
Tua .
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Primeira Chuva no deserto
Fecho os olhos e imagino a primeira chuva no deserto.
Vejo-te
sentado no estreito balcão, mudo,
olhos vidrados no trajeto de cada gota.
Fico
ao teu lado observando esta imprevista chuva
e após alguns instantes
atiro-me nos úmidos braços celestiais;
deixo a chuva lavar minha alma e
meu corpo,
entrego-me às surpresas do deserto,
refaço-me inteira.
Quando volto
meu olhar para ti,
vejo que, assim como o deserto,
tu também estás a
chover.
Lágrimas que parecem não ter fim.
Não me apiedo de ti,
o tempo por
vezes parece demasiadamente curto,
a eternidade se encerra em um segundo,
a vida
por vezes é urgente.
Precipito meus braços em tua direção.
Observo teu lento
caminhar
e quando finalmente estás diante de mim,
dançamos ao som dos
estalos
do encontro da água com a areia...
esfoliando nossas almas das dores da
vida,
vimos um novo dia raiar,
dançando juntos
a música que nos habita.
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Um sítio para minha pequena
Um sítio florido
que seja perto
céu claro
sonhos são copa de árvore
raízes fincadas
sólidas
tardes da velhice
chá de pêssego
rede na varanda
cercado branco
viola caipira, flauta e violão
amanhece
cheiro de café
manteiga derretida no pão
geléias, amoras, damasco
cachorros, pássaros, gatos
tartaruga e peixes cintilantes
de repente até uma vaca
bezerro
ninguém gosta de ser só
xale sobre os ombros
lareira
memória
rugas, dragão, flores e furos
corpos que ainda se amam
dois pássaros azuis se aproximam
quartos alguns
é preciso ter família sempre perto
bons amigos já conhecem Sebastiana
sabem abrir a porteira
fumo na palha do milho
orquídeas do Itamar
é preciso ter fartura sobre a mesa
reivindico um pomar
vinho do porto se queres ser Hilda
papel e tinta
com que escrevo o amanhã.
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Santa
Afundar sobre a quente névoa de tuas ruas
Soprar como vento em constante persistência das horas
Lambuzar-me em tuas densas águas agridoces
Escalar as falésias de tua incoerente geografia
Renascer como oásis de teus secretos redutos
Esquecer de vez o deserto que há em mim
Cobrir a memória com o tênue lençol de algodão
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Antropóloga
explorar teus subterrâneos
desvendar teus mistérios
navegar por teus trilhos
ultrapassar teus portais
percorrer tuas curvas
conhecer tuas lendas
penetrar tuas fendas
avistar teus perigos
amar tua geografia
perder-me em ti
nesta hora
todo dia
agora
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Ana Paula
Pedro, 28 anos, paulista.
É atriz, psicóloga e poeta.
Formada
pela USP, leciona expressão corporal e interpretação.
Têm em seu currículo
espetáculos teatrais
como "Alice através do espelho" Armazém Cia de
Teatro,
curtas metragens e alguns trabalhos em televisão.
Participa da Ponte de
Versos desde seu primeiro dia e
em diversos eventos poéticos tais como
Segundas
com Arte, Sábado de Poesia,
Quarta Capa e Terça ConVerso no Café.
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Viste também:
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anitchapedro@uol.com.br
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