Rosácea
seria verdade
o fogo invisível que se derramava
por sobre ela, vida
floreada de poesia
naquela vontade louca de espocar?
era tudo verdade e farsa
e até um pouco aumentada
para o desespero
de quem acreditasse.
e havia quem acreditasse, na vigília infinda.
só que, se de um lado
era intensidade para tudo
cores, texturas, levezas para o olho
no outro, havia só um desejo de mão dada
e um cuidado especial de planta rara
que sofre à menor intempérie.
fossem delicadas o suficiente
suas mãos de jardineiro
talvez ela, fecunda
resplandecesse em pétalas
acostumasse demais da conta
com suas medidas de sombra e luz
e pedisse sua voz a regar,
um refresco na secura
que se via em tudo à volta.
ele a beijaria, artífice
frágil como beija-flor
e a encontraria
impetuoso feito cheiro de chuva
banhada no seu ápice
e misturados no chão, líquidos
renasceriam unos
enquanto ela, aberta, liberta da sina
rosácea de estupor
exalaria aliviada a paz.

