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Poetas 3 x 4 |
Cristina Vaz
Belém - PA

Meu Defeito
Cris sofre.
Cris ama.
Cris chora.
Cris empurra a porta
que abre e fecha e
continua morta.
Cris manca,
se dana
com o feio
(o seu defeito) e
continua torta.
Cris olha e não vê
o bonito
ou do que é feito
seu vício.
Cris anda em falso
sentindo dor
a dor do seu embaraço,
aquele traço
que não pode fazer.
Cris persiste no salto
daquele amor
que não pode conter.
Cris não corre e não pode perder
o bonde da sorte que não a quis escolher.
Cris suporta as mágoas da dor de saber
que não pode o que se pode
normalmente ter.
Cris aleija seu íntimo
capenga de flores
apóia-se nas muletas
de todas as suas dores.
Cris arranca do peito
este defeito
da perna mais fina
triste sina
de não compreender
como separar o ser do ser.
Cris cansa
na vã esperança
de aceitar
aceita a rejeição de se amar.
E no seu medo
anda de lado
com o pé apoiado
em frágeis dedos.
Venho por uma linha
sinuosa
com uma perna torta
a manquejar.
Venho por um caminho difícil
batendo em pedras
a tropeçar.
Sigo um curupira amuado
que vagueia na mata
a me fustigar.
Fiz uma parada obrigatória.
Deu muitas meias-voltas
a versejar.
Sortilégio dos deuses.
Reinações do destino.
A linha tem mil curvas,
a pedra é muito dura
e o curupira quer se embrenhar.
Cristina Vaz
nasceu em Belem do Pará, em plena Floresta Amazônica.
É poeta e professora de matemática da Universidade Federal do Pará-UFPA.
Ganhou concurso de poesia promovido pela Academia de Letras
de Varginha-MG e também publicou alguns poemas em antologia.
Esta poeta, como ela mesma diz,
busca na poesia respostas e na matemática perguntas.
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Ou deixe seu comentário no e-mail
do autor:
cvaz@ufpa.br
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