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Poetas 3 x 4 |
Adília
Florianópolis - RS

O Barro
O barro
O barro vermelho
Recobre os pés e o cabelo
Embota as idéias, que viram pedras
O barro emoldurando as ruas
Barro nas minhas mãos e nas tuas
O barro no vento
Nevoeiro vermelho
No ar confuso tua imagem difusa
Quilômetros de estradas de barro
O carro fica vermelho
Até chegar a ti, tão longe
Sobra a estátua, barro que imita o bronze
Mas se desfaz na chuva
Vira rio de lama
Que fica lá parado, secando
Até virar deserto
Mais um dia de espera
Meus poros duros de barro sufocam
O suor tem que atravessar paredes
Lágrimas, nem pensar
O vento começa a soprar
Vai me cobrir de barro
Até eu sumir
Vou virar parte do chão
Vou ser um fóssil
Memória da solidão
Adília .....
Nascida a
27 de agosto de 1965, iniciou-se na poesia aos onze anos, levada pela timidez;
na adolescência enveredou pela música, como interprete, tendo participado do
Coral da
Escola Técnica e grupos de MPB. Bióloga de profissão, chegou a Boa Vista em
1996,
onde retomou o caminho da poesia inspirada na cultura e a realidade locais. Em
Boa Vista
a musica e a poesia andaram paralelamente, com participações em festivais,
Mostras de Música,
como o Canta Roraima SESC/ Prefeitura de Boa Vista; Mostra Cultural Macuxi,
realizada
pelo SESC com música e sarau de poesia; bem como participações na programação
da Rádio Monte Roraima com leitura de seus poemas. Reside agora em
Florianópolis.
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