AMOrgasmix-textual
(Doida pra te
pegar de jeito:)
deixar sua antítese no travesseiro,
rolar pelo sofá de onomatopernas,
adverbiar todo o seu tempo,
palavreando cada vírgula e etcétera:
as reticências dos gemidos surdos.
Quero seu sujeito no meu pronome,
lambendo entre as minhas aspas
até eu gozar agudos e crases pra todos os lados.
Conjugar nossos paradigmas sem nome
até que você trema.
Mas o que vale é imperar o indicativo no subjuntivo,
esquecer que há pronomes possessivos,
e virar, um adjunto do outro,
sem lugar, tempo ou objeto.
Quero verbos transAtivos,
que circunflexem sobre sua frase
para, entrexclamações,
infinitoparoxitonar elipses-orgásmicas.
Toda
a Sacanagem dos Delicados
(a Paulo
Miziara)
Eu
quero um poema VERMELHO-PAIXÃO
pra lembrar desse dia.
Como eu pudesse arrancar teu coração
e mastigar, nos dedos, a poesia.
Pra lembrar que tua boca é igual à minha.
Pra medir tua mão com minha mão,
feito eu pudesse unir nossa anatomia
e reinventar o tesão.
Eu quero cantar a sacanagem
que os nossos corpos aprenderam na tua cama.
E, ao mesmo tempo, falar das coisas inimagináveis
que só acontecem quando a gente ama.
Serei o poeta dos delicados e dos pervertidos!
Amando-te até o amor cometer suicídio,
de tão intenso e insuportável tê-lo contido,
feito tivesse te querido desde o princípio.
Ajoelhar-me frente a qualquer deus, agradecendo
as reviravoltas e os desentendimentos.
(Porque, às vezes, alguém te ama em segredo
e você nem reconhece este sentimento.)
Por isso, eu te canto a alma e o ardor,
maior até do que muita gente acha:
sincero, precioso, precisamente 'amor'.
Porque, em todas as horas, a gente encaixa!
Todas As Luas
Lua-Cheia:
Meio
lua
Meio estrela
Lua-Nova:
Meio
nua
Meio prosa
Lua-Minguante:
O
sorriso flutua
o olhar fulminante
Lua-Crescente:
A
lua adolesce
no céu permanente
Todas as luas são belas
Todas são nuas e suas
Todas são puras e novas
Mesmo que sejam velhas
Isabela Figueiredo é
carioca e poeta.
Escreve desde criança e agora,
aos 21 anos, publicou poemas
na antologia MAIS, Gang
Edições/2006,
realização do poeta Cairo de
Assis Trindade,
e participa da oficina literária
que ele dirige.
Onde, além de poesia, pratica
conto e ficção.
Está preparando seu primeiro
livro-solo.


