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Textos sobre hipocrisias do dia-a-dia!
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A
MEDICINA, COMO FÁBRICA E MERCADO DE ANGÚSTIA
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No país onde se
prende uma mulher por roubar um pote de margarina, deputados colocam no
bolso 15 mil reais, usando notas fiscais falsas, e vão sofrer apenas
penas alternativas.
O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), disse que encaminhará amanhã para a Corregedoria da Casa a denúncia publicada pela Folha de que empresas com endereços inexistentes são beneficiárias da verba indenizatória de R$ 15 mil recebida mensalmente pelos 513 deputados. O presidente disse que se as irregularidades forem confirmadas após investigação da Corregedoria, haverá punições aos parlamentares envolvidos nas fraudes. No entanto, ele reconheceu que as penas podem ser mais "brandas" que a cassação do mandato. Temer defendeu penas "alternativas" para os deputados envolvidos em irregularidades, como no caso das notas fiscais. Como o Conselho de Ética da Câmara já absolveu o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) por suposto uso irregular da verba indenizatória, Temer disse acreditar que penas alternativas possam ser aplicadas pelo conselho para punir os deputados, ao invés da cassação do mandato. "Há um projeto de modificação do regimento do Conselho de Ética que permite até a gradação de penas. Eu tenho patrocinado esta fórmula porque às vezes não é caso de cassação imediata, mas de punição de menor natureza. Estamos trabalhando nessa tese também", afirmou. O presidente da Câmara descartou a extinção da verba indenizatória, mesmo após as denúncias de irregularidades na sua utilização. "Toda vez que você vai falar em extinção da verba indenizatória fala-se em aumento de salário. Aí a crítica passa a ser outra, passa a ser precisamente em função do aumento salarial. Eu não quero nem falar sobre isso, porque se falo, a notícia é que o presidente Temer propõe aumento de salário. É tema difícil e delicado. Por enquanto, acho que temos que deixar como está", afirmou. Segundo Temer, a Corregedoria da Câmara vai investigar os temas listados pela reportagem da Folha como irregularidades no uso da verba. "Levantaremos aqueles que sejam eventualmente irregulares, que não sejam meros indícios. Prefiro não fazer juízo de valor. Prefiro que se faça a apuração, e a apuração vai determinar o valor que se dará a essas informações", disse. Denúncia A verba indenizatória é um adicional mensal pago aos parlamentares para despesas relacionadas a sua atividade. O dinheiro pode ser usado para reembolso de despesas ligadas ao mandato, como alimentação, hospedagem, aluguel de veículos, aviões e escritórios, entre outros. A Folha teve acesso por via judicial a 70 mil notas fiscais referentes aos quatro últimos meses de 2008, que justificaram reembolsos de supostos gastos de deputados federais. A reportagem, no entanto, encontrou empresas que não existem no endereço declarado à Receita ou são totalmente desconhecidas do mercado, funcionando de forma invisível ao consumidor comum. Em 2001, o Congresso criou a verba indenizatória, adicional mensal no valor de R$ 15 mil para despesas de trabalho. O salário de um deputado é de R$ 16,5 mil.
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NÓS, OS QUE MATAMOS TIM LOPES (*) Affonso Romano de Sant’Anna
Você que, numa festa, vai ao banheiro cheirar uma carreirinha de pó, você matou Tim Lopes. Você que dá festas elegantes servindo êxtase em bandejas para seus sorridentes convidados, você matou Tim Lopes. Você que se encontra com sua turma no bar, fica ali pela calçada com um copinho na mão, mas dá suas cafungadas, porque isto faz parte da”nite”, você matou Tim Lopes. Você, ator de teatro e televisão, que manda ver nas drogas, você matou Tim Lopes. Você artista e intelectual que curte seu pozinho e faz elogio de um equivocado conceito de marginalidade estética, você matou Tim Lopes. Você jornalista, que curte sua droguinha de vez em quando, você matou Tim Lopes. Você músico, que para embalar seus shows entra no barato, você matou Tim Lopes. Você policial, que pactua com o crime, que faz vista grossa e que recebe propinas do tráfico, você matou Tim Lopes. Você advogado, que defende traficantes, que faz de tudo para tirá-los de trás das grades, você matou Tim Lopes. Você juiz relapso, que neglicencia processos de traficantes, você matou Tim Lopes. Você político demagogo e clientelista, que só se aproxima da favela para tirar votos, você matou Tim Lopes. Vocês que fizeram essa política recessiva, que abre empregos no tráfico, vocês mataram Tim Lopes. Enfim, matamos Tim Lopes todos nós que de maneira direta e indireta pactuamos com o crime. Porque chegamos a um tempo em que a participação indireta tornou-se tão infamante quanto a prática direta do próprio crime. E não se trata de um exercício do famoso complexo de culpa judaico-cristão. Trata-se, isto sim, de fazer uma auto-crítica pessoal e do sistema que engendramos. O fato é este. Estamos numa guerra. O governo por inépcia custou a reconhecer isto. Esta guerra já tem mais de 30 anos. Era como se os nazistas tivessem já invadido a França e o governo francês tivesse levado 30 anos para perceber. Há 22 anos, por exemplo, escrevi sobre esta crise. E há muito, correndo o risco de ser mal interpretado, dizia que as Forças Armadas tinham que entrar nesta guerra, antes que virássemos Colômbia. Numa guerra não há meio termo. Quem fornece munição ao inimigo está ajudando o outro lado a vencer. Quem dá o seu “tapinha” eventual está não só fortalecendo o traficante como ajudando a que tombem outras vítimas - os drogados. Do mesmo modo que há que traçar novas estratégias bélicas associadas a maciças ações sociais, temos também que rever nossas posturas éticas e até estéticas. Dou-lhes um exemplo. No dia em que Tim Lopes foi assassinado, estava eu no MAM vendo uma exposição de arte contemporânea, que incluía trabalhos de Hélio Oiticica, artista da vanguarda e da marginalidade artística nos anos 60 e 70. Na parede, entre suas obras, uma bandeira amarela com a reprodução da foto do bandido Cara de Cavalo morto e, em cima, uma frase do artista: “Seja marginal, seja herói”. Houve, portanto, um tempo, tempo recente, quando esta guerra estava começando em que, em nossa cultura, era um charme louvar o marginal. O artista se julgava um marginal, um guerrilheiro e procurava neles pactos ideológicos, éticos e estéticos. Surgiu toda uma cultura “underground”, que se opondo, às vezes heroicamente, ao sistema, fez uma perigosa aliança com o submundo das drogas. Por contaminação, chegou-se até a criar um tipo de literatura que se gabava de ser “literatura marginal”. Claro, havia a ditadura para justificar certas posturas. Mas a contaminação estava feita. E nos dois sentidos. Mesmo os guerrilheiros presos na Ilha Grande, nos anos 70, reconheceriam que passaram conhecimentos e táticas de guerrilha para os presos comuns. Havia ainda a visão romântica de que se poderia cooptar o marginal para a revolução. Na verdade, estava ocorrendo o contrário. Os marginais estavam nos cooptando e expandindo seu mercado, corroendo pelas drogas o sistema. Hoje, reconhece-se, são um “estado paralelo”. Elias Maluco e os comparsas que organizam bailes funks onde as letras das músicas recomendam torturar e queimar opositores, esses, para nosso constrangimento, adotando a técnica da “apropriação” tão cara à pós-modernidade, jubilosamente acenam sua bandeira no topo da miséria: “Seja marginal, seja herói”.
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Lá se vão os heróis da resistência, humana às vezes até desumana, lutando para salvar mais uma vida, isso já ta virando rotina, eles nem sentem mais o frio correr na espinha por verem um ser humano com um tiro de fuzil na cabeça, não passa de dever de casa tentar salvar mais uma vida. CARAMBA! É UMA VIDA! A culpa de tanta frieza não é destes heróis e sim da sociedade que tem digerido a violência como se fosse uma feijoada no sábado às 14 horas em plenos 40°C, sente-se um peso, um mau estar, mas logo toma um digestivo que passa, e ainda pensa: NOSSA! Mas, ainda bem que não foi com agente! Isto até ter uma bala perdida perfurando a sua janela enquanto dorme, fazendo vítima um dos membros da família, porque depois desta sena a feijoada no calor deixa de ser apenas um indigesto e passa a ser um fardo com uma ferida difícil de cicatrizar. Caramba! Não vamos ficar de braços cruzados aguardando que nós ou alguém da nossa casa seja o infeliz sorteado! BASTA! Temos o direito de exigir que o nosso Governo Federal faça algo! Afinal os belos salários, diga lá com direito a mensalões, que saem dos nossos bolsos através de tanto suor, devem ser honrados de alguma maneira. CHEGA! Sirenes, luzes, câmeras, ação! Só vemos isso na mídia, antes era só em filme, hoje é a nossa realidade. Com o grupo Poetas Del Mundo e lendo uma carta do Luiz Fernando Prôa vejo que não estou só em um ideal de PAZ, que não são apenas pensamentos de uma mera idealizadora e sim, que tem muita gente se incomodando e agindo, mesmo que só. Mentalizo sempre para que todos acordem e parem de olhar apenas para o seu umbigo, somos uma sociedade, temos que cuidar uns dos outros, acreditar que isso irá acabar e que a injustiça, violência, hipocrisia, serão páginas de um passado marcado por muito sangue e dor de inocentes, mas que nos servirão para escrevermos o nosso futuro de paz. Deixo aqui meu protesto pela PAZ e a gratidão aos nossos heróis que largam suas famílias em casa para irem socorrer as vidas de membros de outras famílias, 24 horas por dia. Aos companheiros desta causa, o meu forte abraço e esperança de podermos escrever um futuro diferente juntos!
Kérlia Nether Nassau Minas Gerais – Brasil
(10 / 11 / 2009)
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