
Affonso Romano de Sant'anna
VIDA ARTÍSTICA
Queriam escalar a montanha
como quem fugisse de um afogamento.
Mas ao invés de oferecerem os ombros
para que os pés dos outros se elevassem
puxavam para baixo tentando impedir
que os demais galgassem.
Assim a escalada para cima
era para baixo uma escalada
e os que chegavam ao topo
ao invés de se extasiarem com as alturas
e a beleza dos lugares
rejubilavam-se, por algum tempo
de não
terem sido ainda destruídos por seus pares.
PASÁRGADA
Foi preciso que um poeta brasileiro
te sonhasse
e que outro
aqui viesse
para que em ti -Pasárgada
os extremos se encontrassem.
Não careço dizer
o quanto me custou
o transe
o passe
antes que aqui
o mágico tapete
da poesia
me aportasse.
Pasárgada enfim
entreabriu-se
aos meus passos.
Poeta
aqui estou no Paraíso
que
despudoradamente
cantaste.
Mas onde supunha
um jardim de delícias
me esperasse
abriu-se uma lição de ruínas
como se Pasárgada fosse
o paraíso que pelo avesso
se ostentasse.
Primeiro visito
a tumba de Ciro
que a criou
para que das pelejas
descansasse.
-Aqui jaz “o rei dos reis”
cujo império da Babilônia à Etiópia
do Afeganistão à Capadócia
ia aonde seus arqueiros e cavalos
chegassem.
“Não lamente oh! mortal
aquele que aqui jaz
pois ele fez tudo o que fez
e reinou na guerra e paz”.
Adiante
entre ruínas
está Pasárgada.
Onde o ruído dos escudos
o atropelo das patas dos corcéis em guerra
o alarido das lanças
os sons dos instrumentos em festa
ecoando nos canais
jorrando nos jardins?
Caminho entre derribadas pedras
me atrevo entrar no Portal da Casa
na Sala de Audiências
no Palácio Residencial
e piso os quatro degraus restantes
do Altar do Fogo
com quatro homens alados em relevo.
Foi preciso
que nas mesmas planícies
em que Ciro ergueu o seu império
Alexandre irrompesse
e a tudo devastasse
foi preciso
que o vencedor
se visse diminuto
e ante a tumba do vencido
se persignasse
e pedisse a um sábio
que o que estava ali inscrito
traduzisse
e lhe explicasse
foi preciso
que a ruína e a glória
na mesma pedra aflorassem
e o amor ensinasse à morte
lições
que só na morte renascem
foi preciso
que um poeta brasileiro
te carecesse
e outro
de sobejo
te buscasse
que ao Oriente pelo Ocidente
a poesia chegasse
foi preciso
que o menino
no velho despertasse
e que de sucesso
em sucesso
o jovem fracassasse
foi preciso
provar que em Pasárgada
não se chega como conquistador
mas como quem reinando
obedecesse
e partindo
ficasse
e olhando as ruínas
nelas algo edificasse
como se a vitória
pelo avesso celebrasse.
Pasárgada
-o não-lugar
onde a poesia
(ausência plena)
reinasse.

O PAI
Procuro em meus papéis,
nos baús familiares,
um perdido testamento.
Encontro cartas, provérbios em Esperanto,
Pensamentos de Raumsol e a caligrafia de meu pai.
Homem de fé, rezava nos cemitérios.
expulsou demônios em Uberlândia
e alta madrugada enfrentou o diabo
cara a cara em Carangola.
Nenhum dos filhos a tempo o entendeu.
Mas ele, esperantista,
esperava as cartas da Holanda,
e as vacas gordas de José
e o fim da Torre de Babel.
Meu pai, cidadão do mundo,
pobre professor de Esperanto
à beira do Paraibuna.
Lia, lia, lia. Havia sempre
um livro em sua mão.
E chegavam missivas
e selos fraternais
-mia caro samideano-
Polônia, China
Bélgica e Japão.
Maçon, grau 33,
letra caprichosa,
bordava atas da confraria,
Falava-nos de bodes e caveiras,
liturgias impenetráveis
e um dia trouxe-nos a espada
que entre os maçons usava.
Aos domingos, à mesa
refestelava-se de Salmos:
lia os mais compridos
ante a fria macarronada,
Mas sua flauta domingueira
apascentava meu desejo
de pecar lá no quintal
e arrebanhava as dívidas
despertas na segunda-feira.
Esteve em três revoluções.
Não sei se dava tiros
e medalhas nunca foi buscar.
Capitão de milícias
aposentado por desacato ao superior
discutia política sem muito empenho.
Votava com os pobres: PTB-PSD.
Tio Ernesto era udenista
e cobrava-lhe rigor.
Levou-me a ver Getúlio
num desfile militar.
No bolso, uma carta
expondo ao Presidente
penosa situação:
injustiças militares,
necessidade de abono
e pedia uma pasta de livros
pro meu irmão.
Isto posto, era capaz de esperar
semanas e meses
sem desconfiar, que ao chorar
ouvindo novelas
da Rádio Nacional
era ele próprio personagem,
porque se, como diz García Marquez,
ninguém escreve ao coronel,
o ditador jamais escreveria ao capitão.
Noivo contrariado,
fugiu com minha mãe
e com ela trocou cartas, que vi,
escritas com o próprio sangue.
Brigou com o carroceiro
que chicoteava uma besta
diante de nossa porta.
E quando a tarde crepusculava,
tomava a bilha paralítica no colo
passeando seu calvário pelas ruas
do interior.
Certa vez, como os irmãos
pusessem em mim trinta apelidos
querendo me degradar
chamando-me de “guga”,
“tora”, “manduca” e “júpiter”,
certa noite, notando-me a tristeza
levou-me pro quintal
entre couves e chuchus:
mostrou-me Júpiter, a enorme estrela
e outras constelações; peixes
touros, centauros, ursas maiores e menores
tudo a brilhar em mim
estrelas que com ele eu distinguia
e desde aquela noite
nunca mais pude encontrar.
O ERRO CERTO
/têm versos demais e muitos precisariam ser reescritos.
Trechos dos Cantares de Ezra Pound são prosaicos
/e a rigor incompreensíveis.
Manuel Bandeira e Neruda tem alguns poemas, que façam-me o favor!
Os Lusíadas, às vezes, cansam,
quase viram prosa rimada,
tal como ocorre com partes da Eneida, da Ilíada e da Odisséia.
Alguns quadros e desenhos de Picasso
nem parecem feitos por um mestre.
Stravinsky às vezes aglutina sons demais em sua pauta
Mahler, como Brahms, faz música, às vezes inteligente demais
e um dia, pasme! ouvi algo de Mozart que não me comoveu.
Até Bach tem composições de pura habilidade.
como sabe qualquer atirador.
Por que não queres aceitar
a
imperfeição do meu amor?
O ANÃO DE MARRAQUESH
Em Marraquesh
há um anão
que ensandece as mulheres.
Elas vão ao banho
(dizem aos maridos)
fazer limpeza de pele
mas algo a mais
ali sucede
basta ver como depois
além do corpo
a alma
lhes vai leve.
O segredo deste anão
está guardado
na palma de sua mão
pois com seus dedos
sabe sublimar
as mulheres.
Elas vêm e ele
com silencioso gesto
pede que se dispam
-se despem.
se ele dissesse: voem
voariam, se dissesse:
dancem, dançariam
se dissesse: amem-me
-o seu mínimo corpo
amariam.
Mas pede apenas
que larguem suas vestes
e se deitem
à espera
que suas pequenas mãos
se agigantem e abram
portas janelas
desvãos abismos
na vertigem
da viagem
dentro da própria pele.
Quando se despem
despedem-se
dos maridos
e já não mais carecem
de amantes
é como se Penélope
convertida em Ulisses
nas mãos do anão
a Odisséia sentisse.
Ninguém sabe
exatamente
o que seus dedos operam.
Começa pelos pés
e algo vem subindo
devagar ao leve toque
que não toca
que roça
mas não fere
que solicita
e impera
e vai em círculos
como se o bem e o mal
se transcendessem
numa espiral
de delícias.
Os maridos e parceiros
ficam no hall do hotel
bebendo uisque
nas quadras
jogando tênis
e nunca saberão
o que ocorreu
ao leve toque
daquelas pequenas
potentes
suaves
mãos.
Finda a massagem
(nome conveniente
à transfigurante
viagem)
as mulheres reaparecem
translúcidas
caminhando
a um centímetro do chão
irrompem inalcançáveis
como se tivessem
tido uma visão.
Aos maridos não adianta
qualquer explicação.
Há na pele da alma delas
algo de que jamais
se esquecem:
o irrepetível toque dos dedos
e das mãos
do anão de Marraquesh.

A Implosão da Mentira
Fragmento 1
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Fragmento 2
Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.
Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre. Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre. E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial? mente,
mente partidária? mente,
mente incivil? mente,
mente tropical? mente,
mente incontinente? mente,
mente hereditária? mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constróem um país
de mentira
-diária/mente.
Fragmento 3
Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo
do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.
Mentem desde cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.
Fragmento 4
Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.
Fragmento 5
Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.

QUE PAIS É ESTE?
(Fragmento 2)
Há 500 anos caçamos índios e operários,
Há 500 anos queimamos árvores e hereges,
Há 500 anos estupramos livros e mulheres,
Há 500 anos sugamos negras e aluguéis.
Há 500 anos dizemos:
que o futuro a Deus pertence,
que Deus nasceu na Bahia,
que São Jorge é guerreiro,
que do amanhã ninguém sabe,
que conosco ninguém pode,
que quem não pode sacode.
Há 500 anos somos pretos de alma branca,
não somos nada violentos,
quem espera sempre alcança
e quem não chora não mama
ou quem tem padrinho vivo
não morre nunca pagão.
Há 500 anos propalamos:
este é o país do futuro,
antes tarde do que nunca,
mais vale quem Deus ajuda
e a Europa ainda se curva.
Há 500 anos
somos raposas verdes
colhendo uvas com os olhos,
emeamos promessa e vento
com tempestades na boca,
sonhamos a paz na Suécia
com suiças militares,
vendemos siris na estrada
e papagaios em Haia
senzalamos casas-grandes
e sobradamos mocambos,
bebemos cachaça e brahma
joaquim silvério e derrama,
a polícia nos dispersa
e o futebol nos conclama,
cantamos salve-rainhas
e salve-se quem puder,
pois Jesus Cristo nos mata
num carnaval de mulatas
Este é um país de síndicos em geral,
Este é um país de cínicos em geral,
Este é um país de civis e generais.
Este é o país do descontínuo
onde nada congemina,
e somos índios perdidos
na eletrônica oficina.
Nada nada congemina:
a mão leve do político
com nossa dura rotina,
o salário que nos come
e nossa sede canina,
a esperança que emparedam
e a nossa fé em ruína,
nada nada congemina:
a placidez desses santos
e nossa dor peregrina,
e nesse mundo às avessas
- a cor da noite é obsclara
e a claridez
vespertina.

EPITÁFIO PARA O
SÉCULO XX
1.Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.
2.Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar `a esquerda
ou `a direita
eram questões centrais.
3. Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
-nux-vômica
4. Aqui jaz o século
que um muro dividiu.
Um século de concreto
armado, canceroso,
drogado, empestado,
que enfim sobreviveu
`as bactérias que pariu.
5.Aqui jaz um século
que se abismou
com as estrelas
nas telas
e que o suicídio
de supernovas
contemplou.
Um século filmado
que o vento levou.
6.Aqui jaz um século
semiótico e despótico,
que se pensou dialético
e foi patético e aidético.
Um século que decretou
a morte de Deus,
a morte da história,
a morte do homem,
em que se pisou na Lua
e se morreu de fome.
7. Aqui jaz um século
que opondo classe a classe
quase se desclassificou.
Século cheio de anátemas
e antenas, sibérias e gestapos
e ideológicas safenas;
século tecnicolor
que tudo transplantou
e o branco, do negro
a custo aproximou.
8.Aqui jaz um século
que se deitou no divã.
Século narciso & esquizo,
que não pôde computar
seus neologismos.
Século vanguardista,
marxista, guerrilheiro,
terrorista, freudiano,
proustiano, joyciano,
borges-kafkiano.
Século de utopias e hippies
que caberiam num chip.
9.Aqui jaz um século
que se chamou moderno
e olhando presunçoso
o passado e o futuro
julgou-se eterno.
Século que de si
fez tanto alarde
e, no entanto,
-já vai tarde.
10.Foi duro atravessá-lo.
Muitas vezes morri, outras
quis regressar ao 18
ou 16, pular ao 21,
sair daqui
para lugar nenhum.
11.Tende piedade de nós, ó vós
que em outros tempos nos julgais
da confortável galáxia
em que irônicos estais.
Tende piedade de nós
-modernos medievais-
tente piedade, como Villon
e Brecht por minha voz
de novo imploram. Piedade
dos que viveram neste século
per seculae seculorum.
CONJUGAÇÃO
Eu falo
tu ouves
ele cala.
Eu procuro
tu indagas
ele esconde.
Eu planto
tu adubas
ele colhe.
Eu ajunto
tu conservas
ele rouba.
Eu defendo
tu combates
ele entrega.
Eu canto
tu calas
ele vaia.
Eu escrevo
tu me lês
ele apaga.

A PESCA
O anil
o anzol
o azul
o silêncio
o tempo
o peixe
a agulha
vertical
mergulha
a água
a linha
a espuma
o tempo
o peixe
o silêncio
a garganta
a âncora
o peixe
a boca
o arranco
o rasgão
aberta a água
aberta a chaga
aberto o anzol
aquelíneo
agil-claro
esabanado
o peixe
a areia
o sol.

A BELA DO AVIÃO
Mereço tocar em teus cabelos,
Loira e anelada mulher
Que não me conheces
E estás sentada a dois metros de mim neste avião.
Te contemplo com intimidade. Sei
Teus contornos e perfumes.
Reclinas teu assento para dormir
E fechados os olhos viajas
Para alguém que te espera, ou não,
Sem saber que eu merecia tocar em teus cabelos,
Em tua boca perfeita
Teu sublime nariz,
Sem saber que conheço teu corpo
Com uma intimidade absoluta.
Estou te vendo , com extremado pudor,
Em peças íntimas no quarto,
Sei da ponta de teus seios
E do grito que lanças ao gozar.
Como deve ser importuno
Carregar continuamente
Essa beleza
Publicamente cobiçada!
Poderia te falar
Mas te sentirias imediatamente punida
Por seres linda.
Vai, colhe poemas, cobiças e suspiros
À tua passagem ,
Pois carregas o fastio da beleza
Esse ornamento difícil de ostentar.
Nunca saberás que um poeta
Assim te contemplou
Nunca saberás que estás aqui descrita.
Nunca poderás te valer destes meus versos,
Quando, sendo bela, chorares como as feias
E aviltada, quiseres morrer
Na hora da traição.
Os poemas que não tenho escrito
Os poemas que não
tenho escrito
porque
trabalhando num banco me interrompiam a toda hora
ou tinha que ir à venda e à horta
- quando o poema batia à porta,
os poemas que não tenho escrito
por temer
descer mais fundo no escuro de minhas grotas
e preferir os jogos florais
de uma verdade que brota inócua,
os poemas que não tenho escrito
porque
meu dia está repleto de alô como vai volte sempre obrigado
e eu tenho que explicar na escola o verso alheio
quando era a mim próprio
que eu me devia explicado,
os poemas que não tenho escrito
porque gritam
ou cochicham ao meu lado
ligam máquinas tocam disco e ambulâncias
passam carros de bombeiro e aniversários de criança
e até mesmo a natureza solerte
se infiltra entre o papel e o lápis
inutilizando com sua presença viva
minha escrita natimorta,
os poemas que não tenho escrito
porque
na hora do sexo jogo tudo para o alto
e quando volto ao papel encontro telefonemas e prantos
a exigência de afetos, planos e reencontros
me deixando lasso o pênis e um remorso brando no lápis
esses poemas que não tenho escrito
como um ladrão escapando pelas frestas
ou covarde devorado por seus medos
e persas
esses poemas que não tenho escrito
esses poemas
estão lá dentro
me espreitando
alguns já ressacados
outros ressuscitando
outros me acudindo
muitos me acenando
batendo à porta
- me arrombando
me invadindo a sala
com falas corretoras
enciclopédias e planos
esses poemas estão lá dentro
latentes
me apertando
atando
sufocando
e qualquer dia me encontrarão
roxo e acuado
senão boiando afogado
- numa sangria de versos
desatada.
AUTOBIOGRAFIA - JORNAL DE LETRAS / Portugal - 2005
QUE POETA É ESTE?
(Affonso Romano de Sant’Anna)
Autobiografia: reinvenção autorizada.
-o que vi?
-o que vivi?
-ou o que escrevivi?
Então lhes digo: outro dia um jornal extraiu de uma conferência minha essas
frases:
“Vou botar no meu curriculum: - eu vi os Beatles cantarem em Los Angeles
e
Michel Foucault jantou lá em casa”. Se o jornal, nossa imagem exterior,
destacou isto,
é que isto é mais importante que algumas dezenas de livros
escritos.
Então, nessa linha, acrescento outras coisas insólitas: eu vi o
comunismo acabar:
estava em Moscou em agosto de 1991. Ali ao lado do Kremlin, vi
os tanques passando,
e como latino-americano ironizei: “-Será um golpe de
estado?”. Era. Mais do que isto:
era o fim do comunismo, o fim do império
soviético. Com Marina, fui ao hotel,
calçamos tênis, pegamos uma máquina
fotográfica, e assim larguei o encontro internacional
de diretores de
bibliotecas nacionais, e passamos uma semana nas ruas em meio às barricadas
e
dentro do próprio Kremlin. Sim, dentro do próprio Kremlin, pois estava
programada
uma recepção com Gorbatchov que, preso na Geórgia, não pôde
comparecer.
Assim, entramos no palácio comboiado por tanques e comemos
sanduíches, caviar
e refrescos olhando entre as cúpulas e torres mais um dia que
se punha sobre a história.
Uma frase de Randall Jarrel lida na adolescência, até hoje passeia na minha
cabeça:
“amanhã de manhã algum poeta pode, como Byron, acordar famoso -por ter
escrito
uma novela ou matado sua esposa- não por ter escrito um poema”. Jovem
poeta,
coloquei-a naquele ensaio de 1962- “O desemprego do poeta” onde
considerava a
figura do poeta ontem-e-hoje procurando saídas para minha/nossa
aporia.
Então, vos digo a vós e a mim: minha vida se resume em reachar o emprego da
poesia,
o (im)possível ponto de intersecção entre o Eu e o Mundo através da
linguagem.
O relato desse exitoso fracasso está no titulo que reuniu seis
livros: “A poesia possível”(1987).
Sujeito das causas impossíveis, o poeta tem algo a ver com o que Robert Desnos
dizia:
“são insolúveis, são insolúveis todas as questões que tenho que
solucionar”.
Foi isso que, piamente eu fazia desde a adolescência, quando escolhido, entre
seis filhos,
para ser “ministro de Deus” ia pregando o Evangelho nas esquinas
de Juiz de Fora e
da Zona da Mata, tentando salvar o mundo. “Arrependei-vos ó
raça de víboras!”.
Foi isto que estudante, em torno de 1960, nos governos de JK, Jânio e Jango e
nas agitações da União Nacional de Estudantes, utopicamente, fazia com os
parceiros
do Centro Popular de Cultura: nossa revolução socialista ia salvar o
mundo.
Éramos rebeldes com causa, diferentes de James Dean “Rebeldes sem causa”.
Com causa ou sem causa, com a calça jeans.
Mas foi isto que com os grupos de vanguarda, tolamente repetia:
“sem forma
revolucionária não há arte revolucionaria”. Que bobagem, Maiakovsky!
Por essas e
por outras é que curei-me do messianismo seja na religião, seja na política,
seja nas artes; e por isto que recentemente publiquei “Que fazer de Ezra Pound”
e “Desconstruir Duchamp”.
É isso: um dia a gente sai para conhecer o mundo. Em 1965 deixo o barroco de
Minas
para viver na pós-moderna Califórnia. “Meninos, eu vi”- como diria
Gonçalves Dias.
O Brasil saindo do progresso iluminista dos anos 50 para a Idade
Média da ditadura militar,
e aquele inocente mineiro em meio aos hippies de São
Francisco, nos “ love in”,
nas marchas contra a guerra do Vietname (“ make love
not war”), experimentando
a desrepressão erótica, política e estética.
Vou lhes fazer outra confissão: vou botar também em meu curriculum: salvei a
vida
de muitos jovens americanos que estavam condenados a morrer no Vietname.
Como?
Assim: o estudante vinha e dizia:- Professor, se eu tirar menos de sete
vão me mandar
para a guerra. Claro, eu ajustava a nota.
Não ia fazer o sangue
escorrer no quadro negro da história da minha sala.
Desse tempo, poderia botar mais uma coisa no meu curriculum: um dia já bati
papo
com Gregory Peck. Mas depois de dois anos de fausto californiano,
disse ao chairman do Department of Spanish and Portuguese: “Estou voltando para o
Brasil”.
E ele com pena daquele jovem que jogava fora uma carreira acadêmica nos
States:
“Mas você vai chegar lá e vai ter um sargento no lugar do reitor, vão te
prender...”
Voltei. Sem nenhum heroísmo. Atavicamente. Fome de raízes.
E achando, renitentemente, que a poesia tinha alguma coisa a ver com a história,
voltei ao Brasil, e fui dirigir o departamento de Letras da PUC-Rio.
Ali, além
de trazer Foucault e promover vários encontros nacionais de escritores
durante e
contra a ditadura, ocorrreu a Expoesia- 600 poetas em delírio criativo.
O SNI-Serviço Nacional de Informações registrou: foi a ação mais subversiva da
cultura no ano.
O mérito é do signo áries. Com este signo escreverei. E me
derrotarei, daí-
“A grande fala do índio guarani perdido na história e outras
derrotas”. Enquanto isto,
via minha geração se dispersando: “um terço se
exilou, um terço se fuzilou,
um terço desesperou/ e nessa missa enganosa/ houve
sangue e desamor”.,
Ir e vir. Dar aulas em Koln: o impacto daquela monstruosamente bela catedral
e o
longo poema daí surgido. Ir e vir: Aix-en-Provence, Texas, Paris, Madrid, Aahrus,
Frankfurt, Marrocos, Pequin, Quebec, Dublin, Bogotá, Egito, Grécia, Israel,
Moçambique,
Nova Delhi, Portugal,Turquia, Índia, Coréia, enfim, o “mundo é
grande, tu sabes como
o mundo é grande”- diz Drummond. Mas com Eça e Pedro Nava
, devo confessar,
sou apenas um pobre homem dos caminhos das Gerais.
Então, lhe digo, meu caro Manuel Bandeira: eu fui à Pasárgada.
Que em mim também
virou poema. “Foi preciso que um poeta brasileiro te sonhasse/
e outro aqui
viesse para que em ti-Pasárgada, os extremos se encontrassem”.
Desembarquei no
Irã. Mas onde o poeta construíra sua utopia, só vi ruínas.
O encontro com a
história tem sido uma sucessão de ruínas.
Fui e vi nas ruínas de Ciro, Xerxes e
Atarxexes assim como vi as ruínas também
do século XX ali no Wold Trade Center.
-Uma definição (im)possível de poesia?
-Há algo sobre isto nos títulos dos meus livros mais recentes: “Textamentos” e
“Vestígios”.
Todo escrito é um textamento e, na melhor das hipóteses, só
deixamos vestígios.
Mas acho que vou mesmo refazer o meu curriculum. Em vez de dizer dirigi por seis
anos
a Biblioteca Nacional(1991-1996) e foi uma experiência preciosa criar o
Sistema Nacional de Bibliotecas, o Proler, exportar literatura brasileira,
modernizar a instituição,
em vez de dizer escrevi tantos livros de crônicas, de
poemas, de ensaios, acho que vou assinalar simplesmente: fui à Toscana em lua de
mel para comemorar 25 anos de casamento,
e no castelo de Gargonza pernoitei no
mesmo quarto em que Dante se
refugiou quando fugia dos gibelinos.
E refazendo minha vida, vou meter no meio das obras imponderáveis: estive ali na
Dinamarca no castelo onde Hamlet perambulava. Olhei-o, examinei-o e o meu pasmo
só aumentava, enquanto com Murilo Mendes corrigia o infausto príncipe.
“A
questão não é ‘ser ou não ser’, mas ser e não ser.”
Mas o que eu queria mesmo era ser poeta-menestrel-cantor.
Aí, sim recomporia a
unidade órfica perdida, quando poesia era corpo, voz, som e verbo.
Bordejei essa
vivência cantando no “Madrigal Renascentista” sob a Regência de Isaac Karabchewsky. Cantei “The truth is march’in on” para Eisenhower no Palácio
Alvorada no tempo de Juscelino.
Mas coisa finíssima foi desfilar na Comissão de
Frente da Mangueira no carnaval de 1987,
ao lado de velhos sambistas, em
homenagem a Drummond. Poesia, povo, música:
essas coisas me perseguem.
Para quem iniciou-se sob o signo do “desemprego do poeta”,
a experiência poética
durante a ditadura de 1964-1984 foi pedagógica. De repente,
o “Jornal do Brasil
“publica numa página inteira, fora da seção literária, o longo poema
“Que pais é
este?”(1980). De repente, nas praias, nos bares, nos clubes, sindicatos,
escolas, igrejas, o poema lido e reproduzido aos milhares. O reemprego do poeta
e da poesia.
Fim do exílio. E a experiência se repetindo uma dúzia de vezes e
sempre a mesma constatação:
feita com rigor formal, falando de coisas que
interessem a todos, superado o narcisismo
e servida no meio de comunicação
adequado a poesia tem, como sempre, mais eficácia que a prosa.
Daí a pouco a
experiência se ampliaria e faria poemas também para a televisão.
João Cabral disse, em 1945, que o problema dos poetas em nosso tempo
é que
ignoram os meios de comunicação ao seu alcance? Pois bem, ele os ignorou.
Pelo menos, tentei: a poesia possível.

BIOGRAFIA
Affonso Romano de
Sant'Anna nasce em Belo Horizonte, no dia 27 de março de 1937, filho de
Jorge Firmino de Sant'Anna, Capitão da Polícia Militar mineira, e de D. Maria
Romano de Sant'Anna.
Criado em Juiz de Fora, tem uma infância de menino pobre, trabalhando desde
muito cedo para pagar seus estudos. Entre um e outro biscate, aproveita para ler
os livros que consegue nas bibliotecas do Serviço Social da Indústria (SESI).
Filho de pais protestantes, é criado para ser pastor. Aos 17 anos prega o
evangelho em várias cidades de Minas Gerais, visita favelas, prisões e
hospitais, convivendo com pessoas pobres e sofridas. Leva a elas sua
mensagem. Essa experiência irá influir, futuramente, no estilo de seus textos e
poesias, com forte conteúdo social.
Custeia seus estudos na Faculdade de Letras de Belo Horizonte, tornando-se
bacharel.
Em 1956, esteve envolvido com movimentos de vanguarda e, no ano seguinte, com
sua voz de barítono, passa a fazer parte do "Madrigal Renascentista", à época
regido pelo maestro Isaac Karabtchevsky.
Fez parte dos movimentos que transformaram a poesia brasileira, sempre
interagindo com grupos inovadores e construindo sua própria linguagem e
trajetória. Data desta época a participação nos movimentos políticos e sociais
que marcaram o país. Como poeta e cronista, foi considerado pela revista
"Imprensa", em 1990, como um dos dez jornalistas formadores de opinião por
desempenhar atividades no campo político e social que marcaram o país nos anos
60.
Coloca em seu primeiro livro, lançado em 1962, "O Desemprego da Poesia", seu
inconformismo com a atuação do poeta da época que não possuía a força dos poetas
do século XIX. Analisa o desencontro do poeta no seu tempo e sua frustração
pessoal. O poeta era tido como um ser boêmio, romântico, fora de época.
Em 1965, muda-se para Los Angeles onde, durante dois anos, dá cursos de
Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia. Nasce sua primeira filha,
Fabiana. Lança seu primeiro livro de poesias "Canto e Palavra".
Em 1968, retorna aos Estados Unidos para, durante dois anos, participar como
bolsista do International Writing Program, na cidade de Iowa, dedicado a jovens
escritores de todo o mundo.
Apresenta, na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1969, sua tese de
doutoramento "Carlos Drummond de Andrade, o Poeta "Gauche", no Tempo e Espaço",
publicada em 1972 e que lhe garantiu os quatro prêmios mais importantes no
universo literário brasileiro.
Casa-se, em 1971, com Marina Colasanti, escritora e jornalista, segundo
ele sua melhor crítica e também musa inspiradora.
Nasce, em 1972, sua segunda filha, Alessandra. Leciona na Pontifícia
Universidade Católica - PUC e na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.
De 1973 a 1976, dirige o Departamento de Letras e Artes da PUC/RJ. Para o curso
de Pós-Graduação em Letras, realizado em 1976 na PUC/RJ, promove a vinda de
conferencistas internacionais, entre os quais Michel Foucault, sociólogo
francês. Houve grande repercussão da visita de Foucault ao país, que se
encontrava em pleno regime ditatorial. Lança seu segundo livro de poesias
"Poesia sobre Poesia".
Em 1976, volta aos Estados Unidos para lecionar Literatura Brasileira na
Universidade do Texas.
Em 1978, torna-se professor de Literatura na Universidade de Colônia, na
Alemanha. Lança "A grande fala do índio guarani".
Lança, em 1980, o livro de poesias "Que país é este?", cujo poema título é
publicado com destaque pelo "Jornal do Brasil". Leciona, durante dois anos, na
Universidade Aix-en-Provence, na França, como professor visitante.
Em 1984, assume no "Jornal do Brasil" a coluna anteriormente escrita por Carlos
Drummond de Andrade, o que viria confirmar a opinião do conhecido crítico Wilson
Martins de que o biografado seria o sucessor de Drummond. O jornal publica seus
poemas na página de política, e não no suplemento literário, iniciativa pioneira
e insólita, o que faz com que Sant'Anna mude seu conceito sobre o próprio
emprego do poeta na sociedade. Percebe mais claramente que a função do poeta
está vinculada, primeiramente, ao fato de que ele precisa ter uma linguagem
eficiente, ter domínio de todas as técnicas, falar sobre assuntos que interessem
às pessoas em geral, sem narcisismo nem subjetivismo, e encontrar um veículo
eficiente para projetar o seu trabalho, no caso o jornal. Considera o livro
ainda muito elitista, sofisticado, de acesso impossível às camadas mais pobres
de nossa sociedade. Saber que seus poemas, como: "A Implosão da Mentira", "Que
país é este?" (traduzido para o espanhol, inglês, francês e alemão) e "Sobre
a atual vergonha de ser Brasileiro", estavam
sendo lidos nas casas, nas praias, nos clubes, transformados em poster e
colocados nas paredes de escritórios e sindicatos, em muito o gratifica e o
ensina que os poetas têm que re-achar o seu lugar existencial e estético dentro
da sociedade.
Publica pela Editora Rocco seu primeiro livro de crônicas, "A Mulher Madura", em
1986.
Em março do ano seguinte participou do Congresso "Les Belles Etrangères", onde
foram reunidos dezenove escritores brasileiros em Paris e no mesmo ano publica
com sua esposa a antologia "O Imaginário a Dois".
Em 1989 participou do "IV Encontro de Poetas do Mundo Latino", realizado no
México.
Em 1990, nomeado Presidente da Fundação Biblioteca Nacional (a oitava maior
biblioteca do mundo, com mais de oito milhões de volumes), cargo que ocupa até
1966, onde defronta-se, na prática, com sua própria frase a respeito do país:
"Nós estamos muito à frente, mas estamos ainda muito atrás de nós mesmos".
Informatiza a Biblioteca, cria o Sistema Nacional de Bibliotecas, reunindo 3000
instituições e o PROLER (Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais
de 30000 voluntários em 300 municípios brasileiros. Lança a revista "Poesia
Sempre", de circulação internacional, e apresenta edições especiais sobre a
América Latina, Itália, Portugal, Alemanha, França e Espanha.
Preside o Conselho do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina
e no Caribe (CERLALC), no período 1993/1995), sendo também o Secretário Geral da
Associação das Bibliotecas Nacionais Ibero-Americanas (1995/1996), que reúne 22
instituições.
Cronista do jornal "O Globo", tem também participação em programas na TV Globo
onde cria um novo gênero, algo entre a literatura e o jornalismo. Durante a Copa
do Mundo, a TV Globo encomenda-lhe dez textos sobre os jogos, que deveriam ser
escritos num espaço de duas horas, ligados à imagem e inteligíveis pelo país
inteiro. O mesmo acontece com relação à Fórmula I. Também, nesse mesmo gênero,
escreveria um poema por ocasião da morte do Presidente Tancredo Neves. Na sua
opinião, a televisão, ao contrário do que muitos dizem, não veio para acabar com
a literatura. É um veículo moderno e eficiente de promoção da literatura.
Proferiu conferências em diversos países, entre outros: México, Dinamarca,
Chile, Canadá, Argentina, Portugal, Estados Unidos e Espanha.
Colabora com diversos jornais.
OBRAS DE AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA
Poesia no Brasil:
1-Canto e palavra. Imprensa Oficial. Belo Horizonte, MG, 1965.
2-Poesia sobre poesia. Ed. Imago, Rio, 1975.
3-A grande fala do índio guarani. Summus. São Paulo, 1978 (2 edições),
4-Que país é este? Ed. Rocco, Rio, 1980 (4 edições)
5-A catedral de Colônia. Ed. Rocco. Rio, 1987.
6-A poesia possível (poesia reunida). Ed.Rocco. Rio, 1987.
7-A morte da baleia. Ed.Berlendis & Verdecchia, Ed. Rio, 1990.
8-O lado esquerdo do meu peito. Ed. Rocco, Rio, 1922 (2 edições)
9-Epitáfio para o século XX (antologia). Ediouro, São Paulo, 1997.
10-Melhores poemas de Affonso Romano de Sant’Anna (antologia). Ed.Global, SP, 1993 (4 edições)
11-O intervalo amoroso (antologia). L&PM. Porto Alegre, 1999 (2 edições).
12-A grande fala e Catedral de Colônia (ed. comemorativa), Rocco, Rio, 1998.
13-Textamentos. Ed. Rocco. Rio, 1999.
14- Poesia Reunida. L&PM, P. Alegre, 2004
15-Vestígios. Ed.Rocco, 2005
16. O homem e sua sombra. Ed. Alegoria, Porto Alegre, 2006
Poesia no exterior:
1-Antologia da poesia brasileira (org.José Valle Figueiredo) Ed. Verbo, Portugal, 1970.
2-Antologia de la poesia latinoamericana (1950-1970) (org. Stefan Baciu) State Univ. New York, 1974.
3-Littérature du Brèsil (Revue Europe) aout0-sept, 1982, Paris-Franca.
4-Beispilsweise Koln-Ein Lesebuch-herausgegeben von H. Grohler, G.E. Hoffaman, H. J.Tummers, Lamuv Verlag, Alemanha, 1984.
5-Translations: The journal of literaty Tranalation.Spring Columbia Univ. Spring 1984.
6-Lianu Liepesna (Brazilynaujosios poezijos antologija) (antologia brasileira em lituano).Org. Povilas Gaucys, Chicago, 1985.
7-South Easter Latin americanist. Univ. Miami, sept/dec. 1985.
8-A posse da terra (escritor brasileiro hoje) Org. Cremilda Medina. Imp. Nacional. Casa da Moeda/Sec. Cultura, SP, 1985.
9-Antologia da poesia brasileira (oprg. Carlos Nejar), Imp. Nacional/ Casa da Moeda, Portugal, 1986.
10- Brazilian Literature. Special Issue.Latin American Literature Review. Jan/jun, 1986. Univ. Pittsburg, 1986.
11-Anthologie de na nouvelle poèsie brèsilienne. Org. Serge Borjea. Harmatan. Paris, l988.
12-Okolice (miessiecznik spoleczno-literaracki), Marzec, Polonia, 1982.
13-Epitafio para el siglo XX. Fundarte. Caracas. Venezuela, 1994.
14-Antologia da poesia brasileira. China. Embaixada do Brasil, Pequim, 1994.
15-Liberté/Brasil littéraire. Montreal. Canadá, 1994.
Das Gediche (Zeitschrife fur lyric,Essay und Kritik) AGHL. Alemanha, 1997, nº 3, oct/1995.
16-Vision de la poesia brasileña. (org.Thiago de Mello). Instituto Libro Santiago, Chile, 1996.
17-Tierra de Nadie (antologia de nueve poetas latinoamericanos). Ed. Una, Costa Rica, 1996.
18-New lateiramerikanishce poesia/ Nueva Poesía America Latina. Rowohlr Literatur Magazin 38, Hambur, 1996.
19-Review: Latin American Literature and Art,.Fall 1996. America Societe, New York, USA.
20-Poeti brasiliani contemporani. Silvio Castro. Centro Internazionake della Grafica di Venezia, Univ. Padovaa, Italia, 1997.
21-Affonso Romano de Sant’Anna & Carlos Nejar: deux poètes brésiliens contemporains”. (org Regina Machado) La Sape, Centre Nationnale de Lettres, Paris, 2000.
22-Poesia brasileira do século XX (dos modernistas à actualidade). Org. José Henrique Bastos, Ed. Antigona, Lisboa, 2002
23-“Poets of Brazil - a blingual selection - Trad.e intr. De Frederick Williams Univerisity Brigham e UFBA
Antologias de poesia no Brasil:
1-4 poetas. Ed. Universitária, Belo Horizonte, MG, 1960.
2-Violão de rua I. Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1962.
3-Violão de rua II. Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1963.
4-Violão de rua III. Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1963.
5-Poesia da fase moderna (org. Manuel Bandeira e Walmir Ayala) Ediouro, 1966.
6-Poesia Viva (org. Moacyr Felix) Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1968.
7-Poesia contemporânea (org. Henrique Alves). Ropsiwitha Kempf, SP, 1985.
8-Carne Viva (org. Olga Savary) Ed. Anima, 1984.
9-O imaginário a dois (com Marina Colasanti). Ed. Artetexto,Rio, 1987.
10-Sincretismo: a poesia da Geração 60 (org. Pedro Lyra), Topbooks, 1995.
11-Poesia contemporânea - cadernos de poesia brasileira, Inst. Culural Itaú, São Paulo, 1997.
12-Baú de Letras (antologia poética de Juiz de Fora) Funalfa, Juiz de Fora, 2000
13.Os cem melhores poetas brasileiros do século (org. José Nêumanne Pinto) Geração Editorial, SP, 2001.
14.100 anos de poesia - um panorama da poesia brasileira no século XX. Org. Claufe Rodrigues e Alexandra Maia. Ed. O verso edições, Rio, 2001.
Ensaios:
1-O desemprego do poeta. Imp. universitária, UFMG, 1962.
2-Drummond, o “gauche” no tempo. Ed. Record, Rio, 1990. (4 edições)
3-Política e Paixão. Ed.Rocco, 1984. (2 edições)
4-Análise estrutural de romances brasileiros. Ed. Ática, SP, 1989 (8 edições).
5-Por um novo conceito de literatura brasileira. Ed. Eldorado.Rio, 1977.
6-Música popular e moderna poesia brasileira. Ed. Vozes. Petrópolis, 1997. (4 edições)
7-Emeric Marcier. Ed. Pinakoteke. Rio, 1993.
8-O canibalismo amoroso. Ed. Rocco, Rio, 1990 (3 edições).
9-Paródia, Paráfrase & Cia. Ed. Atica, S.π, 1985, (7 edições)
10-Como se faz literatura. Ed. Vozes. Petrópolis, 1985 (2 edições)
11-Agosto, 1991: estávamos em Moscou (com Marina Colasanti). Ed. Melhoramentos. SP, 1991.
12-O que aprendemos até agora? Ed. Edufitia. São Luis. Maranhão (1984), Ed. Univ. Santa Catarina, 1994.
13-Barroco, alma do Brasil. Ed.Comunicação Maxima/Bradesco, Rio 1997 ( 2 edições). Reeditado em inglês, francês e espanhol, 1998.
14-A sedução da palavra (ensaio e crônicas). Letraviva. Brasili, 2000
15-Barroco, do quadrado à elipse. Ed. Rocco, Rio, 2000.
16-Desconstruir Ducham. Ed. Vieira & Lent. Rio, 2003.
17-Que fazer de Ezra Pound. Ed. Imago. Rio, 2003
18-A cegueira e o saber. Ed. Rocco, 2006
Crônicas:
1-A mulher madura. Ed. Rocco, Rio, 1986. (3 edições)
2-O homem que conheceu o amor. Ed.Rocco, Rio, 1988 (2 edições)
3-A raiz quadrada do absurdo. Ed. Rocco, 1989.
4-De que ri a Mona Lisa. Ed. Rocco, Rio, 1991.
5-Fizemos bem em resistir (antologia), Rio, 1994.
6-Mistérios gozosos. Ed. Rocco, Rio, 1994.
7-A vida por viver. Ed. Rocco, Rio, 1997.
8-Porta de Colégio (antologia). Ed. Atica, Sπ, 1995 (7 edições)
9-Que presente te dar (antologia). Ed. Expressão e Cultura, Rio, 2001
10-Pequenas seduções (antologia). Ed. Sulina, Porto Alegre, 2002
11-Nós, os que matamos Tim Lopes (antologia). Expressão e cultura, Rio, 2002
12-Melhores crônicas de ARS. Global Ed. SP. 2004
Prosa/ensaios: com outros autores:
1.O livro do seminário (1a. Bienal Nestlé de Literatura), 1982.
2.Crônicas mineiras. Ed. Atica, 1984
3.A paixão segundo G.H.Clarice Lispector ( textos críticos). Co. Arquivos, Unesco, 1988.
4.Tv ao vivo. Ed. Brasiliense, 1988.
5.Homenagem a Manuel Bandeira, UFF/ Presença, Rio, 1989.
6.Palavra de poeta. Denira do Rosário. Ed. Jose Olympio, Rio, 1989.
7.Auto-retratos. Giovani Ricciardi, Martins Fontes, São Paulo, 1991
8.Drummund (arte em exposição). Salamandra. Rio, 1990.
9.Minas liberdade. Sec. Cult. de Minas Gerais, 1992.
10.O amor natural. Carlos Drummond de Andrade (prefácio), Record. Rio, 1992.
11.Cartas de Mário de Andrade. Ed. Nova. Fronteira, Rio, 1993.
12.Hélio Pelegrino. A-deus. Ed. Vozes, Petrópolis, 1990.
13.131 posições sexuais o sexo visto pro 131 personalidades) Org./ Lu Lacerda
14. Tiradentes, teu nome é liberdade, Maxima Comunicação, Rio, 1992.
15.O livro ao vivo. Centro cultural Cândido Mendes, Rio, 1995.
16.Crônicas de amor. Ed. Ceres, SP, s/d
17.Brasil e Portugal: 500 anos de enlaces e desenlaces (Org.Gilda
Santos).
Real Gabinete de Leitura, Ano 2000, Rio.
18.Para entender o Brasil. (org. Marisa Sobral Luiz Antonio Aguiar), Ed. Alegro, São Paulo, 2000.
19.Suplementos literários: situação ontem e hoje. “Seminário de Comunicação do Banco do Brasil: Espaços na mídia: história, cultura e esporte”, organizado por Alberto Dines e editada sob este título pelo Labjor. Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo - Unicamp, Brasília, 2001.
20.Brasil e Portugal 500 anos de enlaces e desenlaces, v. 2. Real Gabinete de Leitura, 2001, Rio.
21.Pecados (Orgulho) Org. Eliana Yunes - Maria Clara Bingerer. Ed. Loyola. Rio, 2001
22.Ao encontro da palavra cantada. (Canto e palavra). Org. Claudia Neiva de Matos, 7 Letras, Rio, 2001.
23.Dona Flor e o triângulo culinário e amoroso. In “Personae: grandes personagens da literatura brasileira”. Org. Lourenço Dantas Mota - Benjamim Abdala Jr. Ed. Senac, São Paulo, 2001.
24-Crônicas de uma viagem a Portugal. In Pontes Lusófonas III - Arquitecturas Luso-Brasileiras, Instituto Camões, Lisboa, 2001.
25.Wilson Martins. Um crítico na linha de fogo. In Mestre da Critica - Edição comemorativa dos 80 anos do critico literário Wilson Martins. Imp. Oficial Paraná - Topbooks, Rio, 2001.
26.O valeroso lucideno - um caso de arqueologia literária. Idem.
27. Se eu começasse dizendo- prefacio às poesias completas de T. S Eliot, Nova Fronteira, 2005
28.O umbigo, o centramento e descenetramento” em Umbigo é nosso Rei? Arts e Oficios, RS, 2005.
29.O caso Quintana, em Mario o anjo da escada. Telos Emprendimentos Culturais, Porto Alegre, 2006
30.Edmundo simplesmente criativo. Para o livro sobre Edmundo Villani-Côrtes, projeto Francisco Coelho, sobre compositores contemporâneos brasileiros, (GILBERTO MENDES ALMEIDA PRADO, EDINO KRIEGER, RODOLFO COELHO DE SOUZA, EDMUNDO VILLANI-CÔRTES).
31.Cannibalisme litttéraire * Ensaio para o numero especial da revista sobre Valery Univ de Montpellier, março de 2006 e adaptado à Revista Escritor da UBE.
32.Ler o mundo: desafios na sociedade tencológica”. Conf. no Simpósio de Estudos Lingüísticos e Literários da Unicentro/ Garapuava – SP, 2005.
Poesia/ ensaios no exterior (com outros autores):
1.Confluences littéraires (Bresil-Quebec). Les bases d”une compairaison.
Les Editions Balzac, Montreal, 1992.
2.Les riques du métier. L’Exagone. Quebec. Montreal. Canadá, 1990.
3.Cuentos Brasileños. Ed. Andres Bello, Chile, 1994.
4.O Brasil no limitar do sec. XXI. Frankfurt am Main, TFM, Frankfurt, 1996.
5.Libraries, social inequalities and the challenge of the twenty first century.Dedadus (Journal of the American Academy of Arts ans Sciences,Fall 1996).
6.Tropical Paths: essay on modern brazilian literature (Org. Randal Jonhson) Ed.Garland, N. York/London, 1993.
7.Brésil, poèsie du corpos. M. Leroy-Patay - M.E. Malheiros Poulet, La taillanderie, Lyon, 2000.
8.”Lusofonia, mentiras e realidade” in “Veredas (Revista da Associação Internacional de Lusitanistas), Fundação Eng. Antoniol de Almeida, Porto, 2000.
9.”Origens Poéticas” int. e seleção da antologia de Humberto Ak’abal - “Tecedor
de palavas”.
Ed. Melhoramentos, 2006
Cds de Literatura
-Affonso Romano de Sant’Anna por Tônia Carrero. Luzdacidade. Niterói, 1998.
- Crônicas escolhidas (com participação de Paulo Autran). Luzdacidade, Niterói, 1999.
-“O escritor por ele mesmo” Instituto Moreira Salles, 2001
-“Affonso Romano de Sant’Anna por Affonso Romano de Sant’Anna”. CD de poemas com participação de: Tônia Carreiro, Odete Lara, Marina Colasanti, Neide Archanjo, Eliza Lucinda, Edla Van Steen, Alessandra Colasanti. Luzdacidade, 2005.
Prêmios literários:
Prêmio Mário de Andrade. Livro Drummond o “gauche” no tempo.
Prêmio Fundação Cultural do Distrito Federal. Livro Drummond o “gauche” no tempo.
Prêmio União Brasileira de Escritores. Livro Drummond, o “gauche” no tempo.
Prêmio Estado da Guanabara. Livro Drummond, o “gauche” no tempo.
Prêmio Pen-Clube. Livro “O canibalismo amoroso”.
Prêmio União Brasileira de Escritores. Livro “Mistérios gozosos”.
Prêmio APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo conjunto de obra.
Teses sobre o autor:
“Simbólica de alta tensão - uma leitura da poesia de Affonso Romano de
Sant’Anna,
de Vera Lucia Roca de Sousa Lima, Mestrado, PUC/RJ, 1986.
“A ars de ARS: edição do desejo na obra crítica e poética de Affonso Romano de
Sant’Anna”
de Flávia Sá d’Oliveira, Doutorado, PUC/RJ, 2000
Poemas musicados:
“Assombros” - musicado por Felipe Radiceti, no CD - “Homens partidos”, 1999, Rio
“Alfa e omega” - musicado por Rildo
Hora, no CD “Ano Novo”, com Rildo Hora e
Maria Teresa Madeira, Robdigital, Rio 2003
“A implosão da mentira” - idem
“A implosão da mentira” - Remy Loeffler Ramos Portilho
“Os amantes” - Fagner
“Que país é este?” - Rocinontes- Brasília
“A morte da baleia”
Se você
gostou indique o endereço:
www.almadepoeta.com/affonsoromanosantanna.htm
Veja também:
www.almadepoeta.com/affonso_romano_santanna.htm
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