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Poetas 3 x 4 |
Adriana Monteiro de Barros

CONTRÁRIOS
Que outros amores me levem...
Não sou mais eu que me basto,
não sou eu tão encantada.
Sou um vôo perdido de desejos,
transgredindo a cada tropeço.
Invento histórias que me silenciam,
aplacam dores
mas não me libertam...
Ao contrário,
me arremessam contra o perigo
e o êxtase de ser eu mesma.
Nada mais temo, nada mais tento, nada mais tenho a perder.
Eu que não acreditava na violência das paixões,
apostei meus trunfos, blefei com o destino e perdi.
Agora, ofereço minha loucura a esse mundo,
que silenciou meu corpo
e emudeceu minhas palavras...
(que ele cuide de mim)
TUBO DE ENSAIO
Às vezes me sinto uma estrangeira
como se minha arma não fosse a palavra.
É que trago em mim uma poção mais letal
que qualquer tapa na cara.
Meu sangue é vermelho
de um vermelho perverso e maldito
e meu surto é um susto
acostumada que estou aos sobressaltos do corpo.
Mas não há dor nem arrependimentos
apenas dias em que me observo
como lâmina a cortar o espelho
onde já me admirei
e hoje não me reconheço.
Estou com prazo de validade vencido
como vencida está a minha tolerância
aos preconceitos e à ignorância humanas.
Mas quando me defronto com estas tiranias
sem o peso da vaidade
consigo ultrapassar os limites da carne
e viver além do fim.
MEU PÉ DIREITO
As vozes que escuto são frias
e geladas como o sangue que desliza
pelos poros e peles agora.
Há dias voltei pro útero da minha mãe
Assustada, esperei a dor passar
mas ela não passa,
internamente me dilacera.
Vivo me quebrando...
Quebro a perna, quebro o pé, quebro a cara também.
A perna me imobiliza, o pé me paralisa, mas eu enfaixo
A cara não...
A cara não se enfaixa, se expõe a cicatriz
e acumula novas.
E vão ficando terrivelmente distantes de tão perto
as coisas que ainda planejo fazer
entre devaneios de whisky e algum prazer.
Então engessada, enfaixada, quebrada
resolvo começar meu livro
Capítulo Um, título,
"Onde será que perdi
a engrenagem da vida?"
Adriana Monteiro de Barros é
carioca, atriz e jornalista.
Autora ainda inédita, optou por falar do "caos” sem rodeios.
Em 2005, ganhou o Primeiro lugar, no IV Festival Carioca de Poesia,
organizado pelo grupo Poesia Simplesmente, com o seu “Tubo de Ensaio“ e
Moção Honrosa, da Câmera dos Vereadores, do Rio de Janeiro,
por participar da Semeadura Ética no Campo Poético, do Evento Palavra de
Honra.
Os eventos Ponte de Versos, Letras Poéticas, Poema Show, Republica dos
Poetas,
Poesia Voa, entre outros, aplaudem sua sensível e contundente poética.
Se você gostou indique o
endereço:
www.almadepoeta.com/poetas3x4.htm
Ou envie seu comentário para a autora:
adrianamdebarros@uol.com.br
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